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02/07/2015

Es necesario un mayor esfuerzo para comprender a la Amazonia y sus habitantes, dice Eliane Brum

Por Ángela Reyes*

Foto: Camila Andrade
Para hacer buenos reportajes sobre la Amazonia, lo primero que hay que entender es que “no existe una Amazonia, sino varias” y serían necesarias múltiples vidas para conocerlas todas en profundidad, explicó durante su presentación en Abraji la reconocida periodista Eliane Brum.
Conscientes de esa limitación y de que “la verdad absoluta no existe”, los periodistas deben intentar “comprender cada una de las singularidades” de la región y de los indígenas que la habitan, intentar “descifrar al otro y el mundo del otro”.

Comprender al otro significa, antes que nada, reconocer al momento de iniciar una historia el desconocimiento que tiene cada uno sobre la Amazonia. Y también implica, según Brum, estar dispuesto a cuestionar las propias visiones del mundo. “Si no estamos dispuestos, podemos pasar seis meses en la Amazonia y volver tal como nos fuimos: atados a nuestras propias creencias”, reflexionó la periodista, que ganó durante su carrera más de 40 premios nacionales e internacionales por sus reportajes.

Para lograr la comprensión, la principal herramienta de trabajo es la escucha profunda, explicó Brum. La escucha es la “cualidad que garantiza la calidad del reportaje” y supone estar atento tanto a lo que dicen los entrevistados como a lo que callan, a la voz pero también a los gestos. Es una escucha “que no se hace solo con los oídos sino con todos los sentidos”, agregó.

La escucha permitirá a los periodistas comprender qué significa para los indígenas cada uno de los aspectos de su vida: la casa, la comida, el río y los árboles, por citar ejemplos de elementos que quienes no viven en la selva creen comprender pero en realidad no lo hacen. Las muestras de este desconocimiento se ven todo el tiempo, según Brum, quien citó una encuesta que se realizó tiempo atrás a un grupo de indígenas en la que se les consultaba "¿qué hacen en su tiempo libre"? Esta pregunta refleja una completa ignorancia de la forma en que los indígenas entienden el tiempo. Y, como este caso, hay infinidad de otras ocasiones en que por "ignorancia, mala fe o ambas" se demuestra una absoluta incomprensión del mundo que es la Amazonia.

Una buena cobertura sobre la Amazonia implica también dejar de reproducir los discursos hegemónicos existentes sobre el “pulmón del mundo”, según Brum. La periodista explicó que durante la última dictadura (1964-1985) se generó un discurso vinculado a “la conquista de la Amazonia”, que entiende a la selva como un sitio sin sujeto que por ende se convierte en objeto y es susceptible de ser dominado. Este discurso no se limitó a la dictadura, sino que logró atravesar gobiernos democráticos. Reproducir los discursos hegemónicos es ponerse “al servicio de intereses políticos y económicos”, consideró.

El discurso de “conquista” incluía la suposición de que la Amazonia estaba vacía. Referirse a ella como el “desierto verde” y marcar la necesidad de poblarla suponía no reconocer la existencia de indígenas allí o no reconocer a los indígenas como personas. Con los años esta retórica se modificó, pero no se volvió más amigable hacia los habitantes de la selva: ahora son considerados como opuestos al progreso. A este discurso se enfrenta el de sectores como las organizaciones ambientalistas.

En la Amazonia el conocimiento se transmite de manera oral. Por eso, los periodistas que se dedican a cubrir historias vinculadas a esta región tienen la responsabilidad y a su vez el privilegio de plasmar esa oralidad en documentos escritos. Según Brum, también documentalista, “somos constructores de la memoria de otros, documentamos la historia en movimiento”.

Para la escritora es importante hacer el esfuerzo de mejorar la comprensión y de no reproducir los discursos existentes vinculados a la Amazonia porque “la forma en que se narra influye en la formación del momento histórico”.

* é jornalista uruguaia convidada a acompanhar o Congresso pela Unesco.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Texas Tribune mostra que é possível fazer bom jornalismo sem lucrar nada

Por Beatriz Quesada

Foto: Alice Vergueiro
É possível fazer uma boa cobertura de política regional, engajando o público, sem cobrar pelo acesso ao conteúdo e formando cidadãos conscientes, disse o jornalista e co-fundador do Texas Tribune,  Evan Smith, no primeiro dia do 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, em São Paulo. 

Na sessão especial "Jornalismo sem fins de lucro, sustentável e próspero - o caso de êxito do Texas Tribune", Smith explicou que o site foi lançado há seis anos e está descobrindo um novo jeito de fazer jornalismo. Ele acredita que uma empresa jornalística que pretenda ter lucro, está obrigada a opferecer uma cobertura menos imparcial. Para Smith, apartidarismo, crítica e independência não são geradores de lucro, mas de valores.

Todo o conteúdo do Texas Tribune é disponibilizado online e repassado para outros veículos gratuitamente. Além disso, são realizados eventos com figuras políticas relevantes no cenário local - um por semana em diferentes regiões do estado - com o objetivo de aproximar o cidadão da política, e criar ferramentas para que ele tome decisões mais acertadas, educando o público a exercer sua cidadania de forma mais ativa.

Além da missão educativa, outro pilar do projeto é o jornalismo de dados, que, segundo Smith, deveria ser chamado apenas de jornalismo, uma vez que atualmente é impossível não utilizar o recurso. Esses dados são disponibilizados por meio de gráficos ou situações interativas, que permitem ao cidadão comparar diversas situações, e assim fazer escolhas mais conscientes.

Todo esse projeto só é possível graças a doações individuais, de fundações e de patrocínio direto de corporações. Porém, para os patrocinadores, não existe nenhuma contrapartida de exibição de anúncio no site. Apesar disso, o Texas exibe o logo de seus apoiadores. Além disso, Smith ressalta que a publicação adota uma postura de "transparência radical", pois cada dólar doado é divulgado em tempo real no site da empresa.

Esses diferenciais fizeram com que a iniciativa tivesse sucesso e esteja crescendo até hoje, com quase um milhão de acessos mensais no site, segundo seu co-fundador. Parcerias como a que foi estabelecida com o New York Times e, atualmente, com o Washington Post, ajudaram a alavancar as visitas.

Esse crescimento se mantém pela diversidade de formatos - texto, vídeo, áudio - embora não exista uma grande variedade de conteúdo. Isso ocorre pois o Texas Tribune é uma publicação voltada para um único nicho de um estado americano, enquanto a maioria dos veículos, mesmo os locais, buscam cobrir os mais variados assuntos. Segundo Smith, não importa o quão relevante seja um acontecimento no Texas, ele só será pauta caso envolva política e administração pública.

Embora o assunto não pareça tão atraente, o site surgiu em uma época de crise, na qual havia poucos jornalistas cobrindo política por conta de demissões em massa nos grandes jornais americanos. Isso criou uma demanda por cobertura na área, que pode ser observada no Texas com a constatação de que o estado teve o menor percentual de votos nas últimas três eleições dos Estados Unidos.

Smith acredita que a expressão maior da cidadania se dá através do voto. Ele ressaltou ainda que é dever do jornalismo oferecer as bases e as ferramentas para que a população tenha maior acesso ao governo, tome decisões com mais responsabilidade e para que exista maior transparência no processo político como um todo.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.