12/09/2020

Jornalismo esportivo: um universo a ser explorado

Adriano Wilkson, jornalista do UOL, conta um pouco de sua experiência na cobertura de esporte de uma forma diferente

Por: Natasha Meneguelli e Natalia de Souza

Edição: Leandro Melito


“Eu lembro bem, eu estava sentado na cama do motel, testemunhando aquela cena toda, surreal, do Acácio muito fraco, um cara de dois metros sendo colocado em uma banheira de água quente para suar”, relembra Adriano Wilkson, jornalista esportivo do UOL. Ele acompanhava o processo de perda de peso do lutador profissional de MMA Acácio “Pequeno” dos Santos, junto ao seu treinador Magno Wilson. 

A reportagem narrativa em que ele descreve esse processo deu origem ao livro A Grande Luta, que trata da história real de atletas em torneios brasileiros. Em um bate-papo com Adriana Barsotti, diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o profissional conta o interesse imediato pelo assunto ao descobrir a prática recorrente de perda de peso radical entre os lutadores de MMA. Wilkson queria não apenas contar que isso acontecia, mas contar a história de alguém passando pelo processo. 

“O meu interesse é buscar no universo esportivo, as histórias que valem a pena, fugindo do campo e bola, quem jogou bem ou mal”, conta.

O jornalismo investigativo e o narrativo permeiam seus trabalhos, como é o caso da série “Vozes no Tatame”, que ouviu mulheres do universo da luta, como a ex-UFC Ericka Almeida, atleta que sofreu com abusos do técnico Herman Gutierrez. 

As histórias são contadas em primeira pessoa, com relatos construídos a partir de entrevistas com as personagens, que relatam casos de violência, incluindo estupro, sofridos por elas e por outras mulheres próximas. 

Apesar de já ter realizado coberturas hard news, o profissional faz parte da equipe de reportagens esportivas de maior profundidade dentro do UOL. “A gente tenta fazer investigações, pautas mais aprofundadas, fazer um texto mais convidativo pro leitor. Gosto muito do texto narrativo”, conta Wilkson.

O jornalista começou sua carreira sendo trainee da Folha de S. Paulo. Natural de Belém, saiu de sua terra natal para iniciar sua trajetória na capital paulista. Começou a cobrir esporte no jornal por dois anos, quando migrou para o UOL, trabalhando em temas que unem esporte e direitos humanos.

Por conta da pandemia, a cobertura jornalística mudou e as ferramentas também. A apuração por ferramentas digitais passou a ser mais presente nas redações. Wilkson ressalta que a apuração pelo Instagram já lhe rendeu pautas importantes. “Mesmo antes da pandemia, já consegui histórias exclusivas”, conta.

Um exemplo trazido pelo jornalista, foi em relação ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho. Por meio de uma apuração para uma matéria factual sobre o aniversário do atleta, Wilkson descobriu uma empresa do ex-jogador que funcionava a partir de um sistema de pirâmide financeira, prática ilegal no Brasil. 

A pauta teve como origem um post no Instagram, que chamou a atenção de Wilkson. Após a publicação da reportagem, Ronaldinho rompeu contrato com a empresa. “Foi uma investigação, uma cobertura que teve um impacto real. A gente conseguiu romper esse esquema que estava prejudicando gente e nasceu no Instagram”, conta o jornalista.

Outro exemplo de um caso que chocou o país, foi o assassinato do jogador do São Paulo Futebol Clube, Daniel Corrêa, depois de uma festa no Paraná. Wilkson relata em detalhes a investigação desse crime em seu podcast “Futebol bandido – o caso Daniel”  em formato de série com 6 episódios.

Direção de arte: Isabella Vieira e Mikael Schumacher
Criação de arte: Miréria Figueiredo
Aquarela: Nayani Real

A cobertura oficial do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é realizada por estudantes, recém-formados e jornalistas integrantes da Redação Laboratorial do Repórter do Futuro, da OBORÉ, sob coordenação do Conselho de Orientação Profissional e do núcleo coordenador do Projeto. Conta com o apoio institucional da Abraji, do Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais (IPFD) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em cooperação com a Oficina de Montevideo/Oficina Regional de Ciências para a América Latina e Caribe.

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