Por Micaela Santos
Edição Géssica Brandino
| Pedro Borges (Alma Preta), Gabi Coelho (Voz das Comunidades) e Nina Weingrill (ÉNois). Foto: Augusto Godoy / Repórter do Futuro / OBORÉ |
Por denunciar problemas sociais e dialogar diretamente com públicos pouco representados pelos grandes veículos de mídia, o jornalismo periférico tem ganhado cada vez mais força para além da mídia alternativa. Criado em 2005 por Rene Silva, morador do Rio de Janeiro e na época com apenas 11 anos de idade, o jornal Voz das Comunidades ganhou repercussão nacional e internacional após a cobertura da ocupação do Complexo do Alemão pelas Forças Armadas em 2010.
Hoje, com mais de 100 colaboradores, entre produtores, jornalistas e Voluntários, o jornal circula em mais de dez comunidades no Rio de Janeiro, compartilhando histórias, vivências e fatos que impactam a vida de quem mora longe dos grandes centros.
Outra iniciativa que aborda a visão da periferia, mas desta vez a partir da perspectiva racial, o Alma Preta foi criado em 2015 em Bauru, no interior de São Paulo, como um portal de notícias sobre temas relacionados à população negra.
O empoderamento negro, o racismo na política, economia, cultura e esporte, além de notícias sobre o continente africano, são alguns dos assuntos tratados. Os dois projetos surgem num cenário em que diversos grupos e movimentos sociais buscam representatividade na sociedade. “Existe uma demanda e um debate importante sobre a representatividade. Ela por si só não resolva todas as questões, mas nós também cansamos de ouvir os outros falarem sobre a gente”, explica Pedro Borges, cofundador do Alma Preta.
Não é só segurança pública
Embora noticie o cotidiano das favelas cariocas, frequentemente associado à criminalidade, a violência não é a principal mensagem que o jornalismo periférico deseja passar, destaca Gabi Coelho, repórter e coordenadora da equipe de colunistas do Voz das Comunidades. “Como um jornal comunitário, somos muito limitados a abordar apenas os aspectos negativos da periferia, por isso, tentamos ir além, mostrando que nós também podemos falar sobre meio ambiente, economia, saúde e cultura”, explica Gabi Coelho.
Além do jornal impresso e portal online, o projeto também desenvolve ações sociais, eventos e oficinas. Na contramão da falta de diversidade nas redações brasileiras, os coletivos de mídia buscam pela inclusão. Mas, apesar do disso, enfrentam o desafio da sustentabilidade financeira, tema crucial no jornalismo atual. “Com vários outros coletivos, estamos constantemente preocupados em alcançar parcerias”, ressalta Pedro Borges. “O apoio às iniciativas jornalísticas ainda é uma cultura que está sendo criada, pois as pessoas se acostumaram a consumir informação, mas não à pagar por ela.
O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.
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