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24/06/2016

Preocupação com leitor garantirá futuro do jornalismo


Por Phillippe Watanabe

As empresas jornalísticas que se destacam no ambiente virtual garantem ter descoberto pelo menos parte do segredo para manter a produção de conteúdo de qualidade: preocupação com o leitor.

O painel "Abraji Talks" ocorreu no final da tarde desta sexta (24) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A discussão sobre iniciativas jornalísticas no mundo online lotou o auditório da Anhembi Morumbi. Participaram Mariana Castro, sócia da F451 Mídia, Laura Diniz, sócia do portal jurídico JOTA, Leandro Demori, editor do Medium Brasil, e Conrado Corsalette, cofundador do Nexo.

Fotos: Alice Vergueiro
Trabalhar pensando nos leitores, em notícias úteis para o cotidiano, cria vínculos com o público, segundo os palestrantes. Desse modo, antes da crise do modelo de negócio, há a crise do produto, ou seja, da própria matéria jornalística.

A preocupação com o leitor está também na utilização de formas de linguagem familiares aos consumidores de conteúdo. "Um GIF pode ser muito mais competente do que 30 ou 40 linhas de texto", afirmou Corsalette.

Formas de comunicação mais acessíveis aumentam o engajamento dos leitores, uma das principais preocupações de Castro. Ela está entre as responsáveis pelos portais Gizmodo, Risca Faca e Trivela.

Para o cofundador do Nexo, as inovações de narrativa não descartam, contudo, os fundamentos do jornalismo: novidade, precisão, equilíbrio e clareza.

O futuro dos jornalistas é o domínio sobre toda a produção, segundo Corsalette. "Entender o jornalismo como algo feito do começo ao fim, o jornalista-artesão", concluiu.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

23/06/2016

Novas tecnologias mudaram a televisão, dizem diretores

Por Zivalda Alves

Além do imenso impacto provocado nos jornais impressos, a internet e as novas tecnologias estão transformando também a forma de se fazer televisão. Em telejornais e mesmo programas de entretenimento já é possível perceber o impacto de recursos como os vídeos produzidos em telefones celulares.

Diretores de TV debateram as inovações na linguagem televisa no painel "Inovação em TV: novas linguagens", que aconteceu na tarde desta quinta-feira (23) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. Participaram do debate Diógenes Muniz, diretor da TripTV, e Renée Castelo Branco, supervisora de programas da Globonews. Para eles, a internet mudou profundamente o modelo tradicional da TV.

Foto: Alice Vergueiro

Para Diógenes, essa mudança tem a ver com um modelo de negócio. "A partir do momento que as duas coisas se unem [jornalismo e documentário], há uma coisa muito legal, que é o alcance. Com outra linguagem que vai para internet, dependendo do tema que vai ser explorado, é uma ferramenta muito poderosa", disse.

A linguagem documental trabalha com o barateamento de equipamentos e das plataformas de distribuição. Para Diógenes, é necessário se apropriar disso. "Acho que os equipamentos ajudam a avançar e a experimentar novas linguagens. Com o tempo a gente foi descobrindo que minidocumentário pode ser muita coisa, pode ser híbrido, com elementos tomados de línguas diferentes", comenta Muniz.

Já Renée Castelo Branco afirma que as pessoas não ligam mais a televisão como antigamente, "um fato que todo mundo já sabe". No entanto, segundo ela, na Globonews as matérias às vezes seguem um modelo antigo, às vezes miram novas tendências. "Na televisão, em todas as pesquisas realizadas, seja TV aberta ou fechada, não temos o público mais jovem, com menos 35 anos", afirmou.

Renée disse ainda que, na TV, houve um momento em que os jornalistas não podiam pronunciar a palavra Facebook. "Acho que na verdade ele traz audiência, o que é legal. Agora, a forma personalista em que é utilizado eu não gosto".

Moderador da mesa, o jornalista Marcelo Moreira, editor-chefe do RJTV, da Rede Globo, afirmou que muita coisa mudou na televisão com as novas linguagens. "No 'Jornal Nacional' de 2000, a orientação editorial era de evitar falar sobre a internet, porque ninguém tinha internet, só 2% da população do Brasil tinha acesso. Hoje, nem precisa falar o quanto as coisas mudaram. Com essa inovação na TV, conseguimos fazer muita coisa com pouca gente", finalizou.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Recém-formados exploram linguagem multimídia nos trabalhos de conclusão de curso

Por Tiago Aguiar


Apresentada nesta quinta-feira (23) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a mesa “TCCs de jornalismo: a produção multimídia dos recém-formados” destacou três ideias inspiradoras. Os jovens jornalistas selecionados pela Abraji para apresentar seus trabalhos no painel apostaram em inovação da linguagem para driblar a crise que assola o modelo de negócios do mercado tradicional. 

Foto: Alice Vergueiro
A primeira a apresentar seu trabalho foi Bruna de Faria, formada pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ao desenvolver o livro-reportagem Realidades Musicais, uniu duas paixões: quadrinhos e música. O projeto, que aborda histórias de sujeitos e suas relações singulares com cancões, foi ilustrado e roteirizado pela própria autora.

“Minha intenção foi mostrar como os quadrinhos são uma alternativa para o fazer jornalístico e também levar esse assunto para o ambiente acadêmico”, diz Bruna, que começou a trabalhar com o formato anteriormente ao TCC, em uma pesquisa de iniciação científica.

Outro participante, Felipe Neves, adotou o formato audiovisual para mostrar em seu trabalho final do curso de jornalismo da PUC-SP (Pontíficia Universidade Católica de São Paulo) um retrato da complexidade das várias ramificações evangélicas existentes no país, que juntas somam 25% da população.

 “Durante toda a graduação sempre fiz a filmagem nos trabalhos das disciplinas de audiovisual. O documentário eu fiz sozinho, já estava minimamente preparado”, conta Neves.

O resultado foi o documentário “Púlpito e Paralamento” (67 minutos, 2015) que trata da relação de evangélicos enquanto eleitores e enquanto políticos.

O então estudante percorreu São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília durante o último ano da faculdade para captar as imagens e depoimentos do filme. Além das distância, Neves, que é evangélico e morador da periferia de São Paulo, encarou outro desafio: separar o pessoal do profissional.

“Tentei ser o mais jornalístico possível. Sei que o processo nunca é imune de subjetividades e por isso tornou-se um documentário”, diz.

Carlos Juliano Barros, diretor do documentário “Eu, Jean Willys”, sobre a atuação de Jean Willys na Câmara dos Deputados, foi referência para Neves durante toda a produção. De quebra, ele acabou participando da banca do estudante na PUC. O trabalho do estudante agradou tanto que o diretor acabou comprando imagens feitas por Felipe. “Foi a única arrecadação que tive no processo”.

 Veja o documentário “Púlpito e Paralamento”, de Felipe Neves:


Natália Blanco, Brenno Souza e Melissa Lima se uniram na Universidade Metodista de São Paulo, no final de 2015, para tratar sobre o programa Bolsa-Família. Inspirados por aulas de empreendedorismo e no modelo da Agência Pública, foram além do projeto inicial e resolveram criar a Esquiva: agência de Jornalismo Independente especializada em Políticas Públicas.

 A reportagem especial sobre o programa social foi feita, mas virou projeto-piloto. “O jornalismo on-line é bom porque permite publicar tudo sobre assuntos que nunca se esgotam, como o caso do Bolsa Família”, conta Melissa.

 Os três foram responsáveis por todo o processo, inclusive a programação do site. Na página, é possível encontrar informações em formato de infográficos, vídeos, textos e áudios.

 A intenção dos jornalistas é manter o projeto. “Assim como a Agência Pública, queremos dar continuidade ao nosso projeto através de crowdfunding”, afirma a fundadora do projeto.

Esta edição do Congresso foi a que mais recebeu inscrições para apresentação de TCCs, segundo a diretora da Abraji Leticia Duarte e moderadora da mesa. “Dessa vez precisamos pedir um reforço na análise”, conta. Foram 35 trabalhos inscritos neste ano, o maior volume desde que se iniciou a seleção de trabalhos de conclusão de curso, há três anos. Além dos três trabalhos multimídia, foram selecionados outros três em formato de livro-reportagem, apresentados em painel à tarde.