28/06/2018

Uso de jornalismo de dados em reportagens é destaque em grandes veículos de comunicação

Redações ainda carecem de jornalistas capacitados para utilizar a tecnologia

Por Pamela Vespoli


Fabio Takahashi (Folha), Bruno Paes Manso e Thiago Reis (G1) falaram sobre uso de dados | Foto: Alice Vergueiro
O jornalismo de dados é uma das mais novas e promissoras tecnologias para jornalistas, mas ainda são poucos os profissionais qualificados o bastante para desenvolver projetos na área.

No caso de Fabio Takahashi, foram mais de três meses de pesquisa e apuração para construir a matéria “Estudo inédito indica alta chance de fraude em mil provas do ENEM”, publicada em abril deste ano na 'Folha de S.Paulo'.

O jornalista precisou buscar referências para aprender a linguagem de dados, antes de produzir a reportagem. Ele aproveitou dicas de outros profissionais, inclusive do exterior. “Tem que ralar muito em programação. É um caminho do jornalismo novo e pouca gente sabe fazer bem.”

Takahashi falou sobre o projeto em palestra realizada nesta quinta-feira no primeiro dia do 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Outra referência atual do uso de jornalismo de dados são as reportagens feitas pela equipe do portal G1 em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência, da Universidade de São Paulo. O chamado projeto Monitor da Violência foi apresentado pelos jornalistas Bruno Paes Manso e Thiago Reis (G1).

Segundo Paes Manso, o uso cada vez maior do jornalismo de dados tende a gerar iniciativas semelhantes nas redações. “[O jornalismo de dados] é uma coisa que vai aos poucos ganhando um valor na própria empresa”, afirma. “É um desafio. Você tem que escolher uma questão relevante. Tem que fazer sentido para eles [os editores].”

Apesar das dificuldades impostas pela nova tecnologia, há pessoas interessadas em apoiar o jornalismo de dados. “Tem muita gente querendo financiar projeto de jornalismo de dados, porque estamos indo para outros patamares, outros campos”, afirma Takahashi.

O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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