28/06/2018

“Para ser lida, antes sua matéria precisa ser encontrada”, diz a jornalista Barbara Zamberlan

Entender de fato como funciona o Google é a saída para não deixar a audiência das redes sociais

Por Maria Vitória Ramos e Natália Mota
Barbara Zamberlan falou sobre estratégias digitais e mecânicas de busca e publicidade na internet | Foto: Alice Vergueiro
Desde que Mark Zuckerberg mudou o algoritmo do Facebook, veículos e personalidades da rede batalham desesperadamente para conseguir retomar, mesmo que frações, da audiência perdida. Durante o 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, na mesa “Como fazer seu conteúdo chegar ao público sem depender das redes sociais”, Barbara Zamberlan convoca os jornalistas: “parem de fazer a Gina!”.



De forma humorada, em referência ao meme Gina Desentendida, a fundadora da revista Donna diz que os jornalistas já não podem mais separar conteúdo de tecnologia, como se fossem dois departamentos distintos. “Você não necessariamente precisa saber fazer, mas precisa saber cobrar”. Coisas simples, como números na URL, podem atrapalhar muito a busca por audiência e quando apontadas, podem ser facilmente resolvidas pelas equipes de tecnologia.

"Eu percebo que os jornalistas têm muito ranço de SEO”, afirma em referência ao conjunto de técnicas de otimização para sites reunidas sob o título “Search Engine Optimization” (Otimização para mecanismos de busca). Barbara atribui essa má-vontade com a ferramenta a problemas passados.
“O algoritmo já se desenvolveu muito, já dá pra gente 'ficar de bem' com o Google de novo", afirma.

Dos quatro pilares do SEO - conteúdo, tecnologia, popularidade e experiência - o conteúdo é o único que está totalmente nas mãos do jornalista, e cabe a ele buscar os assuntos e formatos mais adequados que atendem o que o público busca. Barbara frisa a importância de entregar o conteúdo
que o público quer, e não a estética que mais agrada ao jornalista. A popularidade está relacionada com a quantidade de referências externas que a reportagem recebe. E a arquitetura do site define se o leitor terá uma experiência positiva ou negativa.

Para usar o SEO para melhorar o desempenho da audiência, o primeiro passo é entender como funciona a indexação do Google. Nos milésimos de segundo em que uma pesquisa é feita, mais
de 200 fatores estão sendo analisados para definir como a sua reportagem será ranqueada na pesquisa do Google.


Paralisação ou greve?

A principal ferramenta apresentada por Bárbara é o Google Trends, onde é possível comparar o desempenho de diferentes termos e definir qual é o mais popular. Em muitos casos, a diferença é discrepante. Por exemplo, durante a cobertura da protesto dos caminhoneiros uma matéria que utilizou a palavra “greve” no lugar de “paralisação”, teve uma audiência dez vezes maior.

 
Simulação de comparativo de termos no Google Trends | Divulgação

O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde a 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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