23/06/2016

Livro-reportagem: uma história que não cabe no jornal


Por Juliana Tahamtani

"Os livros-reportagem são resultados de uma inquietação que você tem ao longo da vida e, às vezes, as páginas de um jornal são insuficientes". É assim que o jornalista Rubens Valente, da Folha de S.Paulo, iniciou a palestra "Livro-reportagem:alternativa para publicação de grandes investigações" na manhã desta quinta-feira no primeiro dia do 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. Ao lado dele, o repórter Vladimir NettoTV Globo, também compartilhou sua experiência.

Fotos: Alice Vergueiro

Os dois jornalistas produziram livros-reportagem e contaram como é a produção do trabalho. Para eles, a organização na coleta e na análise das informações são pontos fundamentais para o desenvolvimento de uma grande reportagem. Sem a limitação de um jornal ou de uma reportagem em TV, o livro é uma alternativa para apurações ou histórias de fôlego.  

Vladimir, autor do recém lançado " Lava-Jato - O juiz Sérgio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil", conta que dividiu o livro pelas etapas que considerou mais importantes em todo o processo da Lava-Jato e deu destaque para as grandes delações. Só depois ele montou um "guia documental" com as principais informações que queria desenvolver e foi atrás dos personagens para  ilustrar a pesquisa. 



"Primeiro fiz um esqueleto do que era o fato que eu queria contar e das coisas mais importantes e, a partir dali, fiz as entrevistas, para rechear a narração com emoções e histórias", conta. O repórter revela que a técnica usada na produção da reportagem foi reconstruir os principais fatos da Lava Jato a partir de entrevistas e documentos do processo. 

Já Rubens Valente, que publicou o livro "Operação Banqueiro" em 2014, deu algumas dicas de como começar o processo de escrita de um livro-reportagem. Segundo ele, é importante pesquisar sobre um tema prazeroso e escrever todos os dias. Rubens afirma que, para alavancar a criatividade, é melhor iniciar a escrita pela parte mais interessante da história. 



Vladimir Netto e Rubens Valente concordaram que "o livro-reportagem é fruto do amadurecimento da carreira".   


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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