30/06/2019

7 dicas e um segredo para ser feliz fazendo jornalismo de dados


José Roberto de Toledo ensina como entrar na área.

Por: Géssica Brandino e Giulia Afiune
José Roberto de Toledo, editor do site da piauí compartilha ensinamentos sobre jornalismo de dados. 
Se há dez anos, o jornalista sofria com a escassez de informação, o problema hoje é justamente o inverso: lidar com uma imensidão de dados. Se cada byte fosse um litro d’água, em um ano a quantidade de informações produzidas poderia encher o Oceano Pacífico. 

A analogia feita pelo jornalista e editor-executivo do site da revista piauí, José Roberto de Toledo, ajuda a entender o desafio encarado por repórteres que trabalham com dados.

"A agulha que a gente procurava com a ajuda de um bloquinho e uma caneta, hoje a gente tem que achar dentro de um palheiro que é cada dia maior”, afirmou.

Lidar com esse mar de informações requer que o jornalista crie um método de trabalho que funcione para ele. Para começar, Toledo compartilha 7 dicas e um segredo:

1. Perca o medo da matemática

Sabe aqueles conceitos básicos de matemática que você aprendeu na escola e achou que não serviam para nada? Para Toledo, eles são ferramentas indispensáveis para fazer as perguntas certas ao analisar qualquer conjunto de dados. Ele defende que é preciso dominar conceitos de estatística – como média, mediana e desvio padrão –, entender a diferença entre números absolutos e relativos, e relembrar o que é amostragem. "Se você não dominar algum desses conceitos, a chance de dar um "erramos" é enorme," diz Toledo. 

2. Comece com uma pergunta

Na hora de começar uma reportagem de dados, Toledo diz que o mais importante é definir uma boa hipótese que será testada com a análise de dados. "O que eu quero saber? E, mais importante, o que o público quer saber?" Para Toledo, o jornalista de dados tem a vantagem de poder definir sua própria pauta de acordo com o interesse público em vez de ficar atrelado a declarações oficiais.

3. Encontre os dados

Desenvolver fontes humanas é essencial para cobrir sua área de especialidade. Identificar e selecionar suas fontes digitais é igualmente importante, defende Toledo. "Vá conhecer as bases de dados que representam essa área e conhecê-las a fundo, saber o que elas têm, o que elas não têm, quais são as possibilidades que elas podem oferecer", aconselha. Isso permite que você saiba quais perguntas aquela base de dados pode responder e para quais perguntas será necessário outro conjunto de dados – que, eventualmente, você mesmo pode organizar.

4. Desconfie, entreviste e cheque

Lidar com dados exige as mesmas regras e métodos do jornalismo tradicional. Com os dados em mãos, é preciso entrevistá-los, procurando padrões e tentando fazer conexões entre as informações. Mas Toledo adverte que "dados bem torturados revelam qualquer coisa", ou seja, não podemos analisar os dados com o intuito de confirmar nossas suposições. O ideal é estar aberto para surpresas. 

"O bonito do jornalismo de dados, da ciência de dados é que ela é contra-intuitiva. É quando você percebe que aquilo que você presumia ser verdade não é, e a verdade é o oposto. Você tem que estar aberto pra isso e por isso não pode torturar os dados", explica. 

5. Visualize

Crie formas de ajudar o leitor a entender o que está ali. Ao escolher qual gráfico usar, priorize a clareza e conte uma história. Um gráfico de colunas pode parecer simples, mas é mais eficiente para comparações do que o formato em pizza. 

“Fazer coisas muito complicadas têm utilidade, a academia talvez use, você talvez use, mas a maioria do seu público não vai usar. Já uma coisa que sintetize isso de forma clara, com começo, meio e fim vai ter muito mais apelo.” 

6. Misture dados

Toledo dá o nome de "sinapse jornalística" à mistura de duas coisas que aparentemente não têm relação entre si para criar algo que tenha significado e valor social. 

Um exemplo foi a primeira matéria de jornalismo de dados desenvolvida por ele e Daniel Bramatti no Estadão em 2009. Cruzando duas bases de dados, eles descobriram que municípios no Pará com altos índices de homicídio tinham também altas taxas de desmatamento. 

7. Trabalhe em equipe

Ao contrário do que alguns possam imaginar, o jornalismo de dados não é um trabalho feito por um único profissional com múltiplas habilidades. Segundo Toledo, esse é um trabalho feito por uma equipe composta por:
  • Programador, para codificar as ferramentas e ajudar na captura dos dados
  • Designer, para criar as visualizações
  • Jornalista, para entrevistar o dados e sintetizar as informações
Um segredo: foco! 

Quanto mais concentrado, mais feliz o seu cérebro vai se sentir. Toledo cita um estudo da Universidade de Irvine, na Califórnia, que diz que a cada vez que interrompemos o que estamos fazendo para checar as redes sociais ou ver alguma notícia, nosso cérebro demora 23 minutos para voltar ao estado normal de concentração. "Meu segredo é desliguem o celular quando forem fazer jornalismo de dados", resume.



O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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