Por: Thuany Gibertini e Nayani Real
Edição: Nayani Real
Jarvis comenta que a imprensa de seu país não sabe como lidar com o comportamento negacionista de governantes como Trump, Bolsonaro e outros. Após o resultado das eleições de 2016 nos Estados Unidos, ele conta que pediu conselhos a uma amiga jornalista da Argentina. “Ela disse que a informação seria cortada, receberíamos insultos e censuras. A imprensa daqui não está preparada para um governo tão autoritário”, pontua.
Como dizer a verdade
Jarvis destaca o papel das fake news enquanto estratégia política. O jornalista observa que, negar uma informação por vezes tem o efeito contrário, e isso acaba popularizando.Por isso, sua sugestão para desmentir uma história é começar dizendo a verdade sobre ela. “Depois, contar que Trump disse o contrário e reforçar a mensagem verdadeira para finalizar”, exemplifica. O jornalista menciona o trabalho do The Washington Post, que contabilizou mais de 20 mil distorções de fatos feitas pelo presidente de seu país durante a gestão. A tentativa de minimizar os efeitos do coronavírus no posicionamento contra o isolamento social a partir de alegações negacionistas integra algumas delas.
Dar nome aos bois
Chamar uma mentira de mentira, racismo de racismo e, diante de violência policial, falar que o policial atirou e matou são coisas importantes. Os jornalistas optam por usar uma linguagem mais vaga com a intenção de tornar o trabalho mais objetivo. “Quando se usa uma abordagem direta, parece que iremos soar ativistas. É preciso admitir que somos ativistas”, declara o norte-americano.A objetividade, analisa Jarvis, é um um mito que desumaniza os jornalistas, já que sugere superioridade. Além disso, ele divide ter aprendido que o conceito também é racista, considerando os padrões heteronormativos das redações. Logo, pedir que todos sigam suas diretrizes é silenciar a diversidade.
O método científico pode melhorar o jornalismo
Jarvis critica a cobertura atual por tratar a pesquisa científica como a última descoberta da história, sendo que a ciência não funciona assim. “Em uma semana fazem uma notícia falando que vinho tinto faz mal a saúde, na semana seguinte, o vinho tinto cura. É preciso dar o contexto da ciência que foi feita antes e depois.” Apesar das críticas, ele é otimista e diz que a pandemia está ensinando jornalistas a identificar especialistas.Com a intenção de dar voz a epidemiologistas, virologistas e pesquisadores, ele criou uma lista no twitter que reúne diversos profissionais e suas pesquisas sobre a Covid-19. “Eu entrevistei quatro especialista sobre como deveríamos fazer a cobertura da pandemia. Todos querem dedicar tempo para ajudar os jornalistas a informar a sociedade”, comenta.
Para o professor, os jornalistas precisam investigar com psicólogos e cientistas cognitivos para entender como comunicar melhor o que é verdade. “Seria muito interessante se pudéssemos aprender o método científico, especialmente para abordar questões importantes da sociedade.” Pesquisas científicas anteriores, levantamento de hipóteses e teses para a construção da ciência podem colaborar para um bom jornalismo.
Finalizando a mesa, Jarvis traz uma visão otimista sobre o futuro da profissão. “Eu não tenho sido suficientemente radical. Enxergo o jornal no mundo analógico e sempre me forço a dizer que não sei o futuro. Os nossos estudantes irão inventá-lo de forma surpreendente.”, conclui.
Criação de arte: Mikael Schumacher
Aquarela: Nayani Real

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