24/06/2016

Jornalismo em quadrinhos é memória oral e subjetiva

Por Phillippe Watanabe


"É impossível que um sobrevivente da bomba atômica tenha um depoimento objetivo sobre Hiroshima. Mas é impossível que o depoimento dele não seja o melhor sobre Hiroshima". Com esse exemplo, André Conti buscou distanciar o jornalismo em quadrinhos -- para alguns, Novo Jornalismo --da busca constante pela verdade factual.

Foto: Alice Vergueiro
O painel "Jornalismo em quadrinhos" ocorreu na manhã desta sexta (24) durante o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. 

Além de Conti, editor de jornalismo da Companhia das Letras, também estava presente o jornalista Robson Vilalba, da Gazeta do Povo. A mediação ficou por conta Piero Locatelli, do Repórter Brasil

Numa tarde fria e chuvosa de Curitiba, uma mulher com luvas de boxe erguia os punhos e falava: "Eu luto pela educação". Ao presenciar essa cena, Vilalba decidiu investir na ideia de contar histórias a partir de imagens. 

O jornalista da Gazeta do Povo, responsável pelas reportagens em quadrinhos do veículo, também acredita no potencial narrativo do "campo do sensível", mas defende a realização de uma apuração meticulosa.  

A pesquisa para quadrinhos, segundo Vilalba, é até mais profunda em alguns casos, por conta da preocupação com ambientação, roupas e outros detalhes.

A possibilidade de escancarar os bastidores da reportagem, inclusive possíveis deficiências de apuração e percepção, é outro trunfo do jornalismo em quadrinhos. Joe Sacco, autor de "Palestina", foi incansavelmente citado como referência no assunto.

"Quando você não tenta disfarçar os problemas, as qualidades do seu trabalho afloram", afirmou Conti.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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