12/09/2020

Jornalismo esportivo: um universo a ser explorado

Adriano Wilkson, jornalista do UOL, conta um pouco de sua experiência na cobertura de esporte de uma forma diferente

Por: Natasha Meneguelli e Natalia de Souza

Edição: Leandro Melito


“Eu lembro bem, eu estava sentado na cama do motel, testemunhando aquela cena toda, surreal, do Acácio muito fraco, um cara de dois metros sendo colocado em uma banheira de água quente para suar”, relembra Adriano Wilkson, jornalista esportivo do UOL. Ele acompanhava o processo de perda de peso do lutador profissional de MMA Acácio “Pequeno” dos Santos, junto ao seu treinador Magno Wilson. 

A reportagem narrativa em que ele descreve esse processo deu origem ao livro A Grande Luta, que trata da história real de atletas em torneios brasileiros. Em um bate-papo com Adriana Barsotti, diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o profissional conta o interesse imediato pelo assunto ao descobrir a prática recorrente de perda de peso radical entre os lutadores de MMA. Wilkson queria não apenas contar que isso acontecia, mas contar a história de alguém passando pelo processo. 

“O meu interesse é buscar no universo esportivo, as histórias que valem a pena, fugindo do campo e bola, quem jogou bem ou mal”, conta.

Entrevista exclusiva: Neena Kapur, do The New York Times, revela bastidores do combate a ameaças digitais

O que a gerente de inteligência de um dos maiores jornais do mundo tem a dizer sobre a proteção de dados de jornalistas

Por: Gustavo Honório e Rafael de Toledo

Edição: Wender Starlles

Tradução: Artur Alvarez, Gustavo Honório e Rafael de Toledo

Liderar uma equipe e traçar estratégias de segurança digital em um dos jornais mais importantes do mundo é uma tarefa desafiadora. Neena Kapur faz esse trabalho desde 2019. Interessada em geopolítica e nas interações que os países mantêm com o ciberespaço, ela encontrou uma maneira de disseminar a importância do assunto.

Desde então, Kapur trabalha no combate e na prevenção de ataques e abusos sofridos por jornalistas no ambiente virtual. Uma das formas de ameaça com a qual a especialista lida é o doxing - prática de obter dados privados de uma pessoa e torná-los públicos na web-, tema do painel "Doxing e outras ameaças de segurança digital contra jornalistas", mediado por Patricia Campos Mello, repórter especial da Folha de S. Paulo, no primeiro dia do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Em entrevista exclusiva, a responsável pela proteção digital dos jornalistas do The New York Times destaca bastidores da segurança e comenta sobre a importância de ensinar pessoas se prevenirem de ataque.

Bastidores do Prêmio Pulitzer: a investigação que revelou uma política de execuções extrajudiciais nas Filipinas

Em meio à incessante guerra contra traficantes e dependentes químicos conduzida pelo presidente Rodrigo Duterte, reportagem da Reuters usou apuração na rua e dados para romper a narrativa oficial de que a polícia atirava em legítima defesa

Por: Isabella Vieira e Katherine Rivas

Edição: Ricardo Rossetto

Em 2016, quando Rodrigo Duterte foi eleito presidente das Filipinas, os jornalistas da agência Reuters Andrew Marshall e Clare Baldwin logo identificaram, ali, uma história importante que deveria ser contada.

Conhecido por conduzir uma política antidrogas que provocou a morte de milhares de pessoas na cidade de Davao, onde foi prefeito por 21 anos, Duterte cumpriu a promessa de levar a nível nacional sua guerra incessante contra traficantes e dependentes químicos.

"Pouco tempo depois que Duterte assumiu a presidência, os assassinatos vieram às centenas, depois milhares”, conta Marshall. “Em uma favela que visitamos, encontramos uma mulher que tinha perdido quatro filhos nessa guerra às drogas. As testemunhas relatavam que bairros periféricos tinham se tornado um ‘rio de sangue’”, lembra Baldwin. 

'A Máquina do Ódio' e 'Tormenta': jornalistas expõem entranhas do bolsonarismo em livros

 Patricia Campos Mello e Thaís Oyama falam sobre os bastidores da apuração jornalística que resultou nos livros que impactaram os meios político e jornalístico este ano

Por: Redação
Edição: Leandro Melito


Dois livros já em circulação nas livrarias brasileiras e que impactaram os meios político e jornalístico do país foram relançados nesta sexta-feira (11), no primeiro dia do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. 

Em comum, A Máquina do Ódio: notas de uma repórter sobre fake news e violência digital da jornalista  Patricia Campos Mello, repórter especial da Folha de S. Paulo e Tormenta - o governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos, da jornalista Thaís Oyama, colunista do UOL, trazem elementos de investigação jornalística que ajudam a entender a formação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e seu método de fazer política. 

Jornalistas ansiosos se tornam um perfil comum na cobertura da Covid-19

A pandemia amplificou em cerca de 61% os casos de jornalistas com transtornos emocionais, mas protocolos sobre saúde mental ainda são pouco debatidos nas redações

Por Douglas Figueiredo e Rafael de Toledo
Edição: Dario Vasconcelos


Falar sobre saúde mental no campo profissional, para muitos, ainda é um tabu e com o jornalismo não é diferente. Relatos de transtornos de ansiedade e estresse não são novidades nas redações de grandes veículos. No entanto, estudos mostram que a pandemia alterou significativamente o lado psicológico de jornalistas que alegam, por exemplo, o aumento da pressão no trabalho.

Neste sábado (12), o 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, convidou os jornalistas Meera Selva, diretora do programa de bolsas do Instituto Reuters para Estudo de Jornalismo, no Reino Unido, e Guilherme Valadares, fundador e diretor do Papo de Homem, para revelar quais são esses desafios para os profissionais da imprensa.

Com mediação de Luiza Bodenmüller, gerente de estratégia do Aos Fatos, os profissionais falaram sobre a “Saúde Mental dos Jornalistas em Tempos de Pandemia”, tema da mesa de discussão.

Falta de dados é método do Estado para ocultar violência policial

Jornalistas do Fantástico contam os bastidores de reportagem que mostrou que, a cada 84 minutos, a polícia mata uma pessoa no Brasil.

Por Camilo Mota e Cassiane Lopes
Edição: Raquel Brandão


Encontrar números que mostrassem que a violência policial estava se intensificando e fazendo mais vítimas nas periferias do país, foi o grande desafio para a repórter Sônia Bridi, a editora Nancy Dutra e os produtores James Alberti e Mônica Reolom, do Fantástico, programa dominical da Rede Globo.

Como não existe no Brasil órgão federal que consolide os registros da violência nos Estados, os produtores tiveram que montar sua própria base de dados, por meio de solicitações via lei de acesso à informação, para todas as secretarias estaduais. 

Colapso climático deve ser tema central no debate jornalístico

Para o editor global de meio ambiente do jornal The Guardian, o tema é o prisma para entender questões políticas, econômicas e sociais.

Por Matheus Menezes e Thuany Gibertini
Edição: Nayani Real


Onde costumam se localizar as reportagens sobre jornalismo ambiental nos veículos de imprensa? Sabendo das consequências do colapso ambiental e o impacto em toda a forma de habitar esse planeta, o jornalista britânico Jonathan Watts, editor global de meio ambiente do jornal The Guardian, salienta que as matérias sobre meio ambiente não devem ser restritas ao canto de uma página, de uma editoria específica, especialmente porque muitas pessoas já evitam olhar para o tema. 
 
“O meio ambiente precisa estar em todo o jornal, ao invés de ficar em sua periferia”, pontua.

Em meio à pandemia, 'Le Monde' inova em formatos de notícias

Em Masterclass, a vice-chefe do jornal francês Cécile Prieur fala sobre novas estratégias e modelos de negócio adotados pelo veículo

Por André Martins e Mikael Schumacher
Edição: Luísa Cortés


Vídeos curtos no TikTok, mensagens pelo WhatsApp, podcast exclusivo: essas foram algumas iniciativas de um dos principais jornais da França para disseminar notícias no contexto da pandemia da Covid-19.

Em meio à crise sanitária, o jornal francês Le Monde fez uso de uma página com atualizações ao vivo, em que trazia as notícias quentes e interagia com o público respondendo perguntas.

“Não é porque é o Le Monde, que o jornalismo precisa ser chato e sério. É preciso democratizar a informação”, disse Cécile Prieur, vice-chefe do veículo, entrevistada hoje (12) pela diretora da Abraji Natalia Mazotte, na mesa Como o jornal francês Le Monde vem se preparando para sobreviver, realizada no 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Bolsonaro vê imprensa como 'inimiga útil', diz Thaís Oyama

Presidente ataca jornalistas porque isso faz suas redes sociais crescerem, diz autora de “Tormenta”

Por: Rafael Sampaio
Edição: Leandro Melito

Meses de investigação sobre bastidores do governo Jair Bolsonaro, de apuração com fontes no Planalto, checagens de informações vindas de ministros e assessores, além de incontáveis viagens a Brasília e ao Rio de Janeiro. Esta foi a rotina da jornalista Thaís Oyama para escrever Tormenta - o Governo Bolsonaro: Crises, Intrigas e Segredos.

O livro revela os bastidores do primeiro ano do governo bolsonarista através de relatos e depoimentos de fontes próximas ao presidente. Trata-se de uma obra fundamental para entender Bolsonaro e seu círculo mais íntimo, além de servir como panorama para a nova onda conservadora que tomou a política institucional brasileira de assalto nos últimos anos.

Em entrevista ao Repórter do Futuro, Oyama menciona um fato curioso: fontes do Planalto revelaram que a passagem do livro que mais incomodou Bolsonaro foi uma frase no último capítulo. “A frase fala que Bolsonaro não se dobrou de uma vez à velha política, ele foi se curvando aos pouquinhos”, comenta a jornalista.

Ataques virtuais são nova forma de censura, diz Patricia Campos Mello

Repórter especial da Folha diz que redes virtuais de ódio são “ecossistema” descentralizado e que tentam intimidar jornalistas

Por: Rafael Sampaio
Edição: Leandro Melito

 
Uma das mais premiadas jornalistas brasileiras da atualidade, a repórter especial da Folha de S. Paulo, Patricia Campos Mello relata em entrevista ao Repórter do Futuro como os ataques de ódio e a disseminação de fake news via aplicativos e redes sociais, como WhatsApp e Facebook, tornaram-se uma nova forma de tentar calar quem faz jornalismo no país.

Ao contrário da crença comum de que a distribuição de mensagens de ódio e fake news partem de algum comando central ou da ação de robôs, Mello pondera que, antes de tudo, essa prática tem a seu favor o fato de ser descentralizada.

Os propagadores de ódio virtual contam com um “ecossistema”, que inclui desde os perfis de redes sociais do presidente Bolsonaro e de seus filhos, blogs conservadores, canais de YouTube de influenciadores de direita, perfis de legisladores bolsonaristas e muita gente de carne e osso - pessoas que leem e acreditam nas mentiras disseminadas na internet.

“Quando você tem governantes endossando esse tipo de mensagem agressiva, ou mesmo estimulando, isso ganha uma amplitude muito maior”, analisa Mello. Para ela, jornalistas não devem se calar. Conseguir “viralizar” uma reportagem apurada, checada e com sólida base em informações é um dos desafios principais nas redações.