30/06/2018

Ferramentas facilitam coleta e leitura de dados públicos

Plataformas cruzam informações e auxiliam na interpretação de dados complexos para reportagens

Por Dominique Tuane
Haydee Svab(ASK-AR) conduziu o painel ao lado de Leonardo Medeiros(Conectas), Otávio de Castro Neves(Portal Transparência) e Claudio Abramo(Transparência Brasil) l Foto: Alice Vergueiro
O sistema carcerário é uma das principais fontes de violação dos Direitos Humanos no Brasil. Foi com esse alerta que o jornalista Leonardo Medeiros, da ONG Conectas, abriu a mesa “Dados públicos à mão: ferramentas online para jornalistas”, que aconteceu na manhã deste sábado, 30, durante o 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.


Além dele, discutiram o tema a fundadora da ASK-AR, Haydee Svab, o desenvolvedor de software Álvaro Justen, o gestor do Portal da Transparência (Governo Federal), Otávio de Castro Neves, e o diretor executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo.

Medeiros apresentou a plataforma Carcerópolis, que compila informações do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen). O objetivo é facilitar o acesso aos dados penitenciários do Brasil. 
“Nós criamos o Carcerópolis pensando principalmente nas dificuldades que muitos colegas jornalistas tinham em receber e entender os conteúdos do Infopen”, disse.

O projeto foi criado em parceria com a ASK-AR, uma consultoria de análise de dados. Haydee Svab, fundadora da empresa, destacou a coleta de informações como uma das grandes dificuldades. “Outro desafio é limpar e tornar esses dados mais palatáveis”, acrescentou. O site apresenta, com ilustrações e infográficos, os números do sistema carcerário brasileiro.

Na plataforma, também ganham destaque informações pouco exploradas no Infopen. Um exemplo citado por Haydee – e pouco observado – é que, mesmo com uma população prisional composta majoritariamente por homens, o número que mais cresce entre os presos é o de mulheres, especificamente jovens e negras.

Sigilo e facilidade com dados
Para o desenvolvedor Álvaro Justen, da Escola de Dados, uma das barreiras é se deparar com informações de caráter sigiloso. Ainda segundo ele, nem todos os órgãos públicos disponibilizam histórico de dados. “E quando deletam algum, não comunicam ao público”.

Uma pesquisa do Google News Lab, publicada em setembro de 2017, dimensiona o uso de dados por jornalistas. De acordo com o levantamento, 42% dos profissionais utilizam esse recurso para contar histórias regularmente. 

Feito com mais de 900 jornalistas dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França, o estudo também mostra que 51% das empresas nos EUA e na Europa têm em seu quadro de funcionários profissionais dedicados à apuração de dados. Ainda não há levantamento semelhante realizado no Brasil.

O jornalista e diretor da ONG Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, falou sobre a importância do uso de dados para a fiscalização do poder público. 
Ele apresentou, entre outras plataformas, o Datascópio, que reúne informações sobre o Congresso Nacional, o financiamento eleitoral e as execuções orçamentárias, além de possibilitar o monitoramento das atividades da Petrobrás, maior estatal brasileira.

O painel foi encerrado por Otávio Moreira de Castro Neves, da Controladoria-Geral da União (CGU). Ele apresentou novos recursos no Portal da Transparência, do Governo Federal. Uma delas é a compilação de informações sobre licitações e contratos em uma só plataforma, recurso até então indisponível.

O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Nenhum comentário:

Postar um comentário