25/06/2016

Com apurações autônomas, reportagens anteciparam desdobramentos da Lava Jato

Por Luan Ernesto Duarte

Repórteres envolvidos na cobertura da Operação Lava Jato, Filipe Coutinho (Época), Flavio Ferreira (Folha de S.Paulo) e Thiago Prado (Veja) mostraram no 11° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo exemplos de reportagem que fugiram do lugar-comum na cobertura do maior escândalo de corrupção já investigado no Brasil. 

Com apurações autônomas, os trabalhos se anteciparam a desdobramentos da investigação. 

O trabalho de Filipe mostrou que o ex-presidente Lula e sua família viajaram pelo menos 111 vezes ao sítio em Atibaia cuja propriedade é atribuída ao político. Durante a apuração, ele mapeou os dados a partir das diárias de sete servidores que integram a equipe de segurança do ex-presidente. Por meio do Portal da Transparência, ele constatou que um grande número das viagens foi a Atibaia.

"Eu usei o Portal da Transparência para ver os gastos diretos do governo e fazer um levantamento consistente das diárias e passagens feitas pelos seguranças", explica Filipe. O repórter afirma que o Evernote e o Excel foram ferramentas importantes na apuração.


Foto: Alice Vergueiro
Flavio Ferreira, repórter do jornal Folha de S.Paulo, revelou que a Odebrecht bancou a reforma do sítio em Atibaia. Sobre o trabalho, Flavio ressaltou a importância do pesquisa de campo, além da produção de documentos pela força-tarefa da Lava Jato.

A reportagem revelou que a construtora forneceu 15 de seus funcionários, mais um engenheiro, que ficaram responsáveis por trabalhar no local. "Achei que seria interessante seguir em frente com essa matéria porque se tratava de um grande personagem. Cheguei a pensar se o Lula teria, de fato, envolvimento na Lava Jato", explica.

Flávio contou ter ficado vários dias na região do sítio, em Atibaia, fazendo amizades e conversando com as pessoas para apurar a reportagem. "Tive que ir tomar café numa padaria para conversar com o gerente e pegar a confiança dele", comenta Flavio sobre a fonte que confirmou a presença constante da mulher de Lula na cidade.

Thiago Prado, repórter da Veja, foi o autor da reportagem intitulada "Conexão Uruguai", que revelou a compra de um apartamento de R$ 7,5 milhões por Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da Petrobras. A negociação foi omitida da declaração de renda de Cerveró, que morou no imóvel por cinco anos. 

A apuração de Thiago começou a partir de informações repassadas por uma pessoa que tinha desavenças com Cerveró. O repórter conta que confirmou a informação após acessar documentos do ex-dirigente da Petrobras pelo sistema cartorial brasileiro. 


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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