28/06/2018

Projeto Tim Lopes expõe riscos e desafios da investigação de crimes contra jornalistas

Coordenadores do programa da Abraji revelam bastidores da apuração do assassinato de radialista em Goiás

Por Aline Barbosa





 Marcelo Beraba faz resumo da trajetória do jornalista Tim Lopes, morto em 2002 | Foto: Alice Vergueiro

A iniciativa da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) de investigar o assassinato do radialista Jefferson Pureza mostra o perigo que jornalistas enfrentam ao cobrir casos de violência contra profissionais de comunicação. Jefferson foi morto em casa com três tiros no rosto, em janeiro deste ano, em Edealina, Goiás.



A coordenadora do Projeto Tim Lopes, Angelina Nunes, disse que precisou tomar medidas de segurança durante o trabalho de investigação do crime na cidade de Edealina. A jornalista foi a campo junto com outro integrante da Abraji na tentativa de obter mais informações sobre o caso.

Em palestra realizada nesta quinta-feira no 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, ela contou que teve de limitar o tempo usado para fazer entrevistas. Angelina Nunes e o colega trabalharam apenas até as 17 horas de cada dia por questões de segurança.

Segundo a investigação da jornalista, a morte de Jefferson Pureza foi encomendada por um vereador da cidade. A apuração do Projeto Tim Lopes também aponta que moradores de Edealina sabem a identidade do mandante, mas sentem medo de passar informações à polícia.

O jornalista Marcelo Beraba, também presente na apresentação, fez um resumo da trajetória do jornalista Tim Lopes. O projeto leva o nome em homenagem ao profissional, que foi assassinado em 2002, no Rio de Janeiro. Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento foi morto após uma investigação nas favelas cariocas.

O programa, criado pela Abraji, tem por objetivo prevenir assassinatos de jornalistas por meio de ações em defesa da liberdade de expressão, como a cobertura de graves ameaças contra os profissionais.

"É um projeto importante, diferente e pioneiro dentro do país. É um projeto que tem que sensibilizar os donos do veículos, os diretores dos jornais,  das rádios, das TVs, para entenderem que a gente está cuidando de uma coisa maior, maior que a manchete do dia seguinte", afirmou Angelina.

O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald´s, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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