29/06/2018

Uso do telefone em pesquisas eleitorais causa divergências entre especialistas

IBOPE e Datafolha defendem abordagem presencial, DataPoder discorda

Por Luana Nunes

Mauro Paulino(Datafolha) compôs a mesa, que também contou com Marcia Cavallari(IBOPE) e Fernando Rodrigues(Poder 360) l Foto: Alice Vergueiro.
Especialistas em pesquisas eleitorais divergem sobre o método utilizado para captar a intenção de voto da população. Marcia Cavallari, do IBOPE, e Mauro Paulino, do Instituto Datafolha, defenderam a realização de entrevistas pessoalmente. Já Fernando Rodrigues, do site Poder360, afirmou que o uso de telefone é tão eficaz quanto.



Para Cavallari e Paulino na forma presencial se garante uma amostra do eleitorado mais representativa e com menor risco de erro, embora o custo seja mais alto. Segundo a diretora do Ibope, face a face é o único método que não exclui ninguém e garante uma chance de ouvir todos os eleitores.

De acordo com Rodrigues, a pesquisa por telefone já foi amplamente testada e é o método utilizado para medir intenções de voto nos Estados Unidos. A pesquisa feita pelo Data Poder360 utiliza ligações robotizadas para aplicar o questionário, dividido em etapas.

O custo da pesquisa por telefone é menos da metade do valor de uma feita presencialmente. Segundo os diretores do Datafolha e Ibope, para ouvir dois mil entrevistados pelo Brasil os institutos cobram cerca de R$ 270  mil. A mesma amostragem por telefone custa aproximadamente R$ 70 mil, segundo Rodrigues.

Paulino e Cavallari afirmaram que, por telefone, o eleitor ouvido é aquele mais engajado. Cavallari disse ainda que o que o Poder 360 faz é uma enquete e não uma pesquisa, pois os eleitores decidem se vão ou não participar.

Rodrigues ponderou que também há erros que não aparecem na pesquisa face a face, usando como exemplo a escolha de um pesquisador em abordar ou não uma determinada pessoa.

Segundo o jornalista, não importa a metodologia, desde que seja detalhada para o eleitor saber qual o viés daquela amostragem. Ele informou que a pesquisa feita pelo Poder 360 fez 684 mil ligações para conseguir uma amostragem com dez mil eleitores.

Apesar de divergirem sobre o método, os debatedores concordam que a pesquisa é um retrato de um momento e não deve ser lida como uma previsão. “A pesquisa não é infalível”, disse Cavallari.

Rodrigues defendeu que os veículos divulguem todas as pesquisas, uma vez que são uma realidade e influenciam o cenário eleitoral. Segundo ele, quanto mais pesquisas, melhor para a população.

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