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12/09/2020

O que acontece do outro lado do balcão depois de submetermos um pedido via LAI?

Especialistas esclarecem questões mal compreendidas por quem usa a ferramenta e explicam os procedimentos dos operadores com o fluxo de pedidos e recursos através da plataforma e-SIC

Por: João Vitor Reis e Amanda Oliveira

Edição: Pamela Chagas


O que acontece depois que um jornalista faz uma solicitação à qual ele tem direito por meio da Lei de Acesso à Informação
 
Márcio Cunha Filho, auditor da Controladoria-Geral da União (CGU), e Thomaz Barbosa, superintendente de Integridade e Controle Social na Controladoria Geral do Estado de Minas Gerais, buscaram responder essa pergunta na 15ª edição do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo neste sábado (12), em uma conversa mediada por Maria Vitória Ramos, jornalista e diretora da agência de dados independente Fiquem Sabendo, especializada na Lei de Acesso à Informação. 

O caminho é simples: na internet, pedidos são feitos por meio da plataforma e-SIC, disponível para qualquer pessoa. Para agilizar o processo, porém, é importante evitar erros básicos. 

Como faço para usar a Lei de Acesso à Informação?

“A LAI nos livrou de depender da assessoria de imprensa”, afirma Luiz Fernando Toledo, da CNN Brasil

Por: Carina Gonçalves e Douglas Figueiredo

Edição: Raquel Brandão


A Lei de Acesso à Informação (LAI) é uma ferramenta poderosa e pode ser aliada da produção jornalística. Ela obriga órgãos públicos a responderem a pedidos de informação, determina regras a serem respeitadas para o acesso aos dados, e gera uma grande e diversa fonte de dados para apuração e construção de reportagens. No entanto, embora exista conteúdo robusto sobre esse instrumento, nem todos sabem como usá-lo.

A Constituição de 1988, no item 33 do Artigo 5 -- que garante a liberdade de expressão --, já previa a transparência de informações e a igualdade de todos. Mas foi somente em 2011 que a LAI recebeu uma regulamentação: a Lei nº 12.527, que a concedeu o nome atual e normas específicas.

“Por ter demorado tanto, nós conseguimos bons exemplos e boas práticas para fazer uma lei bastante boa – pelo menos no papel. Ela atinge todas as esferas de poder”, afirma a jornalista Marina Atoji, gerente de projetos na ONG Transparência Brasil e especialista em Lei de Acesso à Informação.

Marina e Luiz Fernando Toledo, jornalista de dados na CNN Brasil, conversaram sobre os benefícios do uso da LAI e explicaram as formas de fazer isso no painel “Nunca Usei a Lei de Acesso à Informação. Como Faço?”.

03/07/2015

Apesar da LAI, acesso à informação piora em 2015

por Camila Alvarenga

Foto: Beatriz Sanz
Quase três quartos dos órgãos públicos consultados para a elaboração do Mapa de Acesso a Informações Públicas 2015 não responderam às perguntas realizadas. O resultado é pior que o obtido em 2007, ano em que a Abraji realizou pela primeira vez o levantamento junto aos três poderes. A expectativa da equipe responsável era de que os números fossem melhores neste ano, em função da Lei de Acesso à Informação (LAI), em vigor desde 2012.


Ivana Moreira, Marina Atoji e Fernando Rodrigues, que coordena o Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, se reuniram nesta sexta-feira (3), durante o 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, para comentar o processo de composição do mapa que mede o estado de acesso a informações públicas no Brasil. A discussão foi moderada por Guilherme Canela, assessor de comunicação e informação da Unesco. No levantamento, foram solicitados indicadores relacionados a salários de servidores, dados sobre segurança e gestão pública, entre outros.

Segundo Ivana, diretora da Abraji, sempre houve uma resistência pela maior parte dos órgãos procurados para entregar suas informações. Dos 26 estados e o Distrito Federal, apenas três atenderam a todas as demandas solicitadas em nível legislativo: Rondônia, Bahia e São Paulo. Dos 135 órgãos consultados na pesquisa como um todo, 73% não responderam. "Quando a gente comparou com 2007, vimos que, incrivelmente, houve uma piora. Com a Lei, a gente teve até menos respostas do que quando ela não existia. Mudou o compromisso desses órgãos com a entrega de informações, desde que a gente começou a acompanhar", contou ela, que completou: "Fiquei muito triste com isso porque esperava que houvesse um avanço".

Quanto ao processo de formulação do mapa, a equipe reuniu uma série de respostas curiosas dadas pelos órgãos, que chamaram de "pérolas", para não responder às questões que eram enviadas. "Eu vivo em Belo Horizonte e várias vezes recebia reclamações dizendo: 'Eu não entendo por que uma jornalista de Belo Horizonte quer um dado do Mato Grosso', todos os anos isso é frequente", disse Ivana. Outra resposta era pedir à equipe que preenchesse um formulário diferente para cada órgão que queriam que respondessem às questões. "Eram só 63 órgãos onde a gente teria que fazer (requerimentos) para conseguir a informação que, em outros estados, bastou só pedir", continuou ela.

É importante lembrar que a Lei de Acesso também diz respeito à população em geral, não somente a jornalistas, por mais que sejam eles os que mais fazem uso dela. Os quatro palestrantes ressaltaram que muitas pessoas, inclusive jornalistas, nem sabem que a lei existe. "Desse jeito, imagine (como é) para o cidadão comum tentar conseguir uma informação que nem sabe a quem perguntar, onde procurar. É muito pior", pontuou Ivana. "Quando se derem conta de que isso tem impacto na vida cotidiana, vão crescer os pedidos de acesso", assegurou Guilherme Canela.

"O DNA do Estado brasileiro é um DNA de segredo, não é um DNA de acesso. Mas é superimportante fazer isso, insistir no acesso. Parece um pouco depressivo por ser muito difícil, mas é para continuar insistindo porque é um processo que vai demorar para se alterar", afirmou Canela. Segundo ele, o fato de existir uma legislação já permite que haja um progresso, mas é necessário as pessoas incentivarem o cumprimento da lei.

Fernando Rodrigues, que além de coordenar o Fórum de Direito de Acesso também é jornalista do UOL, com bastante experiência com a Lei de Acesso, contou que, "ao requerer informações públicas é importante mandar tudo certinho, saber como recorrer, quais os formulários que tem que mandar, porque ganha-se tempo". Segundo ele, "se não mandam as informações, dá para partir direto para um processo judicial". No site do Fórum é possível encontrar um modelo de requerimento que, depois de preenchido, deve ser encaminhado para o Serviço de Informações ao Cidadão do órgão ou setor do órgão público que detém a informação.

Apesar de todas as dificuldades, Ivana reforçou que há muito que se celebrar. "Tem muita matéria sendo feita graças à Lei de Acesso. Ainda que os nossos resultados mostrem que ainda existe essa cultura de sigilo da informação, temos muito o que comemorar", disse ela. "O importante é a gente continuar usando", finalizou Ivana. Ela lembrou que é importante informar nos textos que os dados foram obtidos via lei, para "fortalecê-la e mostrar para os órgãos a importância que isso está ganhando".

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.