Por Matheus Menezes
Edição Pâmela Ellen
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| Fernanda Mena (Folha de S.Paulo) Foto: Alice Vergueiro / Abraji |
“Por mais que para nós esse tipo de ação seja deplorável, para alguns grupos sociais isso é uma coisa a ser enaltecida”, expõe a repórter Fernanda Mena, da Folha de S. Paulo, especializada nesse tipo de cobertura. Junto a ela, a repórter Maria Carolina Trevisan, colunista do UOL, refletiu sobre a responsabilidade social do jornalista.
Outro efeito encontrado nesse tipo de crime, segundo as jornalistas, é o contágio, no qual a probabilidade de ocorrência de outro ataque do mesmo tipo é muito maior nas semanas seguintes ao fato. Os pesquisadores que elaboraram os estudos encontraram uma correlação entre esses fenômenos e a abordagem da mídia. “Existe uma cultura de celebrização. Como esses caras ficam sabendo de detalhes? Principalmente pela mídia”, afirma Mena.
Além de Suzano, outro exemplo é o Massacre em Christchurch, na Nova Zelândia, em que o assassino fez uma transmissão ao vivo no Facebook de todo o ocorrido. Mena explica que “havia uma intenção clara de publicizar. Ele tinha um plano de mídia para que a mensagem de ódio chegasse a mais pessoas. E a mídia saiu publicando, divulgando as mensagens de ódio”.
O sensacionalismo que rege parte da cobertura nacional é responsável pela divulgação exaustiva da imagem dos criminosos. Geralmente, essas pessoas tem um perfil jovem. “Meter a câmera na cara de um adolescente é errado. Nós, como jornalistas, temos que cuidar desses personagens. Não se deve sempre criminalizar a memória desses adolescentes”, atesta a jornalista Maria Carolina Trevisan.
Para entender as razões que propiciam a incidência de massacres como o de Suzano, as jornalistas acreditam que é preciso analisar as políticas públicas. Trevisan defende uma aplicação mais zelosa que leve em consideração a vulnerabilidade social dos jovens. “São pessoas geralmente com algum problema dentro da escola, com uma solidão profunda. A rede de proteção do adolescente falhou em algum momento”, conclui.
Sobre abordagem que o jornalista pode adotar para tratar desse assunto com sensibilidade, Fernanda Mena sugere: “A maior proteção do repórter em uma situação como essa é a verdade”. E Trevisan complementa: “Notícia não é espetáculo”.
O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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