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28/06/2019

Descrença na mídia local é terreno fértil para imprensa internacional

Declínio de partidos moderados e desinformação nas redes sociais
durante eleições criaram pano de fundo para crise política

Por Juliana Fronckowiak Geitens, Mariana Soares e Yasmin Oliveira

Andrew Fishman (Intercept), Sam Cowie (Freelancer), Brad Haynes (Reuters), Sarah Maslin  (Economist). Foto: Mariana Soares
“A última ameaça da América Latina”. Foi com essa manchete que o jornal britânico The Guardian expôs suas preocupações em torno da eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em 2018. E não foi o único. Veículos como o The New York Times, El País, BBC e The Intercept também colocaram o então candidato como uma de suas principais pautas sobre o Brasil.

O cenário era: economia em baixa, desemprego em alta, falta de confiança nas instituições. “Estava muito fácil massacrar a esquerda depois de 13 anos de poder”, afirma Carla Jimenez, chefe da redação da sucursal brasileira do El País, sobre as eleições durante o 14º Congresso Internacional de Jornalismo da Abraji.



Sensibilidade e excessos na cobertura de tragédias

Em Mariana, 19 pessoas morreram, e em Brumadinho foram 246 vítimas fatais

Por Beatriz Santoro e Natalia de Souza
Edição Pâmela Ellen
 Amanda Rossi (BBC Brasil). Foto: Natália de Souza

Veterana em diversos tipos de coberturas, a repórter da BBC Amanda Rossi, afirma que “a sensibilidade é o que aproxima e provoca empatia nos leitores”, em especial nos casos de coberturas de tragédias.

O consenso entre os jornalistas participantes da palestra é de que vítimas como as afetadas pelos rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho, devem ser tratadas com sensibilidade e respeito durante as reportagens. 


25/06/2016

Novas ferramentas na web expandem capacidade investigativa de jornalistas



Por Isabella de Luca

O impacto da tecnologia no jornalismo nos últimos vinte anos ainda exige adaptação contínua, o que gera preocupação com o futuro da produção e também com o consumo de notícias. Mas algumas ferramentas de apuração abrem novas possibilidades aos repórteres. Foi sobre essas técnicas de busca que Paul Myers, especialista em pesquisa e investigação online da BBC falou nesta sexta-feira (25), no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Fotos: Alice Vergueiro
Myers desenvolveu estratégias a partir de mecanismos de busca que compartilhou em treinamentos com colegas jornalistas de veículos como "The Guardian", "CNN" e "The Daily Telegraph".  Uma delas, utilizada para encontrar informações sobre empresas, permite que o usuário descubra quem é o responsável e em que país está hospedado o site da empresa. Basta colocar o endereço do site no portal who.is. "Se você quiser descobrir a identidade de um anunciante que aparece no seu Facebook, vá a esse site (Nesse momento, Myers mostrou o procedimento utilizando o anúncio de uma bolsa da marca Michael Kors). Nesse caso, o servidor está na China, então não acredito que seja verdadeiro [o produto]", disse.

Outra ferramenta bastante útil para jornalistas, segundo ele, é a "ImageMetaData". Ao abrir a foto de perfil de uma pessoa no Twitter e, em seguida, com o botão esquerdo, copiar o link da imagem, todas as informações sobre a foto aparecerão num quadro: é possível saber quando e onde foi tirada, qual o tipo da câmera e inclusive o ângulo em que a foto foi tirada. Já o Geofeedia permite que o usuário delimite um perímetro urbano para mapear postagens de redes sociais feitas a partir daquele local. Dessa forma, é possível monitorar os posts feitos em espaços ou eventos específicos como shoppings, universidades e centros de convenções.


O Facebook também é uma plataforma que pode servir para a apuração de dados sobre uma pessoa. Na página e-mail-format.com, o usuário fornece o local de trabalho da pessoa investigada e rapidamente obtém seu e-mail, o que pode ser usado para acessar o perfil de alguém difícil de ser encontrado na rede social. Ir ao Graph.tips e oferecer o nome de usuário da pessoa no Facebook permite descobrir todos os seus comentários e "curtidas".

"Se eu estou fazendo uma apuração sobre uma empresa que foi fechada, posso visitar o archive.org e acessar um site que não existe mais", disse Myers.

Segundo ele, todas essas ferramentas estão disponíveis para consulta e são de uso livre. Ele alertou que o risco está em fazer uso dessas ferramentas para fazer algo ilegal, como utilizar a senha de alguém ou fazer um perfil falso em uma rede social.

Existe, no entanto, um aplicativo cujo sistema de segurança é poderoso para evitar que informações pessoais se espalhem pela rede, como Whatsapp e Telegram. "É muito difícil de usá-los para uma investigação", garantiu Myers.

Confira aqui essa e outras ferramentas de busca mencionadas durante a palestra: www.researchclinic.net

O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.