Mostrando postagens com marcador estilo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador estilo. Mostrar todas as postagens

02/07/2015

Editor de la revista peruana 'Etiqueta Negra' habla de las claves para un buen perfil

Por Ángela Reyes*

Foto: Divulgação
El lector es un enigma, es un traidor, es un infiel. Al finalizar de leer un artículo, sin importar cuál sea el tema o la longitud, solo recuerda uno o dos detalles. Por eso, dice Julio Villanueva Chang, director de la revista peruana Etiqueta Negra, la pregunta fundamental a la hora de elaborar un perfil es: "¿Cómo organizamos el recuerdo de los lectores?".


"Un perfil produce conocimiento y no solo reconstruye información, elige qué contar y qué callar", explica Villanueva durante su conferencia en el Congreso de Abraji titulada (como dice la canción de Caetano Veloso) "De perto, ninguém é normal". La clave, fundamental para el éxito de esta revista especializada en perfiles, crónicas y ensayos, es la elección de los detalles que permiten "captar el carácter esencial" del personaje que se busca retratar, que lo diferencian de cualquier otro de su tipo.

Lo que más le gusta a Messi además de jugar al fútbol es dormir. El ganador del Nóbel de Economía Joseph Stiglitz tiene el reloj con una hora de atraso. Este tipo de detalles prueban que no hay ninguna persona viva o muerta sobre la que esté todo dicho, ni Poncio Pilatos ni Mandela ni Messi. Por eso, el perfil "es un trabajo de excavación (antropológico)", considera Villanueva. "El trabajo de quien hace un perfil es transmitir una experiencia" y "poner una mirada fresca de asombro primitivo" sobre el personaje que está retratando, agrega.

Hacer buenos perfiles, que no se agoten en la narración sino que incluyan además el ensayo de ideas, requiere para Villanueva "dejar de pensar como periodistas", alejarse de todo lo previsible, burocrático o retórico e incluir "cierta locura dentro del orden, cierto pensamiento salvaje". Los periodistas dan en ciertas ocasiones "demasiada importancia" a las noticias en detrimento de las historias que valen la pena.

Para reconocer el detalle que vuelve al personaje interesante (una cuestión de talento pero que también requiere semanas, meses y hasta años de trabajo) hay un método que no falla: identificar paradojas o situaciones de conflicto. "Una chica correcta en ropa interior" fue el título de un perfil de Etiqueta Negra sobre la modelo Giselle Bundchen. ¿La paradoja? En palabras del perfil: "La industria de la moda bosteza con escándalos de anorexia, drogas y derroche, Gisele Bündchen no fuma ni va a fiestas, pide las cosas por favor y construye una casa que funciona con energía solar".

Por otro lado está el conflicto: "El hombre que eligió el bosque y lo asesinaron" narra la historia de un electricista convertido en líder amazónico que fue asesinado por denunciar la tala de árboles ilegal. Además de ser la historia del conflicto de Edwin Chota, este perfil es la historia de todos los que pretenden salvar la selva. Aquí está otro secreto de las buenas narraciones según Villanueva: son particulares y universales a la vez.

Para lograr artículos atractivos, otra clave es "suspender la superioridad moral de unos temas sobre otros", considera Villanueva. Un reportaje sobre guerra, miseria o corrupción puede ser mediocre si el tratamiento es poco original, mientras que un perfil sobre un panadero desconocido puede ser apasionante si está bien logrado. Un punto fundamental para que el perfil sea atractivo es el título, no un agregado que se hace cuando se termina de escribir sino un "faro" que orienta al escritor cuando elabora el texto y al lector cuando llega a sus manos.

"No basta con ser ameno. Ser divertido, tener gracia es una conquista, pero una conquista mayor es tener voz: que tú leas o escuches un texto y sepas que fue escrito por una persona sin que digan el nombre", dice Villanueva. Ese es el largo camino a seguir.

* é jornalista uruguaia convidada a acompanhar o Congresso pela Unesco.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Totti lista os 5 'truques' para um bom texto jornalístico

Por Caroline Monteiro Araujo

Foto: Alice Vergueiro
O jornalista Paulo Totti abriu sua participação no 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, hoje, em São Paulo, dizendo que "um repórter deveria ser pago pelo tempo que consegue manter um leitor lendo a matéria dele". Para ele, os repórteres serão a última raça a ser extinta na Terra. "Ser repórter é a coisa mais importante do jornal. Se ele souber escrever de diversas formas, com bom embasamento intelectual para explorar o fato que encontrou na reportagem, o leitor vai ler todo o texto, por maior que seja", diz.


Totti é repórter veterano. Já cobriu polícia, esporte, internacional, economia e política. Trabalhou na Folha da Tarde, ajudou a fundar a revista Veja, foi assessor de imprensa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e permaneceu no Valor Econômico até 2013. Recebeu o Prêmio Esso de Informação Econômica em 2007, com a reportagem China, o império globalizado. Atualmente, trabalha na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Totti deu o curso "Como melhorar o texto jornalístico" no Congresso da Abraji. Os cinco principais tópicos apresentados por Totti são:

1. Apurar, apurar e apurar: por melhor que o texto seja, a apuração continua sendo a principal arma de uma reportagem. "Sem apuração, você vai escrever uma crônica, e não uma matéria de jornal, porque vai faltar informação." Totti explica que se o repórter tiver tudo apurado, o material estará perfeito, com todos os lados do tema cobertos. Mas informação não é suficiente para um bom texto jornalístico:

2. Criatividade e ousadia: "Sua informação vai ser a mesma que a do seu concorrente. Para as pessoas escolherem o seu texto, ele tem de ser atraente", diz Totti. A dica é observar e estar atento a tudo: ao ambiente, ao contexto, às pessoas; e usar essas informações para dar elegância ao material. "Esses dados, que parecem acessórios, são ótimos para abrir uma matéria de maneira criativa. Mostre o cenário, o passado, as perspectivas que tem de futuro, leve o leitor com você, se não a matéria fica 'xoxa'", comenta Totti. "É o que dá brilho ao texto. A busca pela criatividade tem que ser permanente." Mas então, como perseguir a criatividade?

3. Livros: leitura é a principal matéria-prima da criação. Lendo bons livros, que contem a história do Brasil ou que sejam ótimos exemplos de reportagens, fica cada vez mais fácil colocar ousadia no texto. Totti indica alguns títulos: "para ser um bom repórter no Brasil, você tem de entender o seu País. Leiam Casa-Grande e Senzala, do Gilberto Freyre, que além de contar a história da formação do Brasil, tem uma texto maravilhoso e muito agradável; Raízes do Brasil, do Sérgio Buarque de Holanda, e Formação Econômica do Brasil, do Celso Furtado". Para saborear uma boa reportagem, Totti indica os autores estrangeiros Gay Talese, Tom Wolfe e Truman Capote, e ainda recomenda alguns filmes: "gosto muito do cinema realista italiano e da produção americana até a década de 1980".

4. Relação com fontes e entrevistados: Totti reforça a importância da observação e da percepção do repórter, para notar todas as atitudes de quem está sendo entrevistado. Quanto mais nuances forem captadas na hora da entrevista, mais fácil é deixar o texto com qualidade. E para evitar a influência da fonte no que se está apurando, a dica é não estabelecer nem relações tão próximas nem tão distantes. "A proximidade com a fonte traz muitos interesses e até 'conluios'. A distância extrema atrapalha o acesso às informações."

5. Truques de linguagem: outra dica para um bom texto, segundo Totti, é fugir dos vícios de linguagem, como a expressão "a bola da vez" que, no senso comum, significa algo bom e valioso no momento, mas no contexto da sinuca é a bola que deve ser eliminada, encaçapada. Verbos e adjetivos fortes e marcantes também devem ser evitados, mas substantivos próprios podem ser repetidos, em prol da clareza e da precisão. "Quando você trata de dois personagens do mesmo sexo, os pronomes ele e ela vão confundir o leitor. Ele não vai saber de quem você está falando. Então repita o nome". Totti também cita verbos como verberar, explicar e disparar, que indicam que o jornalista já tomou partido da situação. "Prefira sempre o dizer, que é neutro. Pare de usar o gerúndio. O governo não está planejando nem estudando nada. Ele planeja e estuda. Use o presente", indica Totti.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.