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27/06/2019

Repórteres rodam o país para descobrir "onde está Queiroz"?

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro, militar que movimentou mais de R$1,2 milhão em um ano está foragido desde janeiro 

Por Géssica Brandino e Amanda Stabile
Fábio Serapião (Crusoé) e Juliana Castro (Globo). Foto: Guto Marcondes / Abraji
O paradeiro de Fabrício José Carlos de Queiroz, policial militar e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro é a pergunta que não quer calar em torno de um caso revelado há seis meses. Fábio Serapião, autor do furo e atualmente na Crusoé, conta já ter viajado para alguns lugares do Brasil em busca de pistas e nada. 

“Eu viajei algumas cidades atrás dele, mas ainda não tive o prazer de encontrá-lo”, afirma. Também nessa busca, a repórter Juliana Castro, do Globo, gastou muita sola de sapato para encontrar o policial militar.


Por que elas não falaram antes? Os bastidores do caso João de Deus

As investigações sobre um dos maiores escândalos sexuais do mundo

Por Joyce Moura e Luana Nunes
Edição Cristiane Paião e Pâmela Ellen Chagas Gama
Foto: Alice Vergueiro / Abraji
Para Pedro Bial, um dos jornalistas envolvidos na cobertura de um dos maiores escândalos dos últimos tempos, apesar do preconceito e do machismo, responder à pergunta "por que elas não falaram antes" é importante. "A gente sabia que o público ia fazer essa pergunta, então era importante que a gente perguntasse isso, com todo o cuidado e com todo o respeito", enfatiza. 

Foi justamente para dar peso ao depoimento das mulheres abusadas por João de Deus que a equipe envolvida na cobertura precisou se preparar inclusive psicologicamente, para tratá-las como sobreviventes e não como vítimas. Como nunca havia participado de uma cobertura como esta, debateram bastante como poderiam criar até mesmo um manual para cobrir futuros abusos.


24/06/2016

“Quem paga as contas ainda é o papel impresso”, diz editor-executivo da Folha

Por Karina Balan


Os diretores dos três principais jornais brasileiros discutiram nesta sexta-feira (24), no painel "Como investir em reportagem em tempos de crise", os desafios de se fazer bom jornalismo num momento de esvaziamento das redações e de grandes perdas com a receita publicitária. Apesar do momento difícil, João Caminoto, diretor de jornalismo do jornal O Estado de S.Paulo, Sérgio Dávila, diretor-executivo da Folha de S.Paulo e Ascânio Seleme, diretor de redação do jornal O Globo, apostam na combinação entre plataforma digital e histórias exclusivas.

Foto: Alice Vergueiro
"O desafio é continuar sendo relevante, a gente tem que ter gente boa e bem remunerada em abundância, mas não temos. Os problemas dos jornais não estão nas redações, o principal problema é que o anunciante, que pagava metade das contas, foi embora", disse Ascânio Seleme, diretor de redação de O Globo.

 Os jornalistas ressaltaram que a oferta de conteúdo digital é muito grande, o que faz com que a informação seja vista como commodity. Segundo o editor executivo da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila, a abundância de informação faz com que os consumidores atuais estejam pouco dispostos a pagar por notícias.

Contudo, as facilidades da rede não diminuíram os custos de se fazer reportagem. "É muito caro produzir o conteúdo que a gente produz; a gente tem que encontrar meios de buscar novos leitores, apostando em mais análise", conta Ascânio. Os profissionais destacam que a produção de reportagens de fôlego exige a dispensa de bons repórteres das redações, e que as apurações nem sempre geram retorno.

A maior parte da receita dos jornais ainda é proveniente do impresso, embora o número de assinaturas online tenha crescido progressivamente. "Existe um fetiche em torno do digital, mas ele ainda é uma promessa, e não uma realidade do ponto de vista financeiro. Quem paga as contas é o papai impresso", avalia Sérgio Dávila

Em meio à fuga dos anunciantes, os jornais apostam em diferentes conteúdos para cada plataforma. João Caminoto, diretor de conteúdo de O Estado de S.Paulo, afirma que o digital abriu novos caminhos para a reportagem, como o jornalismo de dados dados e reportagens multimídia. "A reportagem em profundidade ganhou força. Agora podemos oferecer novos formatos, em vídeo, podcast, realidade virtual", diz. Para ele, algumas reportagens ganham muito mais vida no ambiente digital .

Quanto às projeções para o futuro, eles acreditam que o jornalismo se adaptará aos novos modelos de negócio. "O que vamos ter é um jornal que vai depender mais da circulação", disse Sérgio Dávila. Segundo ele, os portais de notícia ainda têm que competir com o Facebook, Google, Twitter e Instagram. "Imagine um dia nas rede sociais, sem conteúdo produzido pelos jornais. Será que nós, usuários, nos contentaríamos com este conteúdo?", questiona.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

03/07/2015

Em crise, jornais impressos veem na tradição e na credibilidade a 'luz no fim do túnel'

Por Beatriz Atihe

Foto: Beatriz Sanz
Foto: Beatriz Sanz
O escritor britânico George Orwell dizia que a função do jornalismo é publicar aquilo que ninguém quer que seja publicado. A máxima foi usada pelo diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, para explicar a relação da profissão com a sociedade nos dias de hoje. "Vivemos em uma sociedade em que tudo precisa dar certo e o jornalismo atrapalha. Conviver com o jornalista é conviver com o incômodo", disse no 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em São Paulo.

Gandour falou do futuro dos jornais impressos, ao lado de Ascânio Seleme, diretor do jornal O Globo, e de Vinícius Motta, secretário de redação da Folha de S. Paulo. A marca registrada do papel, para eles, é a credibilidade e a qualidade do conteúdo. Em uma época, na qual a internet e as mídias sociais têm ganhado cada vez mais espaço, eles acreditam que o modelo de negócio mudou e precisa ser adaptado a um novo público.

Para Gandour, um fenômeno que precisa ser discutido é a fragmentação da atenção causada pelos novos meios. "Esse fenômeno afeta tanto o lado da demanda quanto o da oferta. Por exemplo, o anunciante fragmenta mais sua verba e, com isso, o modelo de negócio", disse.

O jornalista ressaltou ainda o enfraquecimento da credibilidade da produção jornalística nas redes sociais. "O jornalismo é a disciplina da verificação e na internet você acaba encontrando textos sem as técnicas jornalísticas. Rumores são publicados sem serem apurados, aspas de organizações são colocadas sem serem averiguadas".

Seleme afirmou que a internet permite que as pessoas escrevam sobre qualquer assunto. "Muitas vezes, as pessoas não têm conhecimento sobre o que estão escrevendo. Então, cabe aos jornalistas colocarem os filtros no que é possível encontrar nesse meio."

Na opinião dele, existem algumas alternativas para enfrentar a crise como o aumento da produtividade com a otimização dos recursos, um planejamento sério, métricas e o domínio da tecnologia. "Os jornais precisam conhecer melhor o seu leitor, fazer apostas no conteúdo e ter qualidade". Seleme acredita que a luz no fim do túnel existirá enquanto os veículos forem portáteis e móveis. "Além de impresso, somos áudio, blogs, gráficos. Somos todas as plataformas dentro do conteúdo. Somos notícia e é isso que vamos buscar."

Ao comentar sobre a diferença entre o impresso e o digital, o jornalista afirma que é o conteúdo diferenciado. "Buscamos dar ao leitor aquelas reportagens fora da pauta, que ele não vai encontrar entre os jornais". Foi nesse sentido que o jornal carioca apostou na criação de uma equipe exclusivamente dedicada à produção do impresso.

Questionado sobre como seria o jornalismo sem o impresso, o secretário de redação da Folha de S.Paulo, Vinicius Motta, disse que isso desvalorizaria o jornalismo. "O impresso não pode acabar sem destroçar uma redação. Metade da força de trabalho não poderia ser empregada. A ideia de preservar o papel é constante e tem o respaldo do público".

Motta reitera que os veículos estão passando por uma crise adaptadora, mas diz ter certeza da sobrevivência dos grandes jornais. "O que é claro para nós é que o produto impresso precisa ser adaptado às novas demandas do público, às novas características da sociedade, à velocidade, à fragmentação. Mas nosso objetivo central é manter o papel para aproveitar o lado bom dessa transformação e os mecanismos que ela oferece".

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

01/07/2011

“É preciso trocar informação”

Por Camila Moura

O que você, estudante de jornalismo ou foca, acharia se pudesse ter acesso ao making off das grandes reportagens, vencedoras dos principais prêmios de jornalismo do país? Todos os segredos e dificuldades seriam desvendados. Essa é a ideia de um projeto que nasceu há 5 anos, e foi retomado nos bastidores do 6º Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji por Sergio Gomes (OBORÉ) e Angelina Nunes (editora assistente da editoria Rio do O Globo e coordenadora do grupo de Administração Pública).

A ideia principal é fazer com que o regulamento dos concursos que premiam reportagens tenham uma cláusula que obrigue os vencedores a descrever em detalhes todo o processo de realização, desde a origem da pauta, as dificuldades e fontes de pesquisa, até chegar ao resultado final. Assim, grandes profissionais estarão contribuindo para a formação do jovem jornalista, uma vez que esse material ficará disponível às universidades.

Registramos o encontro de Sérgio Gomes e Angelina Nunes. Assista ao vídeo e confira: