Por Erick Noin
O perito criminal do departamento da Polícia Federal de Curitiba e integrante da operação Lava-Jato Fábio Salvador afirmou nesta sexta-feira (24), durante o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, que testemunhos e deleções desacompanhadas de provas técnicas que lhes deem solidez podem gerar erros se baseadas em alegações falsas.
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| Foto: Alice Vergueiro |
Segundo Salvador, é justamente nessa questão que reside a importância da perícia e da produção de provas através de processos científicos. Sem a produção de provas suficientes, a atribuição de culpa a um acusado fica mais difícil, segundo o policial federal.
Ele ressaltou que, até o momento, as delações premiadas homologadas na Lava Jato foram confirmadas. "O corpo comprobatório técnico-científico dentro da operação está sustentando as decisões de todo mundo, as investigações e as decisões judiciais".
O perito comandou o painel "Bastidores da Lava-Jato: o uso de tecnologia e desafios da perícia no combate à corrupção", que teve como mediador o repórter da Folha de S.Paulo Rubens Valente.
Formado em geologia, Salvador é apenas um dos "cientistas" que compõe o quadro de peritos na operação. Na equipe há engenheiros, contabilistas e técnicos de informática que, segundo o palestrante, são os mais importantes dentro da operação. Devido à elevada demanda de perícias nessa área, por envolver entre os investigados as maiores empreiteiras do Brasil, com complexo sistema de movimentação e lavagem de dinheiro e grande quantidade de dados gravados em celulares e computadores apreendidos, esses profissionais se tornaram indispensáveis.
O trabalho de perícia também é importante para evitar erros que afetem a confiança na operação e na própria instituição, segundo o perito. Salvador lembrou do caso da cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que foi presa temporariamente por engano ao ser confundida com a esposa do petista devido à falta de apuração de elementos que identificassem a real procurada. "O erro da cunhada de Vaccari virou munição do PT contra a credibilidade da Lava-Jato e da PF", contou.
FUTURO DO COMBATE À CORRUPÇÃO
Salvador lembrou das dificuldades encontradas no início da operação, principalmente com a falta de peritos. "Ninguém sabia o que aconteceria quando tudo começou num posto de gasolina. Se no começo havia uma demanda de realização de 300 perícias com pouca gente, hoje a demanda é de mais de 1.300", revelou.
Quando o assunto é o futuro, ele se diz otimista. Perguntado se o presidente interino, Michel Temer, representa uma ameaça à investigação, ele negou prontamente: "Não, muito pelo contrário".
O policial federal mostrou confiança no apoio manifestado pelo governo, citando a recente visita do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao prédio da Polícia Federal em Curitiba. O perito também fez questão de frisar repetidas vezes que a condução da Lava Jato é "apartidária".
No entanto, ele demonstrou desconfiança com a desvinculação da Controladoria Geral da União realizada nos primeiros dias do governo Temer, o que pode ameaçar a autoridade do órgão no combate à corrupção. "Estamos inseguros, o momento é complexo".
O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.
