24/06/2016

Compartilhamento de notícias aumenta importância por checagem de informações

Por Ariane Costa Gomes


Diante da divulgação cada vez maior de notícias, a checagem de informações torna-se cada vez mais necessária para os profissionais da imprensa e leitores.

Conhecido como fact-checking, o método que está se popularizando no Brasil e na América Latina foi discutido no painel "Checagem: como um fundamento da reportagem ganhou protagonismo", realizado nesta sexta-feira (24) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Mediado pelo jornalista Guilherme Amado, de O Globo, o painel contou com a participação de Cristina Tardáguila, diretora da Agência Lupa, Tai Nalon, co-fundadora e diretora da plataforma Aos Fatos e Matías Di Santi, jornalista fundador do Chequeado, primeiro site de fact-checking da América Latina.
Foto: Alice Vergueiro
O fact-checking é um método jornalístico que verifica, entre outros temas, discursos de políticos, informações judiciais e econômicas. Matías Di Santi apontou alguns aspectos que contribuíram para o crescimento do método na América Latina e no mundo. Segundo Di Santi, o contexto de polarização e saturação das informações torna o método necessário para distinguir o que é falso é o que é verdadeiro. Estabelece ainda um novo contrato de leitura por meio da relação do público com o jornalista.

É uma forma que fornece mais informações e verifica o discurso com o objetivo de melhorar o debate público. "A abertura de dados contribui para formar cidadãos críticos" afirma Di Santi. A forma como o jornalista-checador utiliza infográficos, links, imagens e vídeos permite que o leitor possa compreender um tema complexo de forma simples.

Para Tai Nalon, o jornalismo precisa ser incisivo e o fact-checking é uma forma dinâmica de fazer jornalismo de investigação. "Você consegue falar do assunto de forma rápida, objetiva, dar uma embalagem de objetividade que prende a atenção do leitor. Você consegue empacotar um produto jornalístico de forma inovadora sem grandes mistérios", disse.

Cristina Tardáguila, da Agência Lupa, primeira agência de fact-checking do Brasil, comentou sobre o processo de escolha da declaração a ser checada. É avaliado os critérios de relevância de "quem fala?", "o que fala?" (abrangência do tema) e "que barulho faz?" (quanto o assunto desperta a atenção e curiosidade do público).

Ao selecionar a declaração, é preciso identificar se ela é checável ou não. Se a frase for composta por opinião, conceitos ou indicação de tendências futuras, segundo a diretora da Lupa, não pode ser checada. "Só dá para checar o passado ou o presente", diz.  Ainda segundo Cristina, "é possível checar dados históricos, estatísticas, coisas que são comparadas e pontos de legalidade".

A checagem da informação requer alguns requisitos, segundo os jornalistas: é necessário ler muito sobre o assunto, buscar dados oficiais, assessorias de imprensa, utilizar a Lei de Acesso à Informação, ir a campo, ouvir o outro lado, falar com especialistas. E, quando houver, reparar o erro. "Acho que o grande diferencial do fact-checking é que se você errar, será necessário corrigir na mesma proporção. Na verdade, até mais", contou Cristina.

PARA FAZER CHECAGENS

Tai Nalon e Matías Di Santi deram dicas para trabalhar com fact-checking. "É preciso se informar sobre as fórmulas e procedimentos dos sites de fact-checking. São procedimentos jornalísticos que qualquer repórter deveria dominar, que é saber o que é relevante, se a pessoa que disse aquilo é relevante e se o contexto onde foi dito é relevante", afirma Tai. Depois, é preciso verificar se é possível checar ou não a afirmação, utilizando pesquisas em sites noticiosos ou banco de dados.

Di Santi afirma que é fundamental buscar informações em diferentes meios, conhecer o posicionamento dos políticos e ser autocrítico. "Não basta mostrar o documento e a prova da checagem, mas também abrir o documento de modo que o leitor possa ver e ter acesso à informação".


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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