29/06/2018

Repórteres contam como transformar dados em histórias multimídia sobre segurança pública

Os responsáveis pelas reportagens “A Guerra do Brasil” e “A Tropa dos Confrontos” discutem os limites da apuração e edição das suas matérias

Por Bianca Ribeiro
Gabriel Cariello e Marco Grillo (O Globo), Igor Mello e Fábio Teixeira conduziram a palestra | Foto: Alice Vergueiro
Mais de 786 mil pessoas foram assassinadas, no Brasil, entre 2001 e 2015, segundo o Datasus. Mas o que esses dados querem dizer? Foi o que Gabriel Cariello e Marco Grillo, jornalistas de O Globo, buscaram mostrar com a reportagem A Guerra do Brasil, apresentada em palestra sobre segurança pública em dados e narrativas multimídia no segundo dia do 13° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Em formato de vídeo animado com 14 minutos de duração, foram reunidos índices de mortalidade e taxas de homicídio no Brasil. Grillo conta que, para dimensionar o tamanho da violência no país, foram utilizados parâmetros de comparação. O jornalista citou o exemplo de que, no Brasil, se mata mais do que em países em situação de guerra, como Síria e Iraque.

A principal estratégia de edição de 'A guerra do Brasil' foi a utilização dos chamados “impactos sucessivos”, ao longo do vídeo. Foram aproximadamente seis meses de trabalho para a produção da reportagem, publicada em 2017 com legendas em inglês e espanhol.

Os jornalistas Igor Mello e Fábio Teixeira também cobrem o tema violência e segurança pública em formatos multimídia, mas sob recortes e perspectivas distintas. Eles são responsáveis pela reportagem A Tropa dos Confrontos, que revela que apenas 20 policiais militares do Rio de Janeiro estão envolvidos em mais de 356 homicídios, o mesmo que 10% das mortes em confrontos na cidade, entre 2010 e 2015.

Em 11 meses de investigação, Mello e Teixeira reuniram mais de 40 entrevistas - entre especialistas, parentes de vítimas, policiais e políticos - e milhares de documentos, áudios e vídeos, em especial relatórios de ocorrência envolvendo policiais. Os repórteres contam que, além disso, fizeram cruzamentos de dados manuais para o produto final da reportagem, devido à falta de informações completas nos documentos reunidos. “É de interesse da polícia subnotificar as ocorrências”, critica Teixeira.

Mesmo que os índices de violência no Brasil revelem um aumento expressivo de casos, a discussão sobre a frieza na cobertura do tema também foi pauta na palestra.  “A gente precisa humanizar essas histórias. Precisamos mostrar que não se trata apenas de um número, de um CPF”, finalizou Igor Mello.

O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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