28/06/2018

Ferramentas digitais dão apoio à checagem online de fatos e conteúdos duvidosos

Projeto do Google News Lab permite verificar adulteração de imagens por meio de consulta a base de dados

Por Natália Novais

Marco Túlio Pires , do Google News Lab, fala sobre plataforma sobre verificação de imagens adulteradas. Foto: Alice Vergueiro.
A apuração de notícias duvidosas requer cada vez mais preparo por parte de jornalistas envolvidos em grandes coberturas, sobretudo na área de política. O jornalista Marco Túlio Pires entende que é preciso evitar o uso generalizado do termo fake news (notícias falsas) para nomear todo conteúdo mentiroso espalhado na rede.


O representante do Google News Lab no Brasil diz que muitos se apropriam da palavra e que a expressão caiu no discurso comum. “Diversas organizações e políticos estão utilizando o termo [fake news] para deslegitimar inclusive o trabalho de jornalistas”.

Para ajudar os profissionais de comunicação a enfrentar esse cenário, o jornalista realizou nesta quinta-feira uma oficina sobre as melhores práticas em checagem de notícias e conteúdo online.

Túlio Pires afirmou que é preciso filtrar as informações antes de classificar um conteúdo como fake news. “Precisamos analisar o que está sendo veiculado, onde está o erro, se é na imagem, se está desatualizada. Às vezes se trata apenas de um erro comum do jornalismo diário.”

No caso de adulteração de imagens e vídeos, o jornalista citou um novo serviço do Google, ainda em desenvolvimento, chamado “busca reversa”. A ferramenta envolve a recuperação fidedigna de imagens a partir de uma consulta feita com base em cores, formas e texturas do conteúdo. “Quando você faz uma busca reversa de imagem os resultados podem incluir imagens semelhantes, sites que as incluem ou ainda a mesma imagem em diferentes tamanhos.”

Túlio Pires recomendou ainda o site Who Is, que permite mapear o domínio de endereços eletrônicos para verificar a origem de um determinado conteúdo.

“É muito importante saber a quem pertence o site em que a notícia foi divulgada. Em época de eleições, por exemplo, é comum que alguns sites, mesmo que com nomes diferentes divulguem a mesma informação para desqualificar um candidato. Com a ferramenta, você consegue mapear e descobrir quem são os atores envolvidos nisso.”


O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald´s, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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