28/06/2018

Influência de grandes empresas na construção de políticas públicas

Com mediação de Alana Rizzo, jornalistas João Peres e Leonardo Cavalcanti falaram sobre a cobertura empresarial e a prática do lobby no Brasil

Por Bianca Ribeiro e Tchérena
Trio de veteranos debateu com o público a cobertura jornalística de empresas e a prática do lobby | Foto: Alice Vergueiro
A pressão de agentes privados, como empresas e organizações, pode interferir diretamente na criação, modificação ou extinção de uma política pública. É isso que afirmam os jornalistas João Peres e Leonardo Cavalcanti, veteranos na produção de reportagens sobre lobby.

Um dos fundadores da página O Joio e O Trigo, Peres falou de sua experiência na cobertura do lobby científico com foco em políticas alimentares. O jornalista apresentou dados sobre doenças, sobrepeso e obesidade, tabaco e outras questões de saúde pública, mencionando estudos científicos que foram “guiados” por interesses de agentes privados. “Há uma convergência muito grande entre os interesses da Indústria e os institutos de pesquisa, a área acadêmica”, comentou.

Peres conta que usa a Lei de Acesso à Informação (LAI) para suas reportagens e que identificou quem seriam os lobistas por meio de entrevistas com organizações especializadas no tema. Dentre as principais dificuldades, ele cita o fato de O Joio e o Trigo ser um veículo novo e pequeno, a dependência do mundo digital e a novidade do tema.

Já Leonardo Cavalcanti, editor de política do Correio Braziliense, estuda o lobby na indústria de armamentos leves. “Chamados de ‘mercadores da morte’, os grandes lobistas de armas são militares da reserva e policiais militares aposentados”, conta. O jornalista também apresentou dicas para quem quer cobrir o tema, criticou a proposta do Estatuto do Desarmamento em tramitação no Congresso e concluiu que “faltam dados mais efetivos” sobre a área.

Os jornalistas também mencionaram as dificuldades na cobertura de lobby que possivelmente surgirão com as novas regras de financiamento de campanha eleitoral. Segundo Leonardo, com a proibição de doações de empresas para candidatos, não será mais possível fazer consultas por CNPJ. Com isso, será preciso identificar dentre as pessoas físicas aquelas envolvidas com agentes privados.

Ambos os palestrantes apontam a importância da regulamentação e fiscalização do lobby no Brasil. “É preciso regulamentar. No caso das armas, saberíamos quem são os lobistas, quais são os interesses por trás disso, o que está em jogo”, conta Cavalcanti.

O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald´s, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde a 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji. 

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