Por Bianca Baptista
Seguindo os passos do técnico campeão da última Copa do Mundo, Joachim Löw, Tite, ao assumir a seleção brasileira de futebol na segunda-feira (20), "escalou" dois analistas de dados para o time canarinho.
Não só eles, como também todos os clubes de futebol da primeira divisão da Europa possuem especialistas no Analytics, ferramenta oferecida gratuitamente pelo Google e apresentada por Guilherme Paes na tarde desta quinta-feira (23) no curso "Conheça os hábitos de seu público: como medir audiência na web" durante o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
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| Foto: Alice Vergueiro |
O Google Analytics é um mecanismo de análise de dados quantitativos e qualitativos que permite a melhoria continua de experiência de seus usuários.
No caso esportivo, são registradas e avaliadas referências físicas e de desempenho que podem influenciar em uma escalação.
"Verifica-se quantos quilômetros um jogador correu na última partida, qual foi sua média, se está cada vez mais rápido ou devagar", explica Paes. "Se a velocidade tem diminuído e o espaço crescido, então ele está cansado", diz.
O mecanismo, porém, não tem função unicamente futebolística e pode ser utilizado na análise de números de audiência de produtos jornalísticos, por exemplo.
Para Paes, o futuro da análise de dados está em "deixar de usar a informação isolada e usá-la em um contexto", como no caso de blogs, onde seria possível verificar o engajamento e frequência dos leitores.
A principal técnica de análise de dados, segundo o palestrante, é a segmentação. "Podemos colocar filtros até descobrir quem faz parte de uma audiência", conta o especialista do Google. Essas ferramentas permitem descobrir idade, sexo, raça e endereço do público que acessa as páginas na internet.
A Analytics também expõe comportamentos de dia, horário e devices. "Se feita de um mobile, a leitura se torna linear e só se mantém uma aba aberta. No caso de um desktop, normalmente o usuário interage com várias abas ao mesmo tempo e pode haver a presença de links externos, favorecendo a efetividade de anúncios", explica Paes.
Outra funcionalidade do Analytics voltada para o uso jornalístico é o Pace (Page Analytics Chrome Extension), que permite a visualização em tempo real de acessos em sites. "É possível ver quantas pessoas estão vendo, clicando e com o mouse em cima de um determinado espaço da página", diz. A partir do estudo desses resultados, pode-se verificar o real proveito de layouts e da localização de conteúdos pela página.
O agrupamento -- criação de categorias e estruturas lógicas da visualização de um site -- de conteúdo também pode ser compreendido através da análise de dados. "Quando se combina isso com o relatório de fluxo de comportamento dos usuários é possível ver quais são os diferentes caminhos que fazem para chegar a cada grupo de conteúdo", conta.
O entendimento da análise de audiência de produtos jornalísticos é importante para definir estratégias de divulgação e marketing. Além disso, possuir dados que comprovem o perfil de um público aumenta a probabilidade de vender anúncios, segundo o especialista do buscador.
"Modelos de publicidade do mundo inteiro já descobriram que anunciar pela internet é mais barato. A análise de dados pode ajudar a melhorar a performance de seus anúncios e a experiência de seus usuários", afirma Paes.
O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.
