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24/06/2016

Livros-reportagem viram alternativa para aprofundar em temas com pouco espaço na mídia

Por Isabella de Luca


O ano de 2013 foi um momento marcante da história do Brasil. Notícias sobre os protestos massivos nas principais cidades do país estamparam as capas dos jornais mais importantes do mundo. Em meio aos atos que aconteciam na Avenida Paulista, cartão postal de São Paulo, os jornalistas atentaram para a violência empregada por personagens sem rostos e vestidos de preto. Mas não se falou tudo, e os mascarados foram alvo de repórteres e autoridades públicas. 

Foto: Alice Vergueiro
Foi em busca de respostas que a estudante Isadora Stentzler resolveu participar do que ficou conhecido como "setembro negro", referência aos protestos que ocorreram naquele mês. Ela decidiu transformar seus relatos num livro-reportagem intitulado "Filho do Estado", que foi seu trabalho de conclusão de curso.

A ideia surgiu justamente da lacuna deixada pelos meios de comunicação sobre as reivindicações dos black blocks. "Queria saber e, como jornalista, oferecer a informação que a grande mídia não revelou. O que eles querem? O que rechaçam?", pergunta a autora.

Isadora acompanhou Eduardo, um estudante da oitava série, integrante dos black blocks, durante seus momentos na escola, suas conversas com a mãe e suas idas aos atos que se seguiram. Também no livro, as ideias dos principais difusores dos ideais anarquistas, como Mikhail Bakunin, Emma Goldman e Victor Serge, são apresentadas para ilustrar os diferentes momentos da história desse movimento no mundo. Elas são utilizadas como ferramentas de contextualização para entender o anarquismo moderno e seus representantes.

A partir dos relatos de Eduardo, Isadora busca entender o o universo dos black blocks. Aproximar-se da realidade obscura do grupo foi uma estratégia. E, ainda que tenha sido envolvida pela história de seu protagonista, Isadora diz que tentou amenizar o impacto de suas emoções pessoais no livro. "O fato é que Eduardo me encantou. Mas procurei não transformá-lo num herói.", disse a autora.

A inquietude com a lacuna deixada pela falta de contextualização no noticiário também foi ponto de partida para outro estudante de jornalismo, Luiz Guilherme de Almeida, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Ele é autor de "...Que Acenda a Primeira Pedra – Ecos da Cracolândia de Belo Horizonte". O livro reúne perfis de diversos personagens do Complexo da Lagoinha, inclusive usuários da droga que vivem na região, além de abordar o papel do poder público na questão do crack.

Os trabalhos "Filho do Estado" e "...Que Acenda a Primeira Pedra" foram tema do painel "TCCs de jornalismo: livros-reportagem dos recém-formados", nesta quinta-feira (23) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido.

Em busca de aprofundar temas sociais com pouco espaço na mídia tradicional, estudantes de jornalismo têm optado pelo livro-reportagem para o trabalho de conclusão de curso.  É um trabalho de campo em que o jovem jornalista pode aprimorar as capacidades técnicas para o exercício futuro da profissão. "Vejo muitas potencialidades nas grandes reportagens. Além de fazer uma imersão numa realidade distinta, o jornalista pode aprofundar um tema pouco abordado, como acho que é o caso da Cracolândia de Minas", diz Almeida.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

23/06/2016

Recém-formados exploram linguagem multimídia nos trabalhos de conclusão de curso

Por Tiago Aguiar


Apresentada nesta quinta-feira (23) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a mesa “TCCs de jornalismo: a produção multimídia dos recém-formados” destacou três ideias inspiradoras. Os jovens jornalistas selecionados pela Abraji para apresentar seus trabalhos no painel apostaram em inovação da linguagem para driblar a crise que assola o modelo de negócios do mercado tradicional. 

Foto: Alice Vergueiro
A primeira a apresentar seu trabalho foi Bruna de Faria, formada pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ao desenvolver o livro-reportagem Realidades Musicais, uniu duas paixões: quadrinhos e música. O projeto, que aborda histórias de sujeitos e suas relações singulares com cancões, foi ilustrado e roteirizado pela própria autora.

“Minha intenção foi mostrar como os quadrinhos são uma alternativa para o fazer jornalístico e também levar esse assunto para o ambiente acadêmico”, diz Bruna, que começou a trabalhar com o formato anteriormente ao TCC, em uma pesquisa de iniciação científica.

Outro participante, Felipe Neves, adotou o formato audiovisual para mostrar em seu trabalho final do curso de jornalismo da PUC-SP (Pontíficia Universidade Católica de São Paulo) um retrato da complexidade das várias ramificações evangélicas existentes no país, que juntas somam 25% da população.

 “Durante toda a graduação sempre fiz a filmagem nos trabalhos das disciplinas de audiovisual. O documentário eu fiz sozinho, já estava minimamente preparado”, conta Neves.

O resultado foi o documentário “Púlpito e Paralamento” (67 minutos, 2015) que trata da relação de evangélicos enquanto eleitores e enquanto políticos.

O então estudante percorreu São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília durante o último ano da faculdade para captar as imagens e depoimentos do filme. Além das distância, Neves, que é evangélico e morador da periferia de São Paulo, encarou outro desafio: separar o pessoal do profissional.

“Tentei ser o mais jornalístico possível. Sei que o processo nunca é imune de subjetividades e por isso tornou-se um documentário”, diz.

Carlos Juliano Barros, diretor do documentário “Eu, Jean Willys”, sobre a atuação de Jean Willys na Câmara dos Deputados, foi referência para Neves durante toda a produção. De quebra, ele acabou participando da banca do estudante na PUC. O trabalho do estudante agradou tanto que o diretor acabou comprando imagens feitas por Felipe. “Foi a única arrecadação que tive no processo”.

 Veja o documentário “Púlpito e Paralamento”, de Felipe Neves:


Natália Blanco, Brenno Souza e Melissa Lima se uniram na Universidade Metodista de São Paulo, no final de 2015, para tratar sobre o programa Bolsa-Família. Inspirados por aulas de empreendedorismo e no modelo da Agência Pública, foram além do projeto inicial e resolveram criar a Esquiva: agência de Jornalismo Independente especializada em Políticas Públicas.

 A reportagem especial sobre o programa social foi feita, mas virou projeto-piloto. “O jornalismo on-line é bom porque permite publicar tudo sobre assuntos que nunca se esgotam, como o caso do Bolsa Família”, conta Melissa.

 Os três foram responsáveis por todo o processo, inclusive a programação do site. Na página, é possível encontrar informações em formato de infográficos, vídeos, textos e áudios.

 A intenção dos jornalistas é manter o projeto. “Assim como a Agência Pública, queremos dar continuidade ao nosso projeto através de crowdfunding”, afirma a fundadora do projeto.

Esta edição do Congresso foi a que mais recebeu inscrições para apresentação de TCCs, segundo a diretora da Abraji Leticia Duarte e moderadora da mesa. “Dessa vez precisamos pedir um reforço na análise”, conta. Foram 35 trabalhos inscritos neste ano, o maior volume desde que se iniciou a seleção de trabalhos de conclusão de curso, há três anos. Além dos três trabalhos multimídia, foram selecionados outros três em formato de livro-reportagem, apresentados em painel à tarde.

04/07/2015

Prêmio de jornalismo destaca grandes reportagens produzidas por jovens estudantes

Por Letícia Ferreira
Foto: Phillippe Watanabe
Os estudantes de jornalismo tiveram um espaço privilegiado de debates durante do 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A "renovação do jornalismo" foi o tema da mesa que contou com a presença vencedores da edição de 2014 do Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, realizado pelo Instituto Vladimir Herzog, criado em 2009.

Experiências como as da estudante Paloma Rodrigues, que investigou o peso econômico e social das pensões pagas pelo governo a militares da reserva ligados à ditadura, foram debatidas por alunos e professores que se inscreveram para acompanhar o debate. Paloma enfatizou a oportunidade de realizar uma grande reportagem - algo que ela nunca tinha feito antes -, além da chance de lidar com o imprevisível. "Muita coisa mudou no meio do caminho e você precisa estar preparado para o que pode acontecer", disse.

Mesmo num congresso pautado pela troca de experiências entre profissionais mais velhos, envolvidos em cobertura de grande envergadura, como a Lava Jato e fraudes no financiamento da educação, há espaço para a troca de experiências dos que estão começando agora na profissão. A curadora do prêmio, Ana Luisa Gomes, ressaltou a importância de ter "um painel onde eles (estudantes) possam contar suas experiências e o aprendizado que tiveram".

Uma característica do prêmio é a experiência de tentativa e erro, com o apoio de tutores e professores que acompanham os alunos durante todo o processo de apuração da reportagem. "Eu me sinto outra pessoa, outra jornalista depois do prêmio", disse Paloma.

"Nós tivemos que lidar com coisas que nós não tínhamos tido contanto até então na faculdade. Isso nós amadureceu antes e depois da realização da pauta. Mudou o que nós achamos que é um jornalista", disse Suria Moustapha, autora de um documentário sobre prisões de índios na ditadura. "O fazer jornalístico se aprende na prática. Eu aprendi um pouco como ser repórter. Aprendi a ser menos ingênuo de achar que era bom e que tudo que me entregam é bom", disse Gabriel Azzi Collet, co-autor de uma das pautas finalistas da primeira fase do prêmio no ano passado.

Neste ano, o concurso está em sua 7ª edição. O edital foi aberto no dia, mês de abril, e os finalistas foram divulgados em junho. O tema foi "Desafios da Liberdade Expressão no cenário dos Direitos Humanos: retratos no Brasil de hoje". Ao todo, 232 estudantes inscreveram trabalhos.

Todas as informações sobre o prêmio estão em http://vladimirherzog.org/jovem-jornalista/

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

02/07/2015

Estudantes de jornalismo cobrem em tempo real o Congresso da Abraji

Da Redação

Foto: Alice Vergueiro
Uma redação laboratorial com 20 estudantes e 10 editores faz a cobertura de todas as atividades do 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que acontece nos dias 2, 3 e 4 de julho, em São Paulo. A equipe é composta por estudantes universitários que participaram dos últimos módulos do Repórter do Futuro. O projeto foi idealizado pela Oboré e se desenvolve hoje em parceria com a Abraji e inúmeras organizações parceiras.


As quase 30 horas com 60 atividades do Congresso são cobertas integralmente e em tempo real pelos estudantes, em texto, foto e, em alguns casos, vídeos. Todo o conteúdo está disponível no blog (www.congresso2015.blogspot.com), No Fabebook e no Twitter da Abraji.

A atividade tem caráter pedagógico. Por isso, é acompanhada de perto por um time de editores profissionais que se revezam no comando do grupo. Diretores da Abraji e outros profissionais que passaram pelo Repórter do Futuro fazem o acompanhamento individual dos alunos.

“É uma prática reflexiva para os estudantes. Eles aprendem como fazer uma cobertura, acompanhados por colegas que têm experiência, competência e tino para ensinar, para dividir conhecimento”, diz o jornalista João Paulo Charleaux, que coordena a cobertura do Congresso deste ano e dirigiu diversos módulos do Repórter do Futuro.

A coordenação de toda a cobertura é feita com base em ferramentas da plataforma Google como planilhas e agendas que facilitam o fluxo editorial. Como parte da prática, os alunos selecionados para a cobertura passaram por uma oficina de 5 horas na sede do Google em São Paulo, um dos apioadores do Congresso.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Universidade e movimentos sociais: estudantes debatem os bastidores das reportagens

Por Camila Alvarenga

Foto: Camila Alvarenga
Foi lendo um especial do jornal cearense, "O Diário do Nordeste", que a estudante Bárbara Rocha, da Universidade Federal do Ceará, conheceu a personagem que iria inspirar o seu primeiro grande desafio: o trabalho de conclusão de curso, essencial para se formar em jornalismo. A história de Pequena, primeira cacique do Brasil, da tribo Jenipapo-Kanindé, localizada na região metropolitana de Fortaleza, foi contada no livro-reportagem "Mulheres da Encantada", que aborda ainda as histórias de outras mulheres da tribo.


"Quando resolvi fazer o trabalho, sabia que meu universo era totalmente diferente da questão indígena. Eu sabia que eu queria falar sobre gente que geralmente tem muita coisa pra falar e é esquecida, apesar de ser importante", conta a jovem jornalista.

O resultado norteou o debate da primeira mesa sobre TCC's, logo na estreia do 10º Congresso Internacional de Jornalismo da Abraji, que contou ainda com outro trabalho sobre movimentos sociais: o livro "13 de junho - Histórias de uma noite de guerra em São Paulo", escrito pelo trio Fernanda Ferreira Santos, Bárbara Libório e Nicolas Iory, da Universidade Metodista de São Paulo, que traz 40 entrevistas realizadas com pessoas que participaram, direta ou indiretamente, da manifestação ocorrida no dia 13 de junho de 2013.  "Quando a gente começou a pensar no nosso TCC, a gente queria fazer uma coisa enorme: fazer sobre todos os dias de junho, em todas as cidades e viajar! Mas a gente se viu numa situação em que tivemos que afunilar: fomos então para o mês de junho, em São Paulo, aí percebemos que o dia 13 foi o dia 'D', e decidimos fazer sobre ele", disse Bárbara Libório, uma das autoras do livro.

Em comum, a discussão sobre técnicas de reportagem e entrevista, e os bastidores de toda a trabalheiras das reportagens.

"Encantadas"
Para conseguir levar as particularidades da aldeia aos leitores, Rocha passou por um extenso processo de pesquisa, que durou um ano e meio. A produção incluiu questionar a credibilidade de veículos de comunicação, artigos etnográficos, consultar especialistas, fazer diversas visitas à comunidade - incluindo passar quatro dias dormindo em uma das casas da aldeia - e, claro, realizar longas entrevistas. "Muitas pessoas que sabiam do meu trabalho me perguntavam: 'Ah, mas no Ceará tem índio?', 'Quando você vai pra lá, você dorme em oca?', 'Eles andam pintados?'. E eu falava que não, que não dormiam em ocas, não andavam pintados. E me respondiam: 'Então eles não são mais índios'. Mas eles são", destaca.

Para concluir a obra, ela acabou escolhendo três personagens, todas mulheres, para serem as vozes do grupo. O primeiro capítulo é dedicado à Pequena, considerada a "primeira cacique mulher do país", guardiã da memória da aldeia e atual líder dos Jenipapo-Kanindé. No relato, ela conta como os costumes da tribo foram se perdendo aos poucos, conforme os membros foram entrando em contato com a realidade fora da aldeia. Costumes e tradições que ela luta para recuperar, como lendas e até religião.

Já o segundo capítulo é protagonizado por Juliana, a cacique Irê, uma das filhas e herdeira da cacique Pequena, e o terceiro acompanha Raquel, de 16 anos, neta de Pequena. "Eu acho que o jornalismo tem potencial para levantar debates importantes sobre diversas questões que devem ser discutidas e eu acho que a questão indígena, sobre diversas perspectivas, deve ser discutida", argumenta a autora.

Da polícia aos manifestantes: diferentes visões sobre o mesmo dia

Foto: Camila Alvarenga
Em junho de 2013 surgiram uma série de eventos que acabaram ficando conhecidos como "Jornadas de Junho": foram várias manifestações em protesto contra o aumento da tarifa dos ônibus, não apenas na capital mas em todo o país - de R$ 3,00 as passagens saltariam para R$ 3,20, o que causou grande comoção dentro de todo um contexto de outras demandas, historicamente debatidas pelos movimentos sociais. Lideradas pelo Movimento Passe Livre (MPL), as jornadas ficaram conhecidas, sobretudo, por dois motivos: a ampla adesão popular e a truculência empregada pela polícia para conter o movimento.

No livro, os estudantes escolheram o dia 13 que acabou se mostrando o mais violento: 241 pessoas foram detidas e pelo menos uma centena de vítimas ficaram feridas, de acordo com o MPL. Dividido em seis capítulos, a reportagem também conta com o prefácio de Lúcio Gregori, Secretário de Transportes de São Paulo durante o mandato de Luiza Erundina, e o primeiro a elaborar um projeto de "Tarifa Zero" na capital, em 1990. "Para falar com o Cabo foi muito difícil. A gente ia no posto onde ele fazia ronda, no MASP, e ele nunca estava. Eu ia numa terça e diziam que ele estaria na quinta, eu ia na quinta, diziam que ele estaria na segunda. Até que eu fui e me disseram que ele ia para São José dos Campos e estava na delegacia, terminando de assinar os papéis e provavelmente já tinha ido embora. Eu fui correndo e, quando cheguei, ele já estava no estacionamento saindo. Mas consegui falar com ele e a gente marcou uma entrevista uma semana depois, em São José", conta Fernanda.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.