30/06/2019

A imprensa na mira dos governos autoritários

Último painel de sábado (29) debate desafios de Brasil, Venezuela e Polônia

Por Carlane Borges, Gabriela Neves, Vitória Macedo e Weslley Galzo 
Edição Cristiane Paião
Foto: Gabriela Neves
O que Brasil, Venezuela e Polônia têm em comum? Para Marzen Suchan do Grupo Interia.pl da Polônia e Luz Mely Reyes, do Efecto Cocuyo da Venezuela, são países marcados pela polarização e que precisam levantar suas vozes na luta pela democracia. 

Para Marzen, o governo de extrema direita da Polônia ataca a mídia e, além disso, aparelhou a chamada "grande" mídia com o auxílio, inclusive, de empresas internacionais. 

Economia versus jornalismo de qualidade

Para a jornalista polonesa, a mídia livre está sendo destruída pela economia. É o que, segundo Luz, também está acontecendo na Venezuela. 

Por falta de financiamento, os impressos praticamente não existem no país latino-americano, assim como os negócios também permeiam o jornalismo polonês. “Para muitos a mídia é negocio”, enfatiza Marzena.

Por outro lado, apesar de a mídia venezuelana também sofrer repressões, Luz conta que não há mais polarização no país entre apoiadores e opositores de Maduro. 

Segundo ela, grande parte da população reprova Maduro e a divergência ocorre na própria oposição, entre aqueles que apoiam o projeto do alto proclamado presidente Juan Guaidó. “Há polarização na Venezuela, mas não frente ao governo”, pontua Reyes. 

Como forma de resistência ao endurecimento na tratativa de Maduro em relação à imprensa, Luz criou o projeto jornalístico Efecto Cucuyo, para lutar por jornalismo livre e independente. A máxima da iniciativa é: “milhões de pequenas faíscas, que juntas podem iluminar uma nação inteira”, explica. 

Fazer jornalismo na Polônia, segundo a jornalista é muito difícil. Como em qualquer país democrático, há apoiadores do governo e opositores. Jornalistas que trabalham para grupos estrangeiros, ao fazerem críticas e análises do governo, são taxados como ‘não poloneses’. 

Marzena se mostra incomodada com estes julgamentos. “A mídia não deveria ser de direita ou esquerda. Isso é absurdo, mas é a situação que vivemos”, destaca. 

Segundo ela, três lições estão sendo aprendidas e devem ser aplicadas aqui no Brasil, confira no vídeo abaixo:

  1. Não durmam. Quando você ainda tem a liberdade de imprensa, essa é a hora de protegê-la
  2. Fiquem juntos, se mantenham unidos
  3. Valores. Se perguntar sempre “por que eu sou jornalista?”


O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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