28/06/2018

Influência das fake news é real, mas pode ser combatida

Jason Reifler defende checagem de afirmações enganosas de candidatos nas redes sociais e cobra responsabilidade por parte das autoridades

Por Caroline Oliveira

Jason Reifler, da Universidade de Exeter, fala sobre fake news e eleições. Foto: Alice Vergueiro.
A ampla repercussão das chamadas fake news (notícias falsas) nas eleições presidenciais dos Estados Unidos não permite aferir que o fenômeno influenciou o voto dos eleitores norte-americanos. A conclusão é de um estudo feito pelo cientista político Jason Reifler, da Universidade de Exeter, no Reino Unido.



As notícias falsas “podem ter produzido efeitos deletérios”. “Contudo, não há provas de que produziram diretamente mudanças eleitorais”, afirma Reifler.

A pesquisa identificou 289 sites que propagaram notícias falsas durante a eleição de 2016 dos EUA. Segundo o levantamento, cerca de 25% dos norte-americanos visitaram um site de notícias falsas durante o período. Destes, 40% são apoiadores de Trump. Os dados também indicam que nenhuma pessoa que acessou uma fake news consultou um site de checagem de fatos.

O pesquisador mostrou que a maioria das pessoas que teve acesso a essas notícias não mudou o seu voto. Isso porque as informações incorretas estão relacionadas à ideologia política. “Aquele que consome muita notícia sobre política só escolhe se expor às notícias falsas porque correspondem ao seu posicionamento ideológico”, diz o especialista.

Reifler, no entanto, reconhece o poder das fake news. Ele entende que o consumo desse tipo de conteúdo influencia a decisão de votar ou não (não necessariamente como as pessoas votam). Outra consequência é a mudança de percepção do público sobre a política.

Para ele, a solução passa por limitar as notícias falsas e responsabilizar políticos que propagam esse tipo de informação. Reifler incentivou a expansão de projetos brasileiros especializados em verificação de fatos, como as agências Lupa e Pública. “Avaliar o que os políticos dizem pode se espalhar a outras formas de jornalismo.”


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