23/06/2016

Projetos constroem bancos de dados sobre políticos e de seus ataques à imprensa

Por Erick Noin


Em novembro de 2011, a presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a Lei de Acesso à Informação, tornando obrigatório que as órgãos públicos, em todas as esferas, disponibilizassem dados sobre a sua gestão. Apesar do avanço, o mar de informação que ficou disponível não se tornaria útil e inteligível de uma hora para outra, o que levou ao surgimento de iniciativas de busca e seleção desses dados. 

No curso "Como usar mecanismos avançados de busca para pesquisar sobre políticos", nesta quinta-feira (23), no primeiro dia do 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, dois palestrantes foram convidados a apresentar seus projetos independentes que podem ajudar jornalistas e qualquer cidadão a monitorar dados sobre políticos.

A ONG Transparência Brasil, onde Juliana Sakai é coordenadora de pesquisa, possui alguns projetos, entre eles o Excelências, que reúne informações dos parlamentares em exercício na Câmara dos Deputados e no Senado, criando um mapa de quem responde por crimes contra a administração pública. O trabalho por trás é extenso, pois exige monitoramento e coleta de dados nos sites de todas as instâncias e tribunais do Poder Judiciário.
Foto: Alice Vergueiro
Os dados das pesquisas disponíveis no site são úteis para jornalistas acompanharem políticos, mas também podem ser ferramentas poderosas para os eleitores escolherem seus candidatos nas eleições e monitorarem a atividade de seus representantes.

Tiago Mali, o segundo palestrante do curso, é jornalista especializado em dados e trabalha na própria Abraji, no projeto CTRL+X, um site que disponibiliza os dados de ações de políticos na Justiça contra jornalistas e veículos de informação para a retirada de conteúdo já publicado, em uma luta contra a censura dos políticos à mídia iniciada em 2014.

Mali diz que a maior parte das ações (já são quase 2 mil no banco de dados do projeto) foi proposta na época eleitoral contra conteúdos considerados negativos. Os principais alvos de ações, porém, são o Facebook Brasil e o Google Brasil, por serem plataformas que reúnem informação de autoria muitas vezes anônima.

Marcos Vasconcellos, chefe-de-redação da revista eletrônica Consultor Jurídico, que assistiu ao painel, revelou também ser alvo desse tipo de estratégia. A Dublê Editorial, empresa responsável pela Conjur, por exemplo, é alvo de dois processos do então candidato a prefeito de São Paulo pelo PRTB em 2008, José Levy Fidelix, que exigiu que notícias a seu respeito fossem retiradas da revista. Fidelix é conhecido por tentar calar jornalistas pelos meios jurídicos.

Juliana Sakai também disse que a Transparência Brasil tem sido autuada por políticos por conta de suas pesquisas, porém nunca foi condenada. "Os dados que disponibilizamos já são de conhecimento público", diz ela, definindo a organização apenas como "intermediário da informação". 


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Jornalismo ainda não aprendeu a lidar com as questões raciais, dizem jornalistas

Por Caio Nascimento

A discussão sobre questões raciais no jornalismo ainda é muito incipiente tanto por culpa da maioria dos jornalistas, que não se organiza pela causa, quanto pelo fato de muitas pessoas acreditarem que esse tema não se enquadra no debate atual sobre a mídia. É o que aponta a jornalista Fabiana Moraes, mediadora da discussão sobre jornalismo e questões raciais na manhã desta quinta-feira (23) no 11ª Congresso da Abraji. 

O debate contou com as palestras de Juliana Nunes (Distrito Federal) e Cinthia Gomes (São Paulo), integrantes da Cojira (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial) em seus respectivos estados.

Foto: Alice Vergueiro
Para Cinthia, a mídia ainda apresenta o negro como personagem de matéria sobre sua negritude. "É raro ver negros sendo entrevistados pelos seus postos na sociedade, mesmo em reportagens positivas", afirma ela ao criticar a matéria sobre empreendedores negros, publicada no portal G1, que, apesar de positiva, os enaltecem apenas como figuras negras que ascenderam socialmente, ao invés de mostrá-los como cidadãos que estão ali por causa de seus conhecimentos.



Segundo a jornalista, o modelo midiático necessita evoluir quando se trata dos negros. "A mídia precisa seguir novos modelos que não reforcem preconceitos e estereótipos". Em sua fala, ela destacou que é necessário adotar tratamento equitativo entre homens e mulheres nas pautas e, sempre que possível, usar dados de raça, sexo e etnia para contextualizá-las. 

Além disso, Cinthia frisa que é preciso evitar o contexto exótico nas reportagens que tratam sobre mulheres negras, indígenas e quilombolas para que a narrativa valorize as tradições, e não os esteriótipos. Quanto às imagens desses grupos, ela aconselha a mudança do padrão estético no qual predominam, por exemplo, homens e mulheres brancas em fotos. 

AUSÊNCIA DE NEGROS

De acordo com dados do GEEMA (Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa) da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), uma baixa parcela dos colunistas nos três principais jornais do Brasil é negra. Em O Estado de S.Paulo, apenas 1% dos colunistas é negro, enquanto a Folha de S. Paulo tem 4% de negros entre os formadores de opinião. Já em O Globo o número salta para 9%. 

Cinthia Gomes diz que esses dados revelam uma prática jornalística pouco diversificada. Ao analisar o perfil de jornalistas da equipe do "Jornal Nacional", ela contou que a maioria  é de homens brancos de classe média ou alta. Para aumentar a diversidade no jornalismo, ela cita iniciativas da Cojira para incluir a diversidade racial nas pautas e nas redações, como o curso "Gênero, Raça e Etnia para Jornalismo", o "Guia de Fontes" que compila contatos de profissionais, pesquisadores e personagens negros para entrevistas, e o concurso cultural "Negritude em Pauta", que estimula a produção de matérias relacionadas à questão racial entre estudantes de jornalismo."É preciso uma readaptação de postura por parte dos meios de comunicação para que tenhamos mais profissionais negros no meio jornalístico", pontua Cinthia. 

Para a jornalista Juliana Nunes, é necessário falar sobre o racismo na mídia. "Ele [o racismo] está institucionalizado na nossa sociedade e existem pessoas negras, homens e mulheres, que estão lutando para reverter isso", aponta ela. Na EBC, onde trabalha, Juliana conta com um coletivo negro dentro da empresa composto por cerca de trinta jornalistas. Na empresa pública, ela ressalta as produções jornalísticas que desnudam o racismo no Brasil, como "Grande Otelo: o gênio negro da arte brasileira".  

Segundo ela, as pautas raciais do jornalismo devem ser abordadas por todos profissionais, independentemente da cor, mas ressalta que é importante o jornalista negro poder trabalhar com isso. "Pautas raciais podem mudar a vida do jornalista negro e a própria forma dele encarar a profissão", disse. Para Juliana, isso permite o empoderamento do negro no exercício da profissão. "Ele se fortalece nesse processo e temos tido avanços importantes da comunicação pública em relação a isso. Maria Júlia Coutinho [jornalista de meteorologia da Rede Globo] é um exemplo, ao reafirmar sua posição de mulher negra diante dos ataques racistas que sofreu recentemente", conclui.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Postura do repórter pode influenciar forma como cérebro compreende e armazena notícias

Por Ariane Costa Gomes


Diariamente temos acesso a uma grande quantidade de notícias. Somos informados sobre o que acontece no mundo dos esportes, da política, da cultura, entretenimento etc. Mas, já parou para pensar como essas informações são armazenadas em nossa memória ou em como despertam nossos sentimentos? 

Essas foram algumas das questões abordadas no painel "O cérebro e a notícia: fatos, versões e interpretações" nesta quinta feira (23) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado em São Paulo.
Foto: Alice Vergueiro
Mediado pelo jornalista e professor Marcelo Träsel, o painel foi conduzido pelos palestrantes André Martins, professor da EACH-USP (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo) e André Palmini, chefe do serviço de Neurologia do Hospital São Lucas da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). 

O modo como interpretamos uma informação envolve uma série de fatores que vão além do que está sendo transmitido, segundo os palestrantes.

A linguagem não verbal e a empatia, capacidade de colocar-se no lugar do outro, presente na mensagem transmitida pode interferir na forma como a compreendemos e sentimos a notícia.

Uma imagem impactante ou um repórter com expressão assustada transmitindo uma informação, por exemplo, tem um peso significativo em nosso cérebro comparado quando lemos o que está sendo noticiado. 

A expressão, tom de voz e a postura do repórter também influenciam o compreendimento da notícia pelo público. Além disso, a empatia também é capaz de determinar se a informação será algo passageiro ou um conhecimento adquirido. 


Essa relação de empatia e a mensagem que a linguagem não verbal nos transmite é o que faz com que algumas notícias fiquem armazenadas em nossa memória, segundo Palmini. "A capacidade de linguagem não verbal impacta nosso sistema emocional", afirma.

A memória pode ser construída e reconstruída muitas vezes influenciada por aspectos externos e sociais como apontou o neurologista Palmini. Nesse construção da memória, misturam-se aspectos individuais e coletivos a partir das relações estabelecidas em sociedade. 

"O medo de não pertencer ao grupo nos leva a pensar que o julgamento do grupo é mais correto do que o individual", Palmini.

ERROS E ACERTOS

O cérebro possui uma capacidade limitada de armazenar informações com dois sistemas de funcionamento: um que faz uma avaliação rápida com regras simples de aproximação e permite decisões mais rápidas e outro que analisa de forma mais criteriosa e lógica. 

Dessa forma, segundo alerta Martins, é preciso ter cuidado com o nosso próprio cérebro que, às vezes, pode nos levar ao erro. "Confiamos muito mais na cabeça da gente ou de um grupo do que deveríamos".

Martins aponta para o procedimento de escolha de fontes confiáveis para compor uma reportagem.
"Ao escolher uma fonte que reforce o seu posicionamento, o repórter acaba fazendo uma análise incompleta sobre o assunto pois não contrapõem as informações divergentes", diz. Apresentar esses dois lados da informação é importante para que o público possa fundamentar sua opinião considerando os dois lados, segundo o pesquisador.

Martins aponta a importância de analisar cada questão de forma séria e independente de modo que haja mistura de opiniões. "Sempre tem algo que gostamos mais,  mas é inevitável não tomar lados é importante buscar argumentos que sejam contrários a sua posição", sugere o professor.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.


“A gente não quer saber de autoridades, as autoridades são as pessoas comuns”, diz Caco Barcellos


Por Karina Balan

Destaque no dia de abertura do 11º Congresso da Abraji, o jornalista Caco Barcellos dividiu um pouco da sua experiência como repórter no painel "Profissão Repórter:10 anos". Na manhã desta quinta-feira (23), em um auditório lotado, ele e o companheiro Caio Cavechini, editor-executivo do programa, além do repórter e ex-produtor do "Fantástico", Guilherme Belarmino, falaram das origens e do significado do programa que se consolidou como uma referência em reportagem na televisão.

Fotos: Alice Vergueiro
"Eu sonhava em um dia fazer um programa que não tivesse as coisas que eu não gosto, pensando nas brechas da cobertura da mídia como um todo", conta Caco, sobre o surgimento do programa em 2006. Considerado um dos melhores jornalistas da TV brasileira, ele começou a carreira como repórter na década de 1980, passando por veículos da imprensa alternativa até chegar à televisão. O "Profissão Repórter" estreou como um  especial do "Globo Repórter", e hoje já ultrapassa a marca de 270 edições.


Cada episódio produz cerca de 25 horas de gravação, das quais apenas 30 minutos são utilizados. Durante sua existência, são mais de 7 mil horas de material bruto, o que equivale a nove meses de imagens. Para Caco Barcellos, o diferencial do programa é o olhar plural sobre um mesmo tema, em que a matéria-prima para uma boa reportagem é a vivência na rua. "A gente não quer saber de autoridades falando nas nossas reportagens. As autoridades são as pessoas comuns. As pessoas sempre trazem grandes histórias, depende de você querer ouví-las".

Guilherme comentou também sobre a importância de desconfiar das versões oficiais das notícias. "A gente tenta um enfoque diferente sobre casos nos quais as pessoas já ouviram quase tudo. Tem sempre a versão oficial do que aconteceu, e a às vezes a gente descobre anos depois que existe uma lacuna". Caio pontua também a mudança de comportamento do público com a chegada de novas plataformas. "Há um tempo atrás as pessoas enxergavam a notícia como um espelho da realidade, e hoje as pessoas sabem que é só uma versão do que aconteceu", diz.


O formato do programa também passou por mudanças ao longo dos anos, e hoje é a videorreportagem, com o repórter e sua câmera na mão. Caio Cavechini ressaltou a independência do repórter na execução do trabalho. "A compartimentalização do trabalho deixa o jornalista menos dono daquilo que vai ao ar, e o Caco trouxe isso de que o repórter produz e edita a própria reportagem, tem um 'quê' de artesanal na forma de fazer", comenta.

Em um momento de polarização política, o programa preza pela ausência de opinião. De acordo com Caco Barcellos, um acontecimento que não é manchete às vezes é muito mais importante do que o furo jornalístico. Na avaliação dele, as reportagens do programa são sempre inéditas. "A rigor, o Profissão Repórter é exclusivo, já que a gente vai aonde os outros não vão e onde a mídia não cobre, principalmente as regiões mais pobres", pontua.


Para encerrar sua fala, Caco disse não ter vergonha de nada do que fez ao longo de sua carreira e fez um apelo aos jovens jornalistas: "Estamos em um país extremamente desigual. Pense duas vezes por qual lado você vai contar sua história". Após o painel, ele participou de uma sessão de autógrafos do livro "Profissão Repórter 10 Anos: Grandes Aventuras, Grandes Coberturas", lançado em abril deste ano. O livro registra os bastidores das melhores reportagens exibidas sob a ótica de Caco e alguns dos 40 jornalistas que já passaram pela equipe.

O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Livro-reportagem: uma história que não cabe no jornal


Por Juliana Tahamtani

"Os livros-reportagem são resultados de uma inquietação que você tem ao longo da vida e, às vezes, as páginas de um jornal são insuficientes". É assim que o jornalista Rubens Valente, da Folha de S.Paulo, iniciou a palestra "Livro-reportagem:alternativa para publicação de grandes investigações" na manhã desta quinta-feira no primeiro dia do 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. Ao lado dele, o repórter Vladimir NettoTV Globo, também compartilhou sua experiência.

Fotos: Alice Vergueiro

Os dois jornalistas produziram livros-reportagem e contaram como é a produção do trabalho. Para eles, a organização na coleta e na análise das informações são pontos fundamentais para o desenvolvimento de uma grande reportagem. Sem a limitação de um jornal ou de uma reportagem em TV, o livro é uma alternativa para apurações ou histórias de fôlego.  

Vladimir, autor do recém lançado " Lava-Jato - O juiz Sérgio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil", conta que dividiu o livro pelas etapas que considerou mais importantes em todo o processo da Lava-Jato e deu destaque para as grandes delações. Só depois ele montou um "guia documental" com as principais informações que queria desenvolver e foi atrás dos personagens para  ilustrar a pesquisa. 



"Primeiro fiz um esqueleto do que era o fato que eu queria contar e das coisas mais importantes e, a partir dali, fiz as entrevistas, para rechear a narração com emoções e histórias", conta. O repórter revela que a técnica usada na produção da reportagem foi reconstruir os principais fatos da Lava Jato a partir de entrevistas e documentos do processo. 

Já Rubens Valente, que publicou o livro "Operação Banqueiro" em 2014, deu algumas dicas de como começar o processo de escrita de um livro-reportagem. Segundo ele, é importante pesquisar sobre um tema prazeroso e escrever todos os dias. Rubens afirma que, para alavancar a criatividade, é melhor iniciar a escrita pela parte mais interessante da história. 



Vladimir Netto e Rubens Valente concordaram que "o livro-reportagem é fruto do amadurecimento da carreira".   


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Recém-formados exploram linguagem multimídia nos trabalhos de conclusão de curso

Por Tiago Aguiar


Apresentada nesta quinta-feira (23) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a mesa “TCCs de jornalismo: a produção multimídia dos recém-formados” destacou três ideias inspiradoras. Os jovens jornalistas selecionados pela Abraji para apresentar seus trabalhos no painel apostaram em inovação da linguagem para driblar a crise que assola o modelo de negócios do mercado tradicional. 

Foto: Alice Vergueiro
A primeira a apresentar seu trabalho foi Bruna de Faria, formada pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ao desenvolver o livro-reportagem Realidades Musicais, uniu duas paixões: quadrinhos e música. O projeto, que aborda histórias de sujeitos e suas relações singulares com cancões, foi ilustrado e roteirizado pela própria autora.

“Minha intenção foi mostrar como os quadrinhos são uma alternativa para o fazer jornalístico e também levar esse assunto para o ambiente acadêmico”, diz Bruna, que começou a trabalhar com o formato anteriormente ao TCC, em uma pesquisa de iniciação científica.

Outro participante, Felipe Neves, adotou o formato audiovisual para mostrar em seu trabalho final do curso de jornalismo da PUC-SP (Pontíficia Universidade Católica de São Paulo) um retrato da complexidade das várias ramificações evangélicas existentes no país, que juntas somam 25% da população.

 “Durante toda a graduação sempre fiz a filmagem nos trabalhos das disciplinas de audiovisual. O documentário eu fiz sozinho, já estava minimamente preparado”, conta Neves.

O resultado foi o documentário “Púlpito e Paralamento” (67 minutos, 2015) que trata da relação de evangélicos enquanto eleitores e enquanto políticos.

O então estudante percorreu São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília durante o último ano da faculdade para captar as imagens e depoimentos do filme. Além das distância, Neves, que é evangélico e morador da periferia de São Paulo, encarou outro desafio: separar o pessoal do profissional.

“Tentei ser o mais jornalístico possível. Sei que o processo nunca é imune de subjetividades e por isso tornou-se um documentário”, diz.

Carlos Juliano Barros, diretor do documentário “Eu, Jean Willys”, sobre a atuação de Jean Willys na Câmara dos Deputados, foi referência para Neves durante toda a produção. De quebra, ele acabou participando da banca do estudante na PUC. O trabalho do estudante agradou tanto que o diretor acabou comprando imagens feitas por Felipe. “Foi a única arrecadação que tive no processo”.

 Veja o documentário “Púlpito e Paralamento”, de Felipe Neves:


Natália Blanco, Brenno Souza e Melissa Lima se uniram na Universidade Metodista de São Paulo, no final de 2015, para tratar sobre o programa Bolsa-Família. Inspirados por aulas de empreendedorismo e no modelo da Agência Pública, foram além do projeto inicial e resolveram criar a Esquiva: agência de Jornalismo Independente especializada em Políticas Públicas.

 A reportagem especial sobre o programa social foi feita, mas virou projeto-piloto. “O jornalismo on-line é bom porque permite publicar tudo sobre assuntos que nunca se esgotam, como o caso do Bolsa Família”, conta Melissa.

 Os três foram responsáveis por todo o processo, inclusive a programação do site. Na página, é possível encontrar informações em formato de infográficos, vídeos, textos e áudios.

 A intenção dos jornalistas é manter o projeto. “Assim como a Agência Pública, queremos dar continuidade ao nosso projeto através de crowdfunding”, afirma a fundadora do projeto.

Esta edição do Congresso foi a que mais recebeu inscrições para apresentação de TCCs, segundo a diretora da Abraji Leticia Duarte e moderadora da mesa. “Dessa vez precisamos pedir um reforço na análise”, conta. Foram 35 trabalhos inscritos neste ano, o maior volume desde que se iniciou a seleção de trabalhos de conclusão de curso, há três anos. Além dos três trabalhos multimídia, foram selecionados outros três em formato de livro-reportagem, apresentados em painel à tarde.

Jornalistas acompanhando exércitos é questionável, afirmam representantes do Médicos sem Fronteiras


Por Phillippe Watanabe


A visão da população que passa por uma crise humanitária sobre o repórter é influenciada pela organização que o profissional acompanha."Não ache que vocês vão para o Afeganistão com o exército americano e todo mundo vai falar o que realmente acontece ali", diz Alessandra Vilas Boas, diretora de comunicação da organização MSF (Médicos sem Fronteiras).
O painel "Como cobrir crises humanitárias" ocorreu na manhã desta quinta (23) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
As jornalistas Cláudia Antunes e Alessandra Vilas Boas, ambas da área de comunicação do MSF - organização internacional com foco em questões médico-humanitárias -, deram dicas sobre práticas em áreas de crises.
Vilas Boas afirmou que o repórter nas áreas de conflito precisa estar bem informado sobre a situação para entender os interesses envolvidos e, desse modo, o que representa estar acompanhando um lado ou o outro.
Fotos: Alice Vergueiro

Segundo ela, mesmo não existindo posições certas ou erradas, algumas ações poderiam ser evitadas. "Do ponto de vista da organização, jamais vamos nos associar a exércitos. E o jornalista ir com exércitos é questionável."
Para Antunes, a visão sobre um conflito é quase sempre parcial, o que proporciona mais visibilidade para um dos envolvidos. Consciente disto, o jornalista precisa buscar fontes do outro lado.

As representantes do MSF destacaram também a ideia "do no harm" (não prejudique, em tradução livre). Segundo esse princípio, a presença em campo tem impacto direto sobre a vida da população local, por isso, toda ação deve ser cuidadosamente pensada.
A diretora do MSF relata que entrevistar uma pessoa em determinados lugares pode ser o suficiente para colocá-la em risco. "Para mim não existe a 'história a qualquer custo'. Se tiver o mínimo risco para a pessoa com quem estou conversando, já não vale a pena. É preciso haver um equilíbrio", comenta Vilas Boas.
A sensibilidade quanto ao momento foi outro ponto de destaque do painel.
Quando um terremoto ocorre, por exemplo, falar com fontes em locais fechados pode não ser uma boa ideia, tanto do ponto de vista da segurança pessoal, pois outro tremor pode acontecer, quanto pelo recente trauma experimentado pelas pessoas da região.
Vilas Boas e Antunes destacaram que acompanhar e contar as histórias dos indivíduos em situação de crise pode servir como uma forma de alívio para as vítimas, mas que isso não é o suficiente.
"Eu entro no avião, vou embora para minha casa e as pessoas vão ficar aqui nesta situação", afirma Vilas Boas.

O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Reportagens mostraram manipulação da taxa de homicídio pelo governo de São Paulo

Por Luan Ernesto Duarte


Os repórteres Alexandre Hisayasu, Bruno Ribeiro e Felipe Resk, do jornal O Estado de S.Paulo, fizeram um levantamento em boletins de ocorrência registrados como "morte suspeita" pela Policia Civil no primeiro semestre de 2015 na capital paulista.

Nesse período, quando Alexandre de Moraes, atual ministro da Justiça, ocupava a Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o governo apresentou uma redução inédita nos índices de criminalidade.

Com o levantamento feito nos boletins, os repórteres acharam 21 casos que ficaram de fora das estatísticas criminais. Eles foram reclassificados, na maioria, como "lesão corporal seguida de morte", apesar de terem um histórico de homicídio.

Foram selecionados 84 casos entre 3.766 registros de "morte suspeita" na capital.
Segundo o trabalho dos repórteres, se os 21 casos tivessem entrado nas estatísticas, o primeiro semestre de 2015 teria fechado com 3,6% a mais de vítimas de assassinato na cidade, ou 590 pessoas mortas em vez das 569 que foram divulgadas pela secretaria.

Eles obtiveram os dados por meio de quatro pedidos via Lei de Acesso à Informação, conforme explicaram nesta quinta-feira (23) no painel "O uso de jornalismo de dados na cobertura criminal". 

Foto: Alice Vergueiro
"Além do requerimento dos dados via Lei de Acesso, também fomos à delegacia diversas vezes. À medida que eu fazia perguntas ao investigador, ele percebeu que eu estava escrevendo uma matéria mostrando que a Secretaria registrava os casos de forma errada", conta Felipe Resk.

Ele também comenta sobre a importância de contextualizar os números com as histórias. Segundo contou, isso foi difícil porque o "boletim de ocorrência físico nem sempre tem um histórico preciso".

O repórter destaca que por meio dos boletins, eles conseguiram os dados pessoais das vítimas. Eles procuraram policiais civis, testemunhas e familiares dos mortos. Os parentes relataram que os crimes foram cometidos por traficantes de drogas, desafetos pessoais e até por assaltantes. Na apuração eles conseguiram mostrar os casos de homicídio que viraram "morte suspeita".

VIOLÊNCIA POLICIAL 

A reportagem de Amanda Rossi, da TV Globo, é um mergulho em mais de 4 mil boletins de ocorrência. Sua equipe fez um retrato da violência em São Paulo e descobriram que 1 em cada 4 pessoas assassinadas no Estado foi morta pela polícia.  

Foram feitos levantamentos com dados públicos para investigar a estatística do governo do Estado. "Como ponto de partida, os números sempre norteiam a reportagem. É necessário 'entrevistar' esses dados, fazendo perguntas, até chegar no lead", explica Amanda.

Através da Lei de Acesso e estatísticas públicas, sua equipe chegou à informação de que apesar da queda das mortes provocadas por PMs em serviço, houve aumento de 61% no número de vítimas da PM de folga.

Todos os boletins de ocorrência de mortes violentas entre janeiro e novembro de 2015 foram analisados antes desses documentos se tornarem sigilosos pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB).

A equipe de reportagem montou um mapa da violência em SP com base nas análises desses boletins que revelam onde morreram e o perfil de cada uma das 1.335 vítimas de homicídio, latrocínio e violência policial, de janeiro a novembro do ano passado.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Aplicativo de troca de mensagens ajuda a aproximar jornais dos leitores

Por Helena Mega


As pessoas olham, no mínimo, 150 vezes para a tela de seus celulares todos os dias. Observando esse comportamento, o editor de cidade e polícia do jornal Extra, Fábio Gusmão, decidiu em 2013 lançar um número de WhatsApp do veículo.

Foto: Alice Vergueiro
 Nas primeiras 48 horas, 338 pessoas foram cadastradas. Gusmão, que cuidava pessoalmente do perfil, salvou o contato de cada uma delas. O jornal ganhou alcance nacional e internacional, e conta hoje com 26 mil pessoas cadastradas no mailing, incluindo brasileiros que vivem em 24 países diferentes.

 Não demorou, no entanto, para que os bloqueios começassem a vir. "Durante quatro meses, fui descobrindo todos os problemas", relata Fábio. Hoje o jornal se aproveita da lista de contatos, que inclui não apenas o nome, mas também o endereço e a idade dos leitores, para colher informações aonde os repórteres não conseguem estar. "Não existe mais testemunha ocular, existe testemunha em celular", brinca.

Para o jornal O Estado de S.Paulo, o Whatsapp transformou-se em um grande difusor de notícias. Uma das primeiras experiências com o aplicativo foi uma reportagem especial intitulada "Caminho de Santiago", quando 1.500 leitores acompanharam, através de um grupo, os 800 quilômetros de viagem de um repórter e um fotógrafo até a cidade espanhola. 

Hoje, manchetes são enviadas três vezes ao dia (manhã, tarde e noite) a milhares de números cadastrados. O envio é manual, feito por celular, e parte de uma rigorosa curadoria. "Apesar de todas as tecnologias, o trabalho de jornalista está cada vez mais importante", afirma Luis Fernando Bovo, editor-executivo de conteúdos digitais do jornal.

Eles participaram na manhã desta quinta-feira (23) do painel "Novas tecnologias de apuração e difusão", no qual contaram casos sobre o uso dessas ferramentas. A interação com o público já fez com que, por exemplo, uma foto enviada por um leitor estampasse a capa da edição impressa. Com a formação dos grupos, foram registrados 10 mil usuários novos no site, já que as manchetes, além dos emojis, vêm acompanhadas de links para a leitura das notícias completas.

Um caminho contrário vem sido seguido por Bernardo Brandão, sócio-diretor da DGBB Assessoria de Imprensa. Criador e desenvolvedor da plataforma Instainfo, ele envia para seus clientes, via WhatsApp, as principais notícias do dia de acordo com o perfil de cada um.

"Faço chegar até você a notícia que fará diferença no seu dia a dia, no seu negócio, no trânsito do caminho até a sua casa", explica Brandão. Ele tem como aliado o fato de que, atualmente, 91% do consumo de notícias é feito de forma online.

LIMITAÇÕES 

Quando surgiu em 2009, a proposta do WhatsApp era a de substituir os SMS no envio das mensagens de texto, tornando-as gratuitas. Os seus próprios usuários, contudo, o transformaram em uma rede social e, por ser muito simples, fez muito sucesso.

As suas limitações técnicas, portanto, são muitas. Com grupos de, no máximo, 256 pessoas, o alcance de milhares depende de muito trabalho manual. Os números, da mesma forma, precisam ser cadastrados um a um na lista de contatos.

Para chegar a todos, o corpo de texto deve ser alterado em um certo intervalo para que a mensagem não seja identificada como spam. "O WhatsApp um dia vai acabar. Quando você fica muito grande, é bloqueado", coloca Gusmão. Assim, ao mesmo tempo em que os veículos investem nele, tentam migrar para outras plataformas.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

22/06/2016

Com bons exemplos e debates sobre novas tendências, congresso discutirá jornalismo no Brasil e no mundo

Por Luan Ernesto Duarte

Começa nesta quinta-feira (23), em São Paulo, o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Durante os dias 23, 24 e 25 de junho, o evento na Universidade Anhembi Morumbi, campus Vila Olímpia, terá cerca de 70 painéis e workshops com temas voltados para inovações tecnológicas, segurança pública, política, esportes, jornalismo de dados, técnicas de reportagem, entrevista e redação.

As discussões no congresso sobre o jornalismo brasileiro e mundial devem reunir cerca de 600 participantes. As atividades serão divididas em nove salas, três laboratórios e um auditório.

O jornalista Caco Barcellos estará junto com sua equipe do “Profissão Repórter”, da Rede Globo, passando em revista os dez anos do programa em um painel especial. Este ano Caco reuniu algumas de suas histórias, desde quando o “Profissão” era ainda um quadro do “Fantástico”, em um livro no qual conta histórias dos 10 anos de programa.

A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), fará palestra na sexta-feira (24) sobre o tema “Liberdade de imprensa e expressão no Judiciário”. A futura presidente da corte discutirá questões como a relação entre mídia e Judiciário.

O congresso terá palestrantes dos Estados Unidos, Inglaterra e Argentina. Entre eles, o jornalista norte-americano Bob Garfield, que comanda o programa On The Media na NPR, rádio pública dos Estados Unidos, que fechará o evento no dia 25 com o painel “Imprensa: o que vem depois da crise”. Em seu programa, Garfield faz uma análise crítica da imprensa americana, tratando de grandes temas da atualidade. 

Guilherme Alpendre, secretário-executivo da Abraji, destaca o painel “Por trás do Panamá Papers”, a investigação jornalística feita por repórteres de todo o mundo que revelou segredos dos negócios offshore de líderes globais, políticos, criminosos e celebridades. Os jornalistas Fernando Rodrigues (UOL), José Roberto de Toledo (O Estado de S.Paulo) e Marina Walker Guevara (ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que coordenou a apuração) falarão sobre os bastidores da reportagem.

A repórter Elvira Lobato será a homenageada desta edição. Ela recebe a homenagem pelo conjunto de seu trabalho jornalístico. Em 2016, ela completa quatro décadas de carreira como repórter, com passagens por veículos como o jornal Folha de S.Paulo. O jornalista Alberto Dines receberá o Prêmio Abraji de Contribuição ao Jornalismo. Dines tem mais de 60 anos de carreira e é editor-chefe do site Observatório da Imprensa, que completou 20 anos em abril deste ano. 

Marina Iemini Atoji, gerente-executiva da Abraji, destaca os cursos “Como o investigar o gasto público”, com Gil Castello Branco, fundador da ONG Contas Abertas, “Reportagem em vídeo”, com Raphael Erichsen, diretor de criação da produtora 3FilmGroup, e “Como fazer visualização de dados com Tableau”, com Daniel Lima, editor-assistente de infografia do jornal O Globo. Os infográficos de Daniel estão entre os 10 perfis do Tableau Public mais visualizados.

A programação completa do congresso da Abraji pode ser vista aqui.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.