29/06/2018

Jornalismo multidisciplinar traz novas perspectivas para o engajamento virtual

Em mesa com duas grandes reportagens sobre jornalismo de dados, editoras mostram que equipe diversa ajuda em bons resultados

Por Hanna Oliveira



Ana Magalhães (Repórter Brasil) e Katia Brembatti (Gazeta do Povo) conduziram a mesa. Foto: Alice Vergueiro.
Ruralômetro’ é um termômetro virtual que demonstra a ‘febre’ de deputados Federais que votaram em projetos ruralistas com impactos ambientais negativos. A ferramenta infográfica foi construída em uma reportagem liderada pela jornalista Ana Magalhães da ONG Repórter Brasil, em janeiro desse ano. Cerca de 80 veículos e sites repercutiram a produção, com mais de 50 mil acessos nos dois primeiros meses de publicação.

A mesa ‘Como transformar dados em reportagens de engajamento’, no 13° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo trouxe essa e outras experiências como exemplos de engajamento utilizando as novas mídias.
Do mesmo modo, a reportagem ‘Piso Salarial dos professores do Paraná’ foi acessada por mais de 70 mil pessoas apenas no mês de janeiro.

Liderada pela jornalista Katia Brembatti do jornal Gazeta do Povoa matéria trata dos pagamentos salariais aos professores do Paraná. A produção interativa tornou-se referência para trabalhadores daquele estado que podiam consultar on-line informações sobre seus salários.

Diversos veículos regionais do Paraná replicaram o texto. A Agência Mural tentou aplicar o modelo na cidade de São Paulo e conseguiu mostrar as dificuldades encontradas no acesso aos dados públicos. Completando o saldo positivo, o Banco Mundial usou as informações apuradas pelos jornalistas paranaenses.

Jornalismo multidisciplinar

Para desenvolver o ‘Ruralômetro’, Ana contou com a colaboração de uma equipe de pelo menos 13 profissionais de diferentes disciplinas. Até uma matemática auxiliou na produção da fórmula que indicaria as temperaturas dos deputados analisados.


Além disso, precisaram ter uma preocupação a mais com tópicos pouco usuais nas redações tradicionais de jornalismo: experiência do usuário que navegaria pela matéria com o apoio de uma dupla de designers.

Com Kátia não foi diferente. Ela mobilizou uma equipe de oito pessoas nesse processo, dentre eles, alunos da Universidade Positivo do Paraná. Designers também pensaram na experiência dos usuários que navegaram pela reportagem. A infografia ganha peso e passa a ser fator importante para traduzir informações aos leitores.

As jornalistas também falaram sobre as dificuldades na coleta de informações públicas. De um lado, Ana relatou o desafio em escolher as votações que embasariam os estudos – todas precisavam ser nominais – isso porque a maioria das votações foram realizadas no anonimato. Já Katia traduziu a dificuldade de se trabalhar com dados públicos no Brasil: “as informações não são padronizadas, não são fáceis de achar, não são atualizadas. Quanto menor a prefeitura pior a situação. É bem difícil”.

Outras perspectivas e um jornalismo colaborativo

Na contramão do “espreme que sai sangue” a jornalista do Gazeta do Povo quis enfatizar também a importância da produção de pautas que trazem uma solução pelo exemplo e não apenas uma denúncia. “Eu apostei mais na solução do que no problema. Acredito muito mais nisso.”

Segundo a jornalista do Repórter Brasil, “instituições menores são mais ágeis, mais livres, rápidas e com liberdade editorial para fazer projetos ousados”. Aos jornalistas que querem se aventurar numa empreitada como essa em uma grande redação, Katia deixa a dica:  “faça uma pré-apuração, construa uma proposta bem clara que você consiga em uma frase dizer qual é e como ela será executada”.

O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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