28/06/2019

A realidade em diferentes formatos

Os jornalistas Vladimir Netto e Daniela Arbex apresentam obras jornalísticas adaptadas para o cinema


Por Gabriela Neves e Natalia de Souza

Daniela Arbex (Tribuna das Minas), Julia Duailibi (GloboNews) e Vladimir Netto (TV Globo)
Foto: Mariana Soares
Para escrever um bom texto jornalístico é preciso ouvir histórias, ouvir pessoas. É o que frisam os jornalistas Vladimir Netto e Daniela Arbex na palestra “Meu livro reportagem foi para tela”.  


Daniela Arbex conta que passou por um longo processo de apuração em seu livro Holocausto Brasileiro - que retrata a violência sofrida por pacientes do Hospital Colônia de Barbacena, chamado por ela de manicômio. "Logo que tive contato com as fotos das vítimas do hospital, fiquei extremamente impactada. Isso porque conheci as imagens 50 anos após a tragédia ", diz a jornalista.

O conceito de Fake News é utilizado para descredibilizar o jornalismo

Especialistas apontam ameaças à liberdade de imprensa com a banalização do termo

Por Ariadne Mussato
Edição Cristiane Paião


Da esquerda para direita: Laura Tresca (Artigo 19), Rodrigo Rangel (Crusoé), Taís Gasparian (RBMDF Advogados), Natália Leal (Agência Lupa) e Ana Rita Cunha (Aos Fatos).
Foto: Natalia Souza
Existe uma linha tênue entre a possibilidade de controle de fake news e liberdade de imprensa que, para a advogada Taís Gasparian, da RBMDF Advogados, pode gerar um grande problema quanto a judicialização das notícias falsas. Isso porque, para ela, não existe uma definição exata sobre o termo e, quando se trata de imprensa, gera censura.

“Se vocês forem sair daqui com uma recomendação minha, seria: não usem o termo fake news, porque esse conceito tem sido usado por políticos para desacreditar a imprensa, para desacreditar o trabalho do jornalista”, disse a advogada.


Nada de imprensa a partir desse ponto: onde está o limite na cobertura de massacres?

Buscando audiência, mídia sensacionalista explora o sofrimento das pessoas

Por Matheus Menezes
Edição Pâmela Ellen

Fernanda Mena (Folha de S.Paulo)
Foto: Alice Vergueiro / Abraji
Em março deste ano, o Brasil ficou chocado com a morte de sete pessoas na escola Raul Brasil, em Suzano. Esse episódio traz à tona uma série de questões sobre a relação da mídia com a ocorrência de massacres. Efeitos como o copycat, em que os homicidas constroem uma rede de referências imitando e enaltecendo os crimes, se aplicam aqui, uma vez que os atiradores se inspiraram no Massacre de Columbine, nos EUA.

“Por mais que para nós esse tipo de ação seja deplorável, para alguns grupos sociais isso é uma coisa a ser enaltecida”, expõe a repórter Fernanda Mena, da Folha de S. Paulo, especializada nesse tipo de cobertura. Junto a ela, a repórter Maria Carolina Trevisan, colunista do UOL, refletiu sobre a responsabilidade social do jornalista.


O racismo estrutural na imprensa brasileira e os caminhos para construir redações mais plurais

Em um cenário de crise econômica e de representatividade no jornalismo brasileiro as redações começam a apostar em diversidade

Por Weslley Galzo


Da esquerda para direita: Basília Rodrigues (CBN), Paula Cesarino (Folha de S. Paulo), Dominique Azevedo (Coletivo Cacos) e Paula Miraglia (Nexo).
Foto: Alice Vergueiro
Em um dos painéis com quadro de palestrantes mais diverso do Congresso da Abraji, e plateia igualmente plural - em sua maioria jovens, mulheres e negros - a conversa sobre racismo e misoginia na imprensa foi ao mesmo tempo amistosa e confrontadora. 

Repórter que cobre o poder em Brasília e setorista do Palácio do Planalto na sucursal da CBN, Basília Rodrigues logo no início expôs sua visão de modo contundente: “ser jornalista negra é conviver com o racismo diariamente, tanto no contato com a fonte, como com os colegas de redação”.


Jornalismo transnacional é ferramenta importante em casos de corrupção

Colaboração entre jornalistas na América Latina sofisticaram apuração na Operação Lava Jato

Por André Catto
Edição: Leandro Melito


Da esquerda para a direita: Thiago Herdy (O Globo/Época/Abraji), Milagros Salazar (Convoca), Guilherme Amado (Época) e Emilia Diaz-Struck (ICIJ)
Foto: Alice Vergueiro / Abraji
A colaboração transnacional entre jornalistas é essencial para o esclarecimento de fatos que ultrapassam fronteiras. Essa foi a análise do vice-presidente da Abraji, Guilherme Amado, em painel sobre a atuação da imprensa nas investigações da Operação Lava Jato na América Latina.

“É um modelo importante porque aumenta o impacto e a pressão sobre governos e empresas. Quando as multinacionais praticam corrupção e são denunciadas globalmente, elas se mexem muito mais”, analisou.


Vaza Jato não tem prazo para terminar, diz editor do The Intercept Brasil

Conversas envolvendo Moro e a Força-Tarefa estão em centenas de chats em processo de análise

Por Géssica Brandino e Leandro Melito


Leandro Demori afirmou não saber ao certo quantos gigabytes tem os documentos que o The Intercept Brasil recebeu.
Foto: Gabriela Carvalho
O vazamento de conversas envolvendo o ministro da Justiça, Sergio Moro, quando era juiz da Lava Jato em Curitiba e procuradores da operação não tem prazo para acabar, disse o editor do The Intercept Brasil, Leandro Demori, nesta sexta-feira (28) no 14º Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji. Divulgar o material, ainda que parcialmente, foi uma decisão editorial tomada após avaliar o interesse público envolvido na troca de mensagens, contou.

“Você não senta por um ano em cima do material quando alguém está comendo quentinha na cadeia”, respondeu Demori ao ser questionado pelo editor-chefe do Poder 360, Fernando Rodrigues, sobre porque não fazer a divulgação aos moldes da operação Panamá Papers, que revelou documentos ao longo de duas semanas seguidas.


Bastidores da reportagem que descobriu milhares de covas clandestinas no México

Mago Torres conta como foi trabalhar a distância em uma das reportagens mais completas sobre o tema

Por Emily Santos


Mago Torres (freelancer).
Foto: Alice Vergueiro / Abraji
Uma reportagem investigativa que identificou e localizou quase dois mil locais usados para desova de corpos clandestinamente no México, entre 2006 e 2016, teve seus bastidores revelados pela repórter mexicana Mago Torres, durante o 14º Congresso da Abraji. O trabalho reuniu milhares de dados e foi publicado por meio do site “A dónde van los desaparecidos”.

Mago foi uma das responsáveis pelo projeto e coautora da reportagem “El país de las 2 mil fosas”. A jornalista revelou os detalhes sobre o processo de investigação, que aconteceu em meio a uma crise humanitária que assola o país.


A força do jornalismo hiperlocal e a representatividade que aproxima os leitores

Elvira Lobato e Ana Terra Athayde descobriram um 'deserto de notícias' em diversas regiões do Brasil

Por Thalita Monte Santo

Da esquerda para direita: Elvira Lobato (Freelancer), Ana Terra Athayde (Freelancer) e Ângela Pimenta (Projor).
Foto: Alice Vergueiro / Abraji
“Eu conversei com os atingidos [da tragédia de Mariana] e muitos não sentiam vontade de ver como suas histórias saíam na grande mídia”, contou a jornalista Elvira Lobato que, ao lado da videorrepórter Ana Terra Athayde,  percorreu seis cidades brasileiras onde a grande mídia normalmente não chega. São os chamados 'desertos de notícias'. 

Mariana (MG), Cidade Ocidental (GO), Novo Hamburgo (RS) e Altamira (PA), Arapiraca e Palmeira dos Índios (AL), com seus veículos mais do que locais, foram os cenários da apuração cujos resultados foram publicados em um especial multimídia produzido como parte do Atlas da Notícia, um projeto de dados do ProJor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo).


Três dicas para não se aventurar no jornalismo investigativo

Conheça ICIJ, GIJN e IPYS, prêmios e instituições que dão apoio para fazer denúncias 

Por Gabriela Neves e Ariádne Mussato 
Edição Cristiane Paião 


Emilia Diaz-Struck (ICIJ)
Foto: Alice Vergueiri / Abraji
As dificuldades para realizar um trabalho relevante e sério no jornalismo investigativo são muitas. Vários jornalistas brasileiros ficam em dúvida sobre como conseguir fontes, como analisar dados e, principalmente, sobre como terem apoio e proteção de instituições maiores no caso, por exemplo, de processos judiciais em decorrência das suas denúncias. Entretanto, algumas dicas podem ajudar.

Emilia Diaz-Struck, coordenadora do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, sigla em inglês) na América Latina, comenta que a plataforma é um canal para jornalistas que se interessam pelo mesmo assunto. “Cada jornalista ajuda de sua forma, alguns sabem melhor dados, outros fontes”, destaca. Por exemplo: às vezes, pode vir aquela dúvida sobre como compartilhar informações sigilosas com outros jornalistas. A ICIJ também pode ajudar com isso, os responsáveis por reunirem documentos da Odebrecht utilizaram plataformas disponibilizadas pela instituição para trocarem documentos. Outra vantagem é que o profissional pode se associar de forma gratuita.


Como as ‘fake news’ foram usadas pelo governo soviético como arma de guerra

Série de reportagens narra  campanha de 'desinformação' patrocinada pelo serviço secreto soviético

Por Luana Dias e Luísa Cortés
Edição João Paulo Charleaux
José Roberto de Toledo (Abraji)  e Adam Ellick (The New York Times). Foto: Luana Dias
“Antes éramos nós [americanos] contra eles [soviéticos]. Agora, somos nós contra nós”, disse o jornalista do The New York Times Adam Ellick em palestra no 14º Congresso da Abraji, em São Paulo. Ellick é responsável por uma série de vidoedocumentários chamada Operation Infektion [Operação Infecção, em tradução livre].

A série conta a história de uma campanha de desinformação conduzida pelo serviço secreto soviético, a KGB, no período da Guerra Fria - nome dado ao período após a Segunda Guerra Mundial (1945) em que soviéticos e americanos protagonizaram uma corrida nuclear que se prolongou até 1991.