Repórter especial da Folha diz que redes virtuais de ódio são “ecossistema” descentralizado e que tentam intimidar jornalistas
Por: Rafael Sampaio
Edição: Leandro Melito
Uma das mais premiadas jornalistas brasileiras da atualidade, a repórter especial da Folha de S. Paulo, Patricia Campos Mello relata em entrevista ao Repórter do Futuro como os ataques de ódio e a disseminação de fake news via aplicativos e redes sociais, como WhatsApp e Facebook, tornaram-se uma nova forma de tentar calar quem faz jornalismo no país.
Ao contrário da crença comum de que a distribuição de mensagens de ódio e fake news partem de algum comando central ou da ação de robôs, Mello pondera que, antes de tudo, essa prática tem a seu favor o fato de ser descentralizada.
Os propagadores de ódio virtual contam com um “ecossistema”, que inclui desde os perfis de redes sociais do presidente Bolsonaro e de seus filhos, blogs conservadores, canais de YouTube de influenciadores de direita, perfis de legisladores bolsonaristas e muita gente de carne e osso - pessoas que leem e acreditam nas mentiras disseminadas na internet.
“Quando você tem governantes endossando esse tipo de mensagem agressiva, ou mesmo estimulando, isso ganha uma amplitude muito maior”, analisa Mello. Para ela, jornalistas não devem se calar. Conseguir “viralizar” uma reportagem apurada, checada e com sólida base em informações é um dos desafios principais nas redações.
