Modelo busca solucionar problemas da sociedade e mediar aproximação entre o público e a notícia
Por: João Vitor Reis e Natalia de Souza
Edição: Tiago Angelo
Não focar apenas em denunciar problemas, mas propor soluções para eles. É com base nessa premissa que um grupo de especialistas em comunicação propôs o chamado “jornalismo de soluções”, alternativa que busca aproximar o público e a notícia.
O tema foi discutido nesta sexta-feira (11), durante a mesa “Afinal, o que é jornalismo de soluções?”, que ocorreu no 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A conversa contou com a presença de Marta Gleich, diretora de jornalismo do Grupo RBS, e foi mediada por Priscila Pacheco, repórter da agência de checagem Aos Fatos.
Durante a discussão, Gleich foi questionada sobre se a marca “jornalismo de soluções” não soa como uma estratégia de marketing, fugindo da causa primordial do jornalismo, que é a de simplesmente informar.
Para Gleich, esse não é o caso. “Criou-se o jornalismo investigativo, mas todo jornalismo o é — o termo foi adotado para [conferir] credibilidade. Agora, o jornalismo de soluções é uma maneira de chamar a atenção para a relevância do jornalismo e para que a sociedade melhore e resolva seus problemas”, diz.
Segundo a jornalista, o nicho não é um dos mais acessados pelos leitores, tendo níveis baixos de audiência. No entanto, essa não é uma preocupação, uma vez que estão sendo fornecidas ferramentas úteis para o público. “Não dá para fazer jornalismo de soluções pensando em audiência, não são as mais acessadas. Temos que fazer jornalismo de soluções pensando na nossa responsabilidade”, afirma Gleich.
A ideia, prossegue, é fomentar a comunicação colaborativa, construindo pontes ao invés de “fomentar a polarização e a radicalização”. Assim, o jornalismo de soluções se vale do que pensa a sociedade a respeito de determinado problema, se dedicando a ouvir mais as pessoas.
Por fim, Gleich indicou para o público interessado dois expoentes da área: Ulrik Haagerup, presidente do Constructive Institute, sediado na Dinamarca, e Lisa Gross, vice-presidente da Solutions Journalism Network, de Nova Iorque.
Direção de arte: Isabella Vieira e Mikael Schumacher
Criação de arte: André Martins
A cobertura oficial do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é realizada por estudantes, recém-formados e jornalistas integrantes da Redação Laboratorial do Repórter do Futuro, da OBORÉ, sob coordenação do Conselho de Orientação Profissional e do núcleo coordenador do Projeto. Conta com o apoio institucional da Abraji, do Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais (IPFD) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em cooperação com a Oficina de Montevideo/Oficina Regional de Ciências para a América Latina e Caribe.

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