11/09/2020

Robô denuncia mineração ilegal na Amazônia

O projeto Amazônia Minada monitora o avanço do garimpo, enquanto desmatamento e queimadas se intensificam no país por influência das políticas não ambientais do governo Bolsonaro

Por: Camilo Mota e Isabela Alves

Edição: Gabriela Vasques

O projeto Amazônia Minada, lançado em novembro de 2019, mapeia e notifica quando novos requerimentos de mineração são protocolados, no governo federal, dentro de unidades de conservação de proteção integral na Amazônia. 

A equipe do projeto se inspirou no Robotox, um robô que tuíta sempre que o governo federal libera registro de novo agrotóxico. Elaborado em 3 meses, o robô da Amazônia Minada também avisa, por meio de um tweet, quando um novo pedido de mineração é protocolado. 

O projeto cruzou dados para descobrir empresas e pessoas que estavam explorando áreas de conservação na Amazônia. Para isso, precisaram detectar os requerimentos de mineração que já estavam em funcionamento dentro de unidades de conservação de proteção integral na Amazônia.

O idealizador do projeto é repórter freelancer Hyury Potter. Ele recebeu apoio da International Center for Journalists (ICFJ) e da InfoAmazonia

No painel mesa “Como usar ferramentas de investigação para monitorar a Amazônia”, no 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, Potter contou que, antes do projeto, tinha como foco cobrir as torturas nos presídios brasileiros. 

Com a negação do governo de Jair Bolsonaro sobre a realidade amazônica e a fragilização das fiscalizações, a Amazônia se tornou o “centro do mundo”, e os rumos mudaram. Por isso, a necessidade de investigar como a mineração afeta a vida dos moradores locais.

“Para o Governo Federal, o requerimento de mineração é apenas um papel que ocupa uma gaveta em Brasília, mas quando se trata da vida das pessoas da região, não é apenas isso”, explica Potter.

Entre janeiro e abril de 2020, 72% dos desmatamentos provocados por garimpos ilegais na Amazônia ocorreram em áreas protegidas, como as Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs), segundo os alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Para fazer a exploração de uma área, é preciso ter autorização da União. A exploração em locais como reservas biológicas, parques nacionais e estações ecológicas são proibidas de todas as formas. 

Somente nas UCs da Amazônia, houve um aumento de 80,6% no desmatamento no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, sendo 879 hectares de floresta desmatados neste ano e 487 hectares em 2019.

De acordo com a Rede Amigos da Amazônia, a menor taxa de desmatamento na região ocorreu em 1988, quando o monitoramento de atividades irregulares tiveram um melhor desempenho. No entanto, os madeireiros e mineradores ilegais continuam realizando explorações. 

O projeto Amazônia Minada se baseou na lei de Conservação, criada em 2000, para fazer a filtragem das informações. Foi feito o cruzamento de duas camadas de dados: os das unidades de conservação e preservação integral (onde não pode haver mineração) e da Agência Nacional de Mineração. 

Para os jornalistas que querem cobrir a Amazônia, é fundamental monitorar o que está acontecendo na floresta. A melhor maneira de fazer esse acompanhamento é registrar tudo o que está sendo destruído. Além disso, é essencial analisar os bancos de dados disponíveis, como do Inpe e da NASA. 

Também é necessário ouvir especialistas para entender sobre o garimpo ilegal e a ação de madeireiros. Os órgãos ambientais também são boas fontes. E, claro, estar bem equipado para coletar material na própria Amazônia. 

Direção de arte: Isabella Vieira e Mikael Schumacher. 

Criação de arte: Vitória Macedo

A cobertura oficial do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é realizada por estudantes, recém-formados e jornalistas integrantes da Redação Laboratorial do Repórter do Futuro, da OBORÉ, sob coordenação do Conselho de Orientação Profissional e do núcleo coordenador do Projeto. Conta com o apoio institucional da Abraji, do Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais (IPFD) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em cooperação com a Oficina de Montevideo/Oficina Regional de Ciências para a América Latina e Caribe.

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