11/09/2020

Jornalismo de soluções: um novo modelo para engajar o público

Modelo busca solucionar problemas da sociedade e mediar aproximação entre o público e a notícia

Por: João Vitor Reis e Natalia de Souza

Edição: Tiago Angelo


Não focar apenas em denunciar problemas, mas propor soluções para eles. É com base nessa premissa que um grupo de especialistas em comunicação propôs o chamado “jornalismo de soluções”, alternativa que busca aproximar o público e a notícia. 

O tema foi discutido nesta sexta-feira (11), durante a mesa “Afinal, o que é jornalismo de soluções?”, que ocorreu no 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A conversa contou com a presença de Marta Gleich, diretora de jornalismo do Grupo RBS, e foi mediada por Priscila Pacheco, repórter da agência de checagem Aos Fatos. 

Sistema de Justiça prefere prisões a investigações, dizem jornalistas

Fausto Salvadori (Ponte Jornalismo), Cecília Olliveira (Intercept Brasil) e Carolina Brígido (O Globo), experientes em coberturas de investigações, discutem injustiças em inquéritos e julgamentos no Brasil

Por: Matheus Menezes e Artur Ferreira

Edição: Artur Ferreira


Um homem preso por tráfico de drogas, sem drogas. Isso aconteceu com Rogério Xavier Salles, vendedor negro de Osasco (SP), em agosto de 2019. A Polícia Militar disse ter apreendido 23 gramas de cocaína com Rogério, porém, o laudo do Instituto de Criminalística (IC) comprovou que não havia nenhuma substância ilícita.

Apesar do resultado, essa informação foi ignorada pelo delegado, que manteve Rogério detido por 28 dias. Somente após a história ter sido publicada pela Ponte Jornalismo, o homem foi inocentado. “Mas ninguém devolve o mês que você passou na cadeia por um crime que você não cometeu”, diz o jornalista Fausto Salvadori, um dos fundadores do site.

Por que é tão fácil condenar negros e pobres no Brasil? Fausto ilustra que a maneira como a polícia é organizada hoje reforça esse viés racista. “Basicamente você tem uma polícia para proteger o patrimônio da elite branca rica e para manter sob controle a população negra e pobre”, afirma.

Como cobrir educação: das visitas às escolas ao ensino remoto na pandemia

Os jornalistas Paulo Saldaña, Renata Cafardo e Thais Borges destacam o significado político do tema nos últimos tempos e a importância do contato direto com os educadores

Por: André Martins e Miréia Figueiredo
Edição: Samara Najjar

Vagas em creches, desigualdades e falta de infraestrutura nas escolas, qualidade do ensino, trocas de ministros, educação remota, volta às aulas, financiamento... Se antes já não faltavam pautas, o governo Bolsonaro e a pandemia da covid-19 agregaram novos elementos ao jornalismo de educação.

“O jornalismo de educação passou por grandes mudanças ao longo dos últimos anos”, aponta Renata Cafardo, repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo que cobre o tema há 20 anos, dando o tom do debate.

Ao lado de Paulo Saldaña, repórter da Folha de S.Paulo, e Thais Borges, repórter do Jornal Correio, os três ministraram o curso “Como cobrir educação: escola, pandemia e Bolsonaro”, promovido pelo 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Credibilidade jornalística em tempos de desinformação

“The Trust Project” resgata a confiança dos leitores e a credibilidade do jornalismo em veículos de comunicação

Por: Carina Gonçalves e Lala Silva


A construção de credibilidade jornalística nasce da confiança do público com o veículo de comunicação: é nisso que o "The Trust Project" acredita. Tendo como valores a ética, diversidade e imparcialidade, veículos brasileiros como a Agência Lupa, Agência Mural de Jornalismo das Periferias, Jornal Nexo, O Povo e Poder 360, aderiram à iniciativa, que coloca luz em princípios essenciais para um jornalismo sério e de qualidade, principalmente em meio a uma pandemia.

Este foi o tema da palestra "Construindo credibilidade nas organizações midiáticas pós- covid-19: os desafios de implantar os certificados de verificação de qualidade", com mediação do editor do Estadão, Daniel Bramatti, e participação da fundadora e diretora do The Trust Project, Sally Lehrman, e o co-fundador e correspondente de Osasco da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, Paulo Talarico.

Qual é o papel do jornalista no combate à covid-19?

Entre a “infodemia” e a pandemia do novo coronavírus, está o desafio de produzir e fazer circular informações confiáveis

Por: Caroline Oliveira

Edição: Caroline Oliveira


A população mundial carrega o peso de duas pandemias ao mesmo tempo. Em um obro, está a covid-19, que já matou cerca de 905 mil e contaminou 28 milhões de pessoas. No outro, a “infodemia”, definida assim pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para caracterizar a enxurrada de informações falsas como uma ameaça à saúde.

Entre as duas pandemias, estão os profissionais da imprensa, principalmente do jornalismo científico, que têm o desafio e a responsabilidade de produzir e fazer circular informações confiáveis.

Uma dessas profissionais é Roberta Jansen, repórter do O Estado de S. Paulo especializada em ciência, saúde e meio ambiente, cuja dificuldade “está sendo filtrar as informações verdadeiras da pandemia da desinformação. Tem muita informação e pesquisa sobre a doença circulando, mas também muita notícia falsa”.

Infodemia: a pandemia de covid-19 e a viralização de fake news

Cientista e jornalista comentam a confluência das duas áreas em um esforço conjunto pode conter a desinformação

Por: Mikael Schumacher e Miréia Figueiredo

Edição: Mariana Soares

Além de ter exposto problemas estruturais graves de países do mundo inteiro, como a falta de um sistema de saúde público, a pandemia da covid-19 também apontou para duas fissuras no avanço do desenvolvimento humano: a desvalorização da imprensa e da ciência. 

Este foi o ponto central da mesa “Desafios na cobertura do jornalismo científico durante a covid-19”, do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que contou com a participação de Roberta Jansen, jornalista do Estadão especializada em saúde e ciência, e do cientista-membro do Comitê de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste, Miguel Nicolelis.

Cobertura do trabalho escravo exige cuidados e sensibilidade do repórter

Leonardo Sakamoto e Piero Locatelli relatam suas experiências em reportagens sobre violação de direitos trabalhistas

Por: Natasha Meneguelli


A cobertura do trabalho escravo exige cuidados específicos na apuração e nas informações colocadas na reportagem. No minicurso “Como cobrir trabalho escravo e outros direitos trabalhistas”, os jornalistas Leonardo Sakamoto e Piero Locatelli trouxeram dicas e relatos de anos de experiência no assunto. Ambos compartilham o vínculo com a Repórter Brasil, uma das referências para a cobertura do tema no país.

Dentro da programação do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, os repórteres explicaram que não é todo caso grave de violação trabalhista que corresponde ao trabalho escravo.

Contudo, isso não significa que ele não mereça ser noticiado. “Isso lembra o fato de que o trabalho escravo é uma cesta de crimes. Tem muito tema para cobrir, pauta não vai faltar, devido à quantidade de conexões do problema”, destacou Sakamoto.

Robô denuncia mineração ilegal na Amazônia

O projeto Amazônia Minada monitora o avanço do garimpo, enquanto desmatamento e queimadas se intensificam no país por influência das políticas não ambientais do governo Bolsonaro

Por: Camilo Mota e Isabela Alves

Edição: Gabriela Vasques

O projeto Amazônia Minada, lançado em novembro de 2019, mapeia e notifica quando novos requerimentos de mineração são protocolados, no governo federal, dentro de unidades de conservação de proteção integral na Amazônia. 

A equipe do projeto se inspirou no Robotox, um robô que tuíta sempre que o governo federal libera registro de novo agrotóxico. Elaborado em 3 meses, o robô da Amazônia Minada também avisa, por meio de um tweet, quando um novo pedido de mineração é protocolado. 

Doxing representa risco à integridade de jornalistas

Tática de divulgação de dados pessoais é utilizada para afetar a credibilidade de profissionais de imprensa e intimidar grupos minoritários

Por: Gustavo Honório, Rafael de Toledo e Wender Starlles
Edição: Wender Starlles

Você pode até não estar familiarizado com o termo, mas com certeza já ouviu ou foi vítima de doxing. A prática, cada vez mais comum contra jornalistas, consiste na publicação de informações privadas ou sensíveis na internet a fim de prejudicar, intimidar e até mesmo censurar a liberdade de expressão de profissionais de imprensa. 

Para falar sobre o tema na sexta-feira (11), primeiro dia do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Neena Kapur, gerente de Inteligência de Segurança do The New York Times, contou à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, quais são os principais métodos por trás do doxing e como as pessoas podem tomar medidas de segurança digital. 

Visão de produto no jornalismo pauta debate sobre modernização das redações

Grandes redações e jornalistas tradicionais tentaram se manter distanciados do tema, porém com a pandemia foram forçados a se adequar à nova realidade

Por: Thuany Gibertini e Pâmela Chagas

Edição: Pâmela Chagas



A crise no jornalismo é debatida já há algum tempo entre profissionais da área. Abordando perspectivas diferentes das tradicionais para fazer do jornalismo um negócio sustentável, a diretora de produtos do portal Jota, Paty Gomes e o coordenador do Google News Lab no Brasil, Marco Túlio Pires, apontam como principal erro dos veículos de comunicação o atraso em se adaptar às novas tecnologias.

Para ambos os jornalistas, é preciso ter uma nova mentalidade de produto e experiência do usuário como alternativa para o fortalecimento da prática jornalística. “É um olhar que a gente importa das empresas de tecnologia para tornar o jornalismo mais essencial”, explica Gomes. 

Ele aponta que o modo de trabalho no Jota vai de encontro a essa ideia, “se não for para resolver um problema do usuário, é melhor não fazer". 

"Hoje temos uma relação com o conteúdo e a informação de um jeito dinâmico. Então essa visão de resolver um problema é primordial”, conta.