23/06/2016

Manter honestidade com a fonte é essencial para bom trabalho jornalístico

Por Helena Mega

Tanto na cobertura política quanto no jornalismo esportivo, o contato do jornalista com as fontes deve ser acompanhado de desconfiança para que os interesses por trás da divulgação não passem em branco. Mesmo assim, manter a honestidade é essencial para que essa relação seja duradoura.

"Gosto de me identificar para que a fonte saiba que sou jornalista. Isso é fundamental para a pessoa confiar em mim", afirma Vladimir Netto, repórter da TV Globo. Nos últimos meses, ele esteve imerso na cobertura da Operação Lava Jato em Curitiba e Brasília.

Com a experiência na cobertura da política nacional, Vladimir afirma que, mesmo criticando algumas de suas fontes, consegue ser respeitado por elas. Segundo ele, porque não "quer inventar um personagem".
Foto: Alice Vergueiro
É muito comum, no entanto, que as relações profissionais sejam levadas para o plano pessoal, criando certa confusão​. Por isso, a repórter da ESPN Gabriela Moreira deixa claro para as suas fontes que não é amiga delas, mas sim uma jornalista atrás de informações. Procura evitar, ​dessa forma, qualquer mal entendido ou frustração.

Por ser mulher e trabalhar na cobertura esportiva, um ambiente dominado por homens, Gabriela conta ter dificuldades nesse quesito por sofrer assédio constantemente, seja por parte de entrevistados, fontes ou torcedores, o que a leva a adotar uma atitude defensiva. Ela afirmou ter desistido de apurar certas reportagens por causa das atitudes das fontes, que aparecem com convites para saídas ou jantares.

De qualquer modo, o primeiro contato com alguém precede muita preparação. "Suas perguntas têm que ser inteligentes", explica Vladimir. Algumas fontes estão sendo procuradas por diversos repórteres. Mostrar a elas que você está bem informado é um meio de se destacar na multidão e se mostrar como um profissional capacitado.

Outra dica é fazer um estudo "psicológico" da fonte. Saber, por exemplo, se ela é uma pessoa que gosta de se expor ou se é mais reservada. A troca de informações entre repórter e entrevistado também pode ser interessante, fazendo com que o outro tenha uma visão privilegiada de determinado assunto.

Os manuais de redação falam de quatro tipos de fontes, que se dividem entre aquelas não-humanas e 100% confiáveis, como as enciclopédias, até às que podem ser interessantes para uma apuração inicial, mas que possuem interesses claros na divulgação de uma informação.

"Coleciono alguns processos, mas não perdi nenhum ainda. Gravo até tentativas de ligação", diz a repórter da ESPN. A desconfiança, assim, deve estar sempre presente, mas não deve vir acompanhada de uma postura agressiva. Após a publicação, retornar à pessoa para agradecer a disponibilidade é uma forma de alongar o contato e de se fazer presente.​


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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