28/06/2018

Pluralidade nas redações é necessária para garantir espaço no mercado

Para diretora da Globo Condé Nast, Daniela Falcão, mudança nas redações é demanda do público

Por Pâmela Vespoli


Simone Cunha (Énois), Ancelmo Góis (O Globo) e Daniela Falcão (Globo Condé Nast) debatem sobre a importância da diversidade nas redações | Foto: Alice Vergueiro


A busca pela diversidade nas redações nem sempre têm a ver com o desejo da pluralidade de vozes, mas sim com demanda do público. A importância da autocritica sobre a produção e composição das redações de comunicação foi destacada na mesa 'O Desafio da Diversidade nas Redações e no Jornalismo', formada pelos palestrantes Ancelmo Góis (O Globo), Simone Cunha (Énois) e Daniela Falcão (Globo Condé Nast) e mediada por Daniel Brunet (O Globo).


A diretora de redação Daniela Falcão expôs que devido a quantidade de conteúdos diversificados na internet, o público não quer receber as mesmas dicas de lugares sugeridos pelos grandes veículos de comunicação. “O desejo pela diversidade está aí. Ninguém aguenta mais os guias que falam as mesmas coisas”, afirma.

Ao compreender esta nova necessidade, algumas redações passaram a buscar formas de reparar esta situação, tentando construir uma equipe mais heterogênea e inclusiva com LGBTs, negros, moradores da periferia, mulheres e outras pessoas que representem o público geral. Um dos exemplos citados por Ancelmo Góis foi a perda que o jornalismo sofreu diante de uma visão homogênea nas coberturas realizadas por jornalistas que não têm vivência local nas periferias do Rio de janeiro, o que empobrece a reportagem por a falta de um olhar interno e mais realista.

Góis aproveitou o gancho para citar também a falta de pessoas mais velhas nas redações. Jornalistas experientes que podem acrescentar e proporcionar valorosas trocas com as gerações mais novas dentro deste ambiente produtivo. É possível notar, então, segundo ele, que a falta de pluralidade não é apenas de gênero e etnias, mas também de faixa etária.

Mudança Gradativa

Segundo manual feito pela Énois, escola-laboratório de jornalismo digital, a garantia da diversidade no jornalismo pode ser alcançada por meio de uma construção distinta de pauta, público, equipe, chefia e também de fontes. Assim, Simone aponta que é possível fazer com que maiores grupos se identifiquem e sintam representados pelo conteúdo produzido nos veículos de comunicação.

“Dá pra esperar uma mudança dentro das redações, mas isso leva muito tempo”, afirma. Para a diretora de projetos da Énois, as parcerias com as periferias e os núcleos de redações podem ser a principal medida efetiva a curto prazo.

Esse é o caso da agência Mural, que produz matérias sobre as periferias de São Paulo com a ótica de um correspondente que mora na região. Por conta dessa cobertura, conseguiu construir parcerias e não só viabilizar o projeto, mas ampliar o alcance do conteúdo produzido. Um bom exemplo é a publicação de matérias no guia da Folha de S.Paulo.

O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji. 

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