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24/06/2016

Panama Papers: investigação inédita envolveu 370 jornalistas de 76 países

Por Isabella de Luca

O escândalo conhecido como "Panama Papers", que envolveu políticos e personalidades globais relacionadas a contas "offshores" construídas em paraísos fiscais, veio à tona no dia três de abril deste ano. Os jornalistas Fernando Rodrigues, do UOL, José Roberto de Toledo, do jornal O Estado de S.Paulo, peças-chave da publicação do caso no Brasil, e Marina Guevera,  diretora do ICIJ (sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), falaram nesta sexta-feira (24) sobre os bastidores do caso  que envolveu 370 jornalistas de 76 países. A exposição ocorreu no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. 
Fotos: Alice Vergueiro

Nos doze meses que antecederam a publicação simultânea do caso em diversos países, foram analisados mais de onze milhões de documentos. Nada disso seria possível sem o ICIJ, organização americana sem fins lucrativos de auxílio a profissionais da imprensa, que ofereceu suporte financeiro, técnico e de infraestrutura aos colaboradores. A organização também teve papel central em outras investigações jornalísticas, como o caso "SwissLeaks".

A forma inédita como se deu a investigação constituiu um marco no "modus operandi" do jornalismo, afirmou Fernando Rodrigues. "No século XXI, tudo vai ser global. Estamos vendo o que está acontecendo com a Lava Jato. Seria impossível uma única organização jornalística fazer algo grande assim. A colaboração é o único caminho", disse.


Durante um ano, os jornalistas compartilharam documentos e informações em plataformas online desenvolvidas pela organização de jornalistas. "Eu chamo esse espaço de 'sala de terapia', pois não dividimos apenas informações. Às vezes, num caso como o do 'Panama Papers', muitos profissionais podem se sentir isolados ou se questionar se devem publicar algo ou não", confidenciou Marina.

A publicação dos documentos vazados ocorreu de forma simultânea em todas as organizações jornalísticas integrantes da cobertura. No dia três de abril, jornais, revistas e sites de várias partes do mundo revelaram o caso. Para Rodrigues, "o que é impressionante é que havia tantos jornalistas envolvidos e absolutamente nada vazou, houve uma colaboração enorme". 

De acordo com o jornalista, não houve interferência no modo como cada veículo tratou o caso, sendo preservadas as identidades de cada um. "Acho que foi formada uma espécie de padrão para organizações jornalísticas que queiram fazer isso futuramente", afirmou.

REPERCUSSÃO E LEGADO 

O escândalo teve repercussão diferente nos países em que o caso foi publicado, gerando em muitos deles ações concretas. Protestos tomaram as ruas da Islândia e o país iniciou sua própria investigação. No Uruguai, Juan Pedro Damiani, integrante do Comitê de Ética da Fifa, renunciou ao cargo. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama se disse preocupado com a legislação vigente que permite a abertura e operação de "offshores" em paraísos fiscais. Segundo a diretora do ICIJ, foi a primeira vez que a legalidade foi questionada: "As pessoas pararam para pensar e se perguntaram: 'como isso é legal?'".


Rodrigues e Toledo citaram as principais listas de investigação e checagem dos nomes brasileiros com "offshores" no Panamá, sobre as quais se debruçaram no primeiro semestre deste ano. Constam nelas 1.061 deputados e ex-deputados estaduais, trinta mil servidores do executivo federal, todos os citados na Operação Lava Jato, senadores (incluindo suplentes e, em alguns casos, familiares), além de diretores e ex-diretores da Petrobras.

Rodrigues concluiu afirmando que, além de produzir histórias de relevância em muitos países e provocar mudanças na prática jornalística, o "Panama Papers" trouxe uma importante mensagem: "O que ficou é que a Engenharia 'offshore' é claramente um benefício de grupos com grande poder aquisitivo em detrimento dos países". 


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

03/07/2015

Apesar da LAI, acesso à informação piora em 2015

por Camila Alvarenga

Foto: Beatriz Sanz
Quase três quartos dos órgãos públicos consultados para a elaboração do Mapa de Acesso a Informações Públicas 2015 não responderam às perguntas realizadas. O resultado é pior que o obtido em 2007, ano em que a Abraji realizou pela primeira vez o levantamento junto aos três poderes. A expectativa da equipe responsável era de que os números fossem melhores neste ano, em função da Lei de Acesso à Informação (LAI), em vigor desde 2012.


Ivana Moreira, Marina Atoji e Fernando Rodrigues, que coordena o Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, se reuniram nesta sexta-feira (3), durante o 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, para comentar o processo de composição do mapa que mede o estado de acesso a informações públicas no Brasil. A discussão foi moderada por Guilherme Canela, assessor de comunicação e informação da Unesco. No levantamento, foram solicitados indicadores relacionados a salários de servidores, dados sobre segurança e gestão pública, entre outros.

Segundo Ivana, diretora da Abraji, sempre houve uma resistência pela maior parte dos órgãos procurados para entregar suas informações. Dos 26 estados e o Distrito Federal, apenas três atenderam a todas as demandas solicitadas em nível legislativo: Rondônia, Bahia e São Paulo. Dos 135 órgãos consultados na pesquisa como um todo, 73% não responderam. "Quando a gente comparou com 2007, vimos que, incrivelmente, houve uma piora. Com a Lei, a gente teve até menos respostas do que quando ela não existia. Mudou o compromisso desses órgãos com a entrega de informações, desde que a gente começou a acompanhar", contou ela, que completou: "Fiquei muito triste com isso porque esperava que houvesse um avanço".

Quanto ao processo de formulação do mapa, a equipe reuniu uma série de respostas curiosas dadas pelos órgãos, que chamaram de "pérolas", para não responder às questões que eram enviadas. "Eu vivo em Belo Horizonte e várias vezes recebia reclamações dizendo: 'Eu não entendo por que uma jornalista de Belo Horizonte quer um dado do Mato Grosso', todos os anos isso é frequente", disse Ivana. Outra resposta era pedir à equipe que preenchesse um formulário diferente para cada órgão que queriam que respondessem às questões. "Eram só 63 órgãos onde a gente teria que fazer (requerimentos) para conseguir a informação que, em outros estados, bastou só pedir", continuou ela.

É importante lembrar que a Lei de Acesso também diz respeito à população em geral, não somente a jornalistas, por mais que sejam eles os que mais fazem uso dela. Os quatro palestrantes ressaltaram que muitas pessoas, inclusive jornalistas, nem sabem que a lei existe. "Desse jeito, imagine (como é) para o cidadão comum tentar conseguir uma informação que nem sabe a quem perguntar, onde procurar. É muito pior", pontuou Ivana. "Quando se derem conta de que isso tem impacto na vida cotidiana, vão crescer os pedidos de acesso", assegurou Guilherme Canela.

"O DNA do Estado brasileiro é um DNA de segredo, não é um DNA de acesso. Mas é superimportante fazer isso, insistir no acesso. Parece um pouco depressivo por ser muito difícil, mas é para continuar insistindo porque é um processo que vai demorar para se alterar", afirmou Canela. Segundo ele, o fato de existir uma legislação já permite que haja um progresso, mas é necessário as pessoas incentivarem o cumprimento da lei.

Fernando Rodrigues, que além de coordenar o Fórum de Direito de Acesso também é jornalista do UOL, com bastante experiência com a Lei de Acesso, contou que, "ao requerer informações públicas é importante mandar tudo certinho, saber como recorrer, quais os formulários que tem que mandar, porque ganha-se tempo". Segundo ele, "se não mandam as informações, dá para partir direto para um processo judicial". No site do Fórum é possível encontrar um modelo de requerimento que, depois de preenchido, deve ser encaminhado para o Serviço de Informações ao Cidadão do órgão ou setor do órgão público que detém a informação.

Apesar de todas as dificuldades, Ivana reforçou que há muito que se celebrar. "Tem muita matéria sendo feita graças à Lei de Acesso. Ainda que os nossos resultados mostrem que ainda existe essa cultura de sigilo da informação, temos muito o que comemorar", disse ela. "O importante é a gente continuar usando", finalizou Ivana. Ela lembrou que é importante informar nos textos que os dados foram obtidos via lei, para "fortalecê-la e mostrar para os órgãos a importância que isso está ganhando".

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

02/07/2015

Critério e cuidado: saiba como Fernando Rodrigues e Chico Otávio apuraram o caso SwissLeaks

Por Karine Seimoha

Foto: Phillippe Watanabe
Como apurar e preparar a cobertura de um escândalo do tamanho do SwissLeaks? Afinal, é um trabalho gigante. Os dados vazados por Hervé Falciani – ex-funcionário do HSBC suíço - revelaram informações de contas de 106 mil clientes de 203 países. Mais de cem bilhões de dólares. Só de brasileiros, surgiram mais de 6600 contas bancárias que juntas, somam mais de 7 bilhões de dólares. O país é o 4º com maior número de envolvidos. A resposta dos dois jornalistas brasileiros que tiveram acesso à lista completa é: com critério e cuidado.

Foi montada uma verdadeira força-tarefa internacional. A investigação foi coordenada pelo International Consortium of Investigative Journalism (ICIJ) e envolveu 163 jornalistas de 65 veículos de 55 países.

De acordo com Fernando Rodrigues, integrante do ICIJ e colunista do Portal UOL, que veio ao 10º Congresso da Abraji para dar uma palestra sobre o tema, é importante ressaltar que nem todas essas contas são ilegais, visto que é permitido aos brasileiros manter dinheiro em outros países de forma legal, declarando as remessas enviadas ao exterior no Imposto de Renda.

Rodrigues informou que o governo brasileiro poderia ter pedido acesso aos dados sobre o escândalo através do governo francês, mas não fez nada. Grande parte dos países que tem cidadãos envolvidos no escândalo manifestaram interesse em receber os dados, como Inglaterra e Argentina. O Brasil não faz parte dessa lista de países que solicitou as informações ao fisco francês – órgão que recebeu os dados vazados pelo ex-funcionário do banco suíço - segundo o jornalista, porque não houve interesse. "O governo não fez nada. Eu procurei autoridades brasileiras, mas eles simplesmente não se mexeram."

Mais recentemente, porém, o governo brasileiro solicitou essas informações ao fisco francês, e deve recebe-las em breve. Fernando Rodrigues ressaltou que a Receita Federal já teve acesso aos dados e divulgou-os sem checagem de legalidade, isto é, se todas as contas referidas no documento eram ilegais ou não.

A Receita Federal, por sua vez, afirmou, em nota na época, que não há como cobrar impostos das remessas enviadas ao exterior e não declaradas, pois os dados são de 2006/2007, e esse crime prescreve após cinco anos. Rodrigues afirma que, no escândalo, estão envolvidos dois tipos de crime: sonegação de impostos e evasão de divisas, e este último não prescreve.

Chico Otávio, jornalista do O Globo, tem conduzido as apurações junto com Rodrigues, e afirma que eles têm procedido com muita cautela e divulgam apenas nomes de envolvidos que atendem ao critério de relevância de exposição pública. Além disso, todos os envolvidos foram procurados pela dupla antes de terem seus nomes divulgados. Uma das ferramentas de apuração utilizada (pela grande maioria dos países cujos cidadãos estão envolvidos no escândalo) é a ferramenta conhecida como Linkurious.

Otávio afirma que a forma como ele e Rodrigues têm conduzido as apurações e a divulgação dos nomes é correta, pois, até o momento, não receberam nenhum processo, apenas uma notificação extrajudicial.

Foto: Phillippe Watanabe
O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.


02/07/2011

Jornalismo Investigativo – e o que acontece agora?

Por Eduardo Nascimento, Jéssica Mota, Maria Clara Lima e Marta Santos

Depois de três dias intensos, em que 125 palestrantes discursaram em 69 cursos e paineis, o 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo terminou com uma mesa em que estavam grandes nomes do jornalismo nacional e internacional, debatendo quais serão os rumos do jornalismo investigativo na era digital. O problema atual é que a receita vinda da internet ainda não é suficiente para bancar grandes investigações e o modelo que se estabeleceu nos jornalismo on-line é de textos curtos e pontuais.

Mesmo assim Rosental Calmon Alves, homenageado do evento, apresentou uma visão otimista sobre o assunto. Para ele “nunca foi melhor ser jornalista do que agora”, pois o mundo de ferramentas trazido pela internet possibilita inúmeras novas formas de jornalismo. Alves foi acompanhado de Joshua Benton (Nieman Lab), David Donald (The Center for Public Integrity), Brant Houston (Global Investigative Journalism Network), Bill Allison (Sunlight Foundation) e Fernando Rodrigues (Abraji).

Benton, que dirige o Nieman Journalism Lab de Harvard, concorda com Alves e afirma que jornalismo investigativo não é só para os repórteres mais experientes. Para ele, investigação pode ser feita em qualquer gênero de reportagem: “você pode ter parágrafos investigativos, frases investigativas dentro do texto”.

David Donald, especializado em banco de dados, crê que a chave para ser bem sucedido no mundo digital está em chamar a atenção no meio da névoa cibernética de informação. “Para o jornalismo investigativo quebrar essa barreira, ele tem que conseguir ser lido”. Por isso, Donald acredita que editores nunca foram tão necessários, para sugerir quais plataformas midiáticas podem ser usadas como o conteúdo conseguidos pelos repórteres.

Ele também afirma que o jornalista do futuro precisa saber lidar com uma gama variada de dados para investigação. Bill Allison ressalta o papel do jornalista nesse sentido – como hoje o custo para obter informações é muito baixo, o jornalista não precisa ir longe para conseguir, mas “ainda é preciso ter um jornalista para fazer boas perguntas”.

As fundações e as escolas

Um dos meios que o jornalismo investigativo encontrou para se bancar nesse começo de era é utilizando dinheiro de fundações – como acontece com a “ProPublica.com”, o “Knight Center for Journalism” e, aqui no Brasil, a “aPublica.org”. No entanto, nesse modelo todos os recursos vêm de poucas fontes, certas vezes de fonte única, o que o deixa muito frágil e dependente. Alves o defende mesmo assim, mas apenas como pontapé inicial para essas iniciativas: “dinheiro de fundação é dinheiro fundacional do projeto”, afirma.

Donald dá como exemplo de alternativa uma iniciativa do “Center for Public Integrity”, de oferecer assinaturas que garantam um conteúdo ou aplicativos extra, a exemplo do “pay wall” do New York Times. Já Benton acredita que um financiamento baseado majoritariamente em leitores não é viável, mas também nunca foi a fonte principal dos jornais estadunidenses, “nos EUA as pessoas não estão acostumadas a pagar por jornalismo”. Para Benton uma consequência inevitável da internet é que as “redações terão que diminuir”.

A mesa também foi unânime em afirmar que os cursos de jornalismo precisam se aprimorar. Para Houston, as escolas jornalísticas devem otimizar técnicas e habilidades. “O importante é dar aos estudantes lugar para trabalhar em suas matérias”, afirmou. Alves vê a criação de produtos jornalísticos para as comunidades universitárias como um grande viés para aprendizagem. Para ele, é importante dar espaço para o estudante criar. “Pratique, não teorize tanto”, sentencia o jornalista.

O professor como guia e aprendiz

A discussão entre teoria e prática nas escolas de jornalismo ultrapassou a mesa de debate. No final da palestra, Rosental Calmon Alves, avisou “ninguém está preparado para mudanças, mas o bonito desse processo é que dá para aprender juntos”. O jornalista homenageado no Congresso acredita que os professores de jornalismo precisam aprender a entrar em sinergia com a tecnologia e os alunos. “Não precisa ter medo de aprender, muito menos de ensinar”, diz. Ele lembra, ainda,  que o professor precisa reconhecer suas limitações e aprender com os alunos, sendo um guia e facilitador do processo de aprendizagem, e não apenas um ditador de verdades.

Bill Allison, da Sunlight Foundation, foi mais além, e comparou o jornalismo atual ao “new journalism” – jornalismo literário- incorporado as grandes redações nos anos de 1960. Para ele, por causa da efervescência daquela época, houve a necessidade de uma nova linguagem no jornalismo, resultando em uma reconfiguração das reportagens e até da apuração. “Imagino que se aquelas pessoas tivessem os recursos que temos hoje, o que elas teriam inventado?”, indagou ao constatar que o avanço tecnológico é uma ferramenta poderosa para o jornalista de hoje. Ele pede para que os estudantes de jornalismo sejam empreendedores e agarrem a oportunidade de se fazer algo novo. “Não existe isso de que os jornais vão acabar, e que não poderemos mais fazer reportagens investigativas”, para ele, é preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre o jornalismo de qualidade e a era digital. É apenas uma questão de adaptação.

Rosental Calmon Alves explica como o ensino do jornalismo deve ser no contexto atual.



Rosental Calmon Alves fala da nova postura que o professor de comunicação deve adotar.



O encerramento do Congresso aconteceu no dia 2 de julho de 2011, na sede da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, como parte do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (www.abraji.org.br). A mesa foi moderada pelo jornalista Fernando Rodrigues. Os palestrantes foram Rosental Alves, Joshua Benton, David Donald, Bill Allison e Brant Houston.