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12/09/2020

Jornalismo esportivo: um universo a ser explorado

Adriano Wilkson, jornalista do UOL, conta um pouco de sua experiência na cobertura de esporte de uma forma diferente

Por: Natasha Meneguelli e Natalia de Souza

Edição: Leandro Melito


“Eu lembro bem, eu estava sentado na cama do motel, testemunhando aquela cena toda, surreal, do Acácio muito fraco, um cara de dois metros sendo colocado em uma banheira de água quente para suar”, relembra Adriano Wilkson, jornalista esportivo do UOL. Ele acompanhava o processo de perda de peso do lutador profissional de MMA Acácio “Pequeno” dos Santos, junto ao seu treinador Magno Wilson. 

A reportagem narrativa em que ele descreve esse processo deu origem ao livro A Grande Luta, que trata da história real de atletas em torneios brasileiros. Em um bate-papo com Adriana Barsotti, diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o profissional conta o interesse imediato pelo assunto ao descobrir a prática recorrente de perda de peso radical entre os lutadores de MMA. Wilkson queria não apenas contar que isso acontecia, mas contar a história de alguém passando pelo processo. 

“O meu interesse é buscar no universo esportivo, as histórias que valem a pena, fugindo do campo e bola, quem jogou bem ou mal”, conta.

04/07/2015

Congresso joga luz sobre o primeiro caso de jornalista esportivo assassinado no Brasil

Por Keytyane Medeiros


Beatriz Santos
Na véspera, de completar 3 anos do assassinato do jornalista esportivo e apresentador Valério Luiz Oliveira, o advogado e filho da vítima, Valério Luiz Oliveira Filho revelou detalhes sobre o caso durante o painel "Violência contra jornalistas" realizado no 10º Congresso de Jornalismo Investigativo promovido pela Abraji.

O caso aconteceu na cidade de Goiânia-GO, em julho de 2012, quando após uma série de críticas aos membros da diretoria do Atlético Goianiense, em especial, contra o acusado Maurício Sampaio. Valério foi assassinado com sete tiros enquanto saia do trabalho, à luz do dia. "Foi uma cena bastante simbólica do ponto de vista negativo porque a execução se deu na frente da rádio onde ele trabalhava e de onde proferia suas críticas."

O pai de Valério tinha 35 anos de carreira, trabalhou em emissoras de rádio e televisão e vinha de uma família de jornalistas esportivos. Foi o primeiro caso de assassinato à jornalistas esportivos no país. De acordo com o advogado, o jornalismo esportivo vai além dos jogos, partidos e tabelas. No caso do futebol, também existem interesses políticos e financeiros envolvidos e em casos como este, Valério Filho afirma que "existe um padrão em crimes contra jornalistas: todos acontecem porque eles afrontam verdadeiras máfias".

Neste sentido, Valério Filho afirma que os crimes são mais comuns em cidades do interior ou contra blogueiros e jornalistas de veículos com circulação municipal ou regional. Segundo ele, quanto maior a visibilidade do jornalista, menos encorajados os mandatários do crime se sentem. Apesar disso, a maior parte dos casos de agressão e violência não são apurados ou acabam engavetados. Segundo o relatório anual de violações à liberdade de expressão organizado pela ONG Artigo 19, foram registrados 55 casos de violência envolvendo agressão, homicídio, tortura e ameaças de morte contra jornalistas e blogueiros durante o ano de 2014.

O caso de Valério Luiz tem cinco suspeitos indiciados pela Justiça e atualmente o processo aguarda julgamento no Tribunal de Justiça de Goiás. O advogado acredita que a melhor solução é tornar os acontecimentos públicos e realizar mobilizações sociais. "A melhor solução e a melhor defesa, com certeza é a publicidade dos casos". 

Liberdade de expressão


Em situações de violência e repressão contra jornalistas por parte do Estado, Valério Filho acredita que se a Justiça fosse mais eficiente não seria necessário tamanha mobilização da sociedade exigindo posicionamento das instituições. "Os jornalistas de modo geral não se entendem como classe, mas como intelectuais. Isso enfraquece as ações em um caso como este. Instituições e veículos de comunicação tem que se comprometer mais."

O ideal é que o jornalista possa ir até onde for necessário, mas é preciso se questionar qual o papel e a responsabilidade do Estado e das instituições na proteção dos profissionais de comunicação e da liberdade de expressão. "Até onde as estruturas do Estado podem ir para proteger e julgar esses casos?", questiona.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

03/07/2015

Jornalismo esportivo é abordado de maneira mais crítica por veículos independentes

Por Letícia Ferreira
Foto: Beatriz Sanz
O jornalismo independente se tornou um campo de inovação de linguagem e de maneiras de financiar o desenvolvimento do trabalho jornalístico. Quando a pauta é esportiva, não é diferente.

Felipe Lobo, sub-editor do site Trivela e Fábio Chiorino, editor do blog ESPN FC e repórter do Esporte Final, participaram do painel 'Jornalismo Esportivo Independente', durante o 10º Congresso de Jornalismo Investigativo.


Para Lobo, "o esporte não é algo isolado do mundo". Segundo ele, o Trivela vai além da cobertura esportiva e aborda as possíveis relações que o esporte pode ter com questões sociais e políticas.

Já o Esporte Fino, agora Esporte Final, vai além dos resultados e não foca na cobertura de um esporte específico. A missão, desde de 2011, quando o projeto teve um aperfeiçoamento editorial, é cobrir o maior número de atividades esportivas, com um conteúdo analítico. "Nós não fugimos das polêmicas, ao contrário, nós procuramos  — porque é isso o que nos define", afirmou o editor.

No caso do Trivela, o conteúdo diferenciado pode ser traduzido em números. De acordo com o editor, a audiência do portal é bem segmentada. Cerca de 60% do tráfego do site é direto, ou seja, esses 60% digitam o endereço no navegador para acessá-lo. Entre 38 e 40% passam pela home e acessam diversos conteúdos dentro do portal. O Trivela trabalha com prioridades diferentes das praticadas em outros veículos que cobrem o futebol — como a exposição da vida pessoal de jogadores, segundo Lobo. Ele dá como exemplo a reportagem "Como o futebol moldou a identidade cultural do Brasileiro", que abrange temas como políticas públicas, econômicas e sociológicas. Lobo afirma que "questões espinhosas como essas, não são destacadas pelos veículos maiores".

A liberdade editorial do jornalismo independente é apenas um dos lados. Para Chiorino, "com a independência editorial surge o desafio de viver com a independência financeira". Todos os editores e colaboradores do Esporte Final trabalham em outros lugares para sobreviver. O projeto raramente resulta em receitas financeiras.

Para aqueles que se interessam pelo caminho do jornalismo esportivo independe Lobo orienta a buscar o jornalismo regional. "Quem está longe dos grandes centros pode trabalhar com a imprensa local. Geralmente, times do interior e de algumas regiões do país pouco aparecem nos grandes veículos de esporte e há uma oportunidade nisso".

Chiorino compartilha da opinião e acredita que é possível atuar de maneira independente fora dos grandes centros midiáticos. "É um caminho super viável. É preciso ter em mente que a independência editorial vem com uma responsabilidade muito grande", como a cobrança do público.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Pesquisadora aponta desafios na trajetória de atletas olímpicos brasileiros

Por Ruam Oliveira


Foto: Camila Andrade
O Brasil sediará as próximas Olimpíadas em 2016, mas até lá existe um longo caminho a ser percorrido. Principalmente no que diz respeito aos atletas de alto rendimento, que necessitam, de muitos anos de incentivo e treinamento.

A professora Kátia Rubio, da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), está prestes a lançar seu livro "Atletas do Brasil Olímpico" - composto por entrevistas sobre as trajetórias de vida de atletas que representaram o país nas Olimpíadas.
Durante sessão do 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, a professora contou um pouco de sua experiência e dos caminhos percorridos até concretizar o projeto do livro. "Fui em busca dos medalhistas brasileiros (...) quando eu ouvi as histórias desses homens e mulheres, eu consegui perceber a dinâmica do esporte atual". Para ela, é mais curioso "quando ouvimos a história do ponto de vista do protagonista, que é o esportista".

Na palestra, ela afirmou ainda que a cobertura esportiva na mídia brasileira muitas vezes prioriza assuntos periféricos como negociatas, relações comerciais entre patrocinadores e confederações e outros temas em detrimento do que deveria ser o centro das atenções - o próprio atleta. "Se discute tudo, menos o atleta (...) Não existe esporte sem atleta". Para a pesquisadora, o caminho que deve ser seguido e que é pouco explorado seria mostrar o esportista como o mais importante.

Dentre os nomes que mais lhe marcaram durante a produção do livro, Rubio citou o caso de Ademar Ferreira da Silva, atleta de origem humilde, bicampeão olímpico e tricampeão dos jogos Panamericanos. E apontou que observar estas histórias é o que de fato há de mais importante a ser feito, principalmente a história dos esportistas que perdem, algo que aborda em seu livro. "A história dos medalhistas é fácil de contar, porque elas tem um final feliz, mas dos que perdem não", afirma.

Kátia Rubio demonstrou preocupação inclusive com os atletas aposentados e em como continuam a vida após saírem de cena, e sugeriu um termo mais adequado para designá-los na cobertura de esportes. "Um atleta não deixa de ser atleta(...). Nunca chame um atleta de ex-atleta, mas de pós-atleta".

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.