28/06/2019

Jornalistas correm riscos constantes ao investigar casos de corrupção

Os bastidores de reportagens policiais são retratados em documentário

Por Joyce Moura
Edição Pâmela Ellen

Gonzalo Lamela (Ecocinema) Foto: Joyce Moura 
Ameaças, perseguição e terror psicológico são perigos constantes no jornalismo investigativo. Mauri König, professor da Uninter, afirma que “quem é jornalista está sempre exposto ao risco, na medida em que está expondo pessoas”.

A série documental My Pen Is My Gun, produzida pela Ecocinema e Transparência Internacional, terá seis capítulos retratando jornalistas que investigaram casos de corrupção. A primeira parte será sobre a investigação de Mauri König, nomeada The Thinnest Border, envolvendo a cúpula civil e militar do Paraná. O objetivo é “retratar o simbolismo do país que tem a maior fronteira do continente”, como diz Gonzalo Lamela, produtor do conteúdo, e o lançamento está previsto para outubro.




A corrupção interna apresentada no documentário ocorre em Foz do Iguaçu, bem na tríplice fronteira, onde o estado se encontra com Paraguai e Argentina. As estradas e o rio paraná facilitam o contrabando entre os países, muitos desses, envolvendo oficiais da lei. Lavagem, desvio de dinheiro, obras inacabadas e delegacias fantasmas também fazem parte da investigação do caso.

Os perigos físicos que os jornalistas estão sujeitos ao realizar uma reportagem desse nível estão explícitos no teaser do documentário, exibido em primeira mão durante a palestra. König explica que a violência ocorre tanto por parte de policiais, quanto de criminosos. Desde o equipamento até a simples anotação em um caderno poderia levantar suspeitas. Ainda assim, o repórter diz que “a gente não escolhe a profissão sabendo os riscos [...] temos que aprender a lidar e driblar esses riscos”.

A família de um jornalista, no entanto, não escolhe se envolver nesses perigos. “Eu estava disposto a pagar qualquer risco pelo meu trabalho, mas meus filhos não, ninguém da minha família”, conta Mauri König. Por esse motivo, aconselha que em alguns casos o melhor a se fazer é buscar o apoio dos colegas de profissão, seja montando uma equipe para fazer a reportagem, ou até mesmo repassar a pauta para outro colega. O importante é não abandonar o assunto, pois para o jornalista “se nós desistirmos, o outro vence”.

Segundo Konig, o jornalismo de qualidade não vai morrer nunca. Isso se confirma quando uma das participantes da palestra conta sobre a corrupção e o jogo de poder presente na sua cidade natal, Coari Amazonas (AM). Por querer perseguir essas histórias, ela acaba correndo riscos. “Essa palestra contribuiu para o meu próprio aprendizado no jornalismo investigativo e agora irei compartilhar com os outros colegas que não puderam estar aqui hoje”, diz Islânia Lima.

O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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