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| Johanna Nublat, Patrícia Campos Mello e Fabiano Maisonnave discutem a cobertura da crise migratória. Foto: Alice Vergueiro. |
Por Géssica Brandino
Estabelecer contatos com outros profissionais que já
estiveram em campo e pesquisar ao máximo o local são essenciais para aprofundar
a cobertura e aproximar o leitor de outras realidades. O repórter, colunista e
enviado especial da Folha de S.Paulo em Manaus, Fabiano Maisonnave, acompanhou no
início do ano a travessia de brasileiros que tentam chegar aos Estados Unidos
via Bahamas. Para contar a história que desejava, Fabiano recorreu à técnica da
infiltração, se passando por outra pessoa e omitindo a informação de que era
repórter, prática que ele próprio não recomenda. “Não é uma decisão fácil. O
risco é enorme”, destaca.
Maisonnave havia estudado a fundo a realidade da migração no
território e levantado todos os riscos que teria ali. “Jornalista precisa ter
mais dúvidas do que certezas”, aconselha. Fazer a travessia até os Estados
Unidos se mostrou inviável – era preciso pagar US$ 12 mil dólares, o que o
jornal negou – mesmo assim, Fabiano pode viajar ao lado de brasileiros deportados
e contar a história daqueles que estiveram presos no Panamá após a tentativa de
atravessar a fronteira.
Já a jornalista Johanna Nublat teve um percurso diferente
para chegar ao destino de reportagem: a capital da Coreia do Norte. Ela foi
correspondente na China pela Folha de S.Paulo e o desejo de conhecer a capital
norte-coreana era antigo. A oportunidade veio no último ano, a convite da
associação de cientistas sociais do país, com visto de trabalho pela embaixada.
Mesmo ciente das limitações que teria ao fazer uma viagem guiada, a repórter
aceitou e passou sete dias em Pyongyang, capital pelo país, em setembro.
“Foi a melhor experiência da milha vida, apesar de querer
sair de lá todos os dias”, relembrou a repórter. O registro da viagem foi feito
no bloco de anotações e num diário de sensações, descrevendo o medo que sentia
de infringir alguma das regras básicas no país e acabar presa. “O que mais
dificultou foi ter que ficar o tempo todo pisando em ovos”, sintetiza.
Na lista de seis mandamentos que Johanna formulou para jornalistas
que desejam ir a Pyongyang, lições que seguiu à risca durante a cobertura:
nunca se afastar do guia; não dobrar o jornal com a foto de Kim Jong-un, líder
do país; não dizer Coreia do Norte, pois lá não se fala assim; não levar livros
perigosos; não tirar fotos despreocupadamente; e levar dinheiro, porque não é
possível usar cartão de crédito ou débito.
Atenta às brechas e sem fazer abordagens bruscas ou
contrariar os guias que lhe acompanhavam, Johanna conseguiu fazer questões que
pretendia. Essencial para isso, foi a troca de informações com outros
profissionais que estiveram na Coreia do Norte anteriormente e lhe ajudaram a
perceber as limitações que teria. Para Fabiano, o contato prévio e a pesquisa
feita pela equipe da Folha também foram essenciais. “Uma reportagem
bem-sucedida raramente é trabalho de uma pessoa só”, frisa.
Acesse as reportagens:
O 12º
Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji
e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo
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for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa,
Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por
estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto
e diretores da Abraji.