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23/06/2016

Novas tecnologias mudaram a televisão, dizem diretores

Por Zivalda Alves

Além do imenso impacto provocado nos jornais impressos, a internet e as novas tecnologias estão transformando também a forma de se fazer televisão. Em telejornais e mesmo programas de entretenimento já é possível perceber o impacto de recursos como os vídeos produzidos em telefones celulares.

Diretores de TV debateram as inovações na linguagem televisa no painel "Inovação em TV: novas linguagens", que aconteceu na tarde desta quinta-feira (23) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. Participaram do debate Diógenes Muniz, diretor da TripTV, e Renée Castelo Branco, supervisora de programas da Globonews. Para eles, a internet mudou profundamente o modelo tradicional da TV.

Foto: Alice Vergueiro

Para Diógenes, essa mudança tem a ver com um modelo de negócio. "A partir do momento que as duas coisas se unem [jornalismo e documentário], há uma coisa muito legal, que é o alcance. Com outra linguagem que vai para internet, dependendo do tema que vai ser explorado, é uma ferramenta muito poderosa", disse.

A linguagem documental trabalha com o barateamento de equipamentos e das plataformas de distribuição. Para Diógenes, é necessário se apropriar disso. "Acho que os equipamentos ajudam a avançar e a experimentar novas linguagens. Com o tempo a gente foi descobrindo que minidocumentário pode ser muita coisa, pode ser híbrido, com elementos tomados de línguas diferentes", comenta Muniz.

Já Renée Castelo Branco afirma que as pessoas não ligam mais a televisão como antigamente, "um fato que todo mundo já sabe". No entanto, segundo ela, na Globonews as matérias às vezes seguem um modelo antigo, às vezes miram novas tendências. "Na televisão, em todas as pesquisas realizadas, seja TV aberta ou fechada, não temos o público mais jovem, com menos 35 anos", afirmou.

Renée disse ainda que, na TV, houve um momento em que os jornalistas não podiam pronunciar a palavra Facebook. "Acho que na verdade ele traz audiência, o que é legal. Agora, a forma personalista em que é utilizado eu não gosto".

Moderador da mesa, o jornalista Marcelo Moreira, editor-chefe do RJTV, da Rede Globo, afirmou que muita coisa mudou na televisão com as novas linguagens. "No 'Jornal Nacional' de 2000, a orientação editorial era de evitar falar sobre a internet, porque ninguém tinha internet, só 2% da população do Brasil tinha acesso. Hoje, nem precisa falar o quanto as coisas mudaram. Com essa inovação na TV, conseguimos fazer muita coisa com pouca gente", finalizou.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

“A gente não quer saber de autoridades, as autoridades são as pessoas comuns”, diz Caco Barcellos


Por Karina Balan

Destaque no dia de abertura do 11º Congresso da Abraji, o jornalista Caco Barcellos dividiu um pouco da sua experiência como repórter no painel "Profissão Repórter:10 anos". Na manhã desta quinta-feira (23), em um auditório lotado, ele e o companheiro Caio Cavechini, editor-executivo do programa, além do repórter e ex-produtor do "Fantástico", Guilherme Belarmino, falaram das origens e do significado do programa que se consolidou como uma referência em reportagem na televisão.

Fotos: Alice Vergueiro
"Eu sonhava em um dia fazer um programa que não tivesse as coisas que eu não gosto, pensando nas brechas da cobertura da mídia como um todo", conta Caco, sobre o surgimento do programa em 2006. Considerado um dos melhores jornalistas da TV brasileira, ele começou a carreira como repórter na década de 1980, passando por veículos da imprensa alternativa até chegar à televisão. O "Profissão Repórter" estreou como um  especial do "Globo Repórter", e hoje já ultrapassa a marca de 270 edições.


Cada episódio produz cerca de 25 horas de gravação, das quais apenas 30 minutos são utilizados. Durante sua existência, são mais de 7 mil horas de material bruto, o que equivale a nove meses de imagens. Para Caco Barcellos, o diferencial do programa é o olhar plural sobre um mesmo tema, em que a matéria-prima para uma boa reportagem é a vivência na rua. "A gente não quer saber de autoridades falando nas nossas reportagens. As autoridades são as pessoas comuns. As pessoas sempre trazem grandes histórias, depende de você querer ouví-las".

Guilherme comentou também sobre a importância de desconfiar das versões oficiais das notícias. "A gente tenta um enfoque diferente sobre casos nos quais as pessoas já ouviram quase tudo. Tem sempre a versão oficial do que aconteceu, e a às vezes a gente descobre anos depois que existe uma lacuna". Caio pontua também a mudança de comportamento do público com a chegada de novas plataformas. "Há um tempo atrás as pessoas enxergavam a notícia como um espelho da realidade, e hoje as pessoas sabem que é só uma versão do que aconteceu", diz.


O formato do programa também passou por mudanças ao longo dos anos, e hoje é a videorreportagem, com o repórter e sua câmera na mão. Caio Cavechini ressaltou a independência do repórter na execução do trabalho. "A compartimentalização do trabalho deixa o jornalista menos dono daquilo que vai ao ar, e o Caco trouxe isso de que o repórter produz e edita a própria reportagem, tem um 'quê' de artesanal na forma de fazer", comenta.

Em um momento de polarização política, o programa preza pela ausência de opinião. De acordo com Caco Barcellos, um acontecimento que não é manchete às vezes é muito mais importante do que o furo jornalístico. Na avaliação dele, as reportagens do programa são sempre inéditas. "A rigor, o Profissão Repórter é exclusivo, já que a gente vai aonde os outros não vão e onde a mídia não cobre, principalmente as regiões mais pobres", pontua.


Para encerrar sua fala, Caco disse não ter vergonha de nada do que fez ao longo de sua carreira e fez um apelo aos jovens jornalistas: "Estamos em um país extremamente desigual. Pense duas vezes por qual lado você vai contar sua história". Após o painel, ele participou de uma sessão de autógrafos do livro "Profissão Repórter 10 Anos: Grandes Aventuras, Grandes Coberturas", lançado em abril deste ano. O livro registra os bastidores das melhores reportagens exibidas sob a ótica de Caco e alguns dos 40 jornalistas que já passaram pela equipe.

O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.