Discurso de ódio nas redes sociais evidencia vulnerabilidade do gênero
Por Cassiane Lopes e Nayani Real
Edição: Vitória Macedo
Mulheres jornalistas estão duplamente propensas a ser vítimas de violência: por exercer sua profissão e por conta de seu gênero feminino. Isso é o que diz o site sobre o tema, feito pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A popularização das redes sociais nos últimos anos dá vazão a um novo formato de ataques a essas profissionais.
Na palestra “Ataques virtuais contra mulheres jornalistas na América Latina”, Sandra Chaher, presidenta da Asociación Civil Comunicación para la Igualdad na Argentina, conta que a preocupação a nível global sobre o assunto aumentou por conta da intensificação das violências contra as profissionais na internet. “Esse espaço está reproduzindo a violência estrutural que temos na sociedade", explica. Junto à argentina, construíram o debate a colombiana Lina Cuellar, diretora e co-fundadora da Fundación Sentiido, a boliviana Isabel Mercado, diretora da Página Siete e a venezuelana Gabriela Buada, fundadora do Caleidoscopio Humano.
Na palestra “Ataques virtuais contra mulheres jornalistas na América Latina”, Sandra Chaher, presidenta da Asociación Civil Comunicación para la Igualdad na Argentina, conta que a preocupação a nível global sobre o assunto aumentou por conta da intensificação das violências contra as profissionais na internet. “Esse espaço está reproduzindo a violência estrutural que temos na sociedade", explica. Junto à argentina, construíram o debate a colombiana Lina Cuellar, diretora e co-fundadora da Fundación Sentiido, a boliviana Isabel Mercado, diretora da Página Siete e a venezuelana Gabriela Buada, fundadora do Caleidoscopio Humano.
O impacto nas vozes femininas
Enquanto estatísticas da ONU mostram que 23% das mulheres sofreram violência nas redes sociais, pesquisa da International Women's Media Foundation, junto a 600 jornalistas mulheres, aponta que 63% já sofreram assédio ou ameaças digitais. “Isso afeta a liberdade de expressão das mulheres, que já são parte de um grupo vulnerável”, aponta Chaher. Sandra conta ainda que por conta desse cenário, 40% das entrevistadas se retiraram do debate público.
A reação evidencia um panorama de desigualdade, marcado anteriormente pelas limitações impostas ao desenvolvimento profissional delas, que prejudica o acesso a determinados cargos, por exemplo.Todavia, convém lembrar que esse não é o maior dos problemas, “Este é um tema pequeno em relação à enorme violência que há referente à morte de mulheres, a violência física que informamos diariamente”, ressaltou Isabel, diretora do jornal Pagina Siete da Bolívia.
Apesar disso, o relatório Mulheres jornalistas e liberdade de expressão, da CIDH, mostra que a porcentagem de mulheres repórteres na América Latina aumentou - inclusive com relação à média global: em 2015, 43% das pessoas frente às notícias eram mulheres. O número é 15% maior do que em 2000.O país se encontra como o primeiro que registra os maiores índices de violência contra a mulher na América Latina.
A diferença de encalços entre homens e mulheres é bem clara. Lina exemplifica que as agressões comumente envolvem alguma fala contra a própria mulher, em vez de criticar o trabalho produzido por ela enquanto profissional. Em pesquisa realizada no Twitter, Cuellar identificou o uso de linguagem tóxica e expressões discriminatórias por meio de hashtags. Entre os xingamentos destacam-se termos como “terrorista”, “desmiolada” e “pseudo jornalista.” Para ela, as mulheres sofrem ainda mais violência quando abordam a questão.
Censura e solução
As consequências podem ser vistas nos números: 67% das jornalistas deixaram de postar sobre tópicos ao supor que poderiam gerar agressões, outras saíram do Twitter por um período e diminuíram a frequência com que realizavam postagens. Essas perseguições atuam como censura, afetando o jornalismo produzido, o que corrobora com o cerceamento da liberdade de expressão, e consequentemente aflige a democracia.
A fundadora do Caleidoscopio Humano destaca o papel da cultura machista como endosso às práticas violentas. Gabriela enfatiza a necessidade da mobilização internacional somada à local no auxílio às jornalistas diante desses cenários. Para ela, uma alternativa é a implementação de protocolos de auxílio em área laboral para que os abusos cometidos não se repitam.
Direção de arte: Isabella Vieira e Mikael Schumacher
Criação de arte: Vitória Macedo
A cobertura oficial do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é realizada por estudantes, recém-formados e jornalistas integrantes da Redação Laboratorial do Repórter do Futuro, da OBORÉ, sob coordenação do Conselho de Orientação Profissional e do núcleo coordenador do Projeto. Conta com o apoio institucional da Abraji, do Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais (IPFD) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em cooperação com a Oficina de Montevideo/Oficina Regional de Ciências para a América Latina e Caribe.

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