27/06/2019

No WhatsApp, apenas 8% do conteúdo sobre as eleições de 2018 era verdadeiro

Coalizão de 24 veículos brasileiros atuou durante período eleitoral para desmascarar informações virais 

Por Helena Mega
Representantes de diversos veículos que integram  projeto Comprova no Brasil (Foto: Alice Vergueiro / Abraji)

Claire Wardle está espantada com o Brasil. Em 2018, a pesquisadora inglesa trouxe para o país um projeto para monitorar conteúdos virais relativos à campanha eleitoral na internet. Em sua sexta visita às terras brasileiras, ela veio apresentar os resultados da iniciativa em números, o que inclui 78.462 arquivos submetidos pelo público via WhatsApp. 

 No comando do First Draft, organização sem fins lucrativos que pesquisa e combate a desinformação nas redes sociais, Claire foi a responsável por convocar uma coalizão inédita no Brasil: 24 veículos de comunicação, concorrentes entre si, trabalhando em conjunto. O lançamento do Comprova, como a iniciativa foi batizada, aconteceu em 28 de junho de 2018, durante a 13ª edição do Congresso da Abraji. 


A geração que aposta na investigação

Projetos de TCC denunciam crimes e desigualdades

Por Luísa Cortés 
Edição Leandro Melito
Maria Vitória Ramos apresentou o livro-reportagem Indigentes (Foto: Guto Marcondes)

A vida da população LGBT em presídios, identidade racial, destino dos mortos indigentes, informações sobre a doença rara adrenoleucodistrofia - popularizada pelo filme O óleo de Lorenzo (1992), de George Miller. 

Esses são os temas de alguns Trabalhos de Conclusão de Curso de alunos recém-formados de jornalismo, apresentados na mesa Mostre e conte:a nova geração de jornalistas, do 14° Congresso da Abraji.

A Bula do Jornalismo ‘Anti-inflamatório’

Técnicas como abandonar palavras-gatilho, expor vulnerabilidades e exercitar a imaginação podem ser eficazes em uma cobertura ponderada

Por Juliana Fronckowiak Geitens
Edição Germano Assad
Raquel Cabral e Cris Bartis (Mamilos) deram dicas para convívio pacífico e opiniões plurais. Foto: Alice Vergueiro / Abraji


Discussões, amizades perdidas, relacionamentos rompidos… quem nunca saiu de um grupo ou bloqueou alguém nas redes sociais que atire a primeira pedra. “Se a gente quiser continuar vivendo numa democracia, precisamos fazer as pazes com o  conflito”, disse Cris Bartis. Em outras palavras, a co-fundadora do Mamilos Podcast, diz ser necessário criar espaços seguros no jornalismo para que opiniões distintas convivam de forma tolerante.

O Mamilos iniciou como um hobby e foi ao ar pela primeira vez no final de 2014 com o objetivo de discutir temas polêmicos, visões divergentes, mas com tranquilidade, empatia e bom humor. É o que Raquel Cabral, professora e pesquisadora da Unesp, acredita ser  a base de um jornalismo que não fomenta a polarização e rompe com a cultura de violência enraizada na nossa sociedade. “A violência cultural é a mais poderosa e mais sutil porque está presente nos discursos, na música, no cinema e nas expressões coloquiais… fomos educados na cultura de violência e é muito difícil romper isso”, disse na manhã desta quinta-feira, durante o 14º Congresso da Abraji, em São Paulo.

Por que elas não falaram antes? Os bastidores do caso João de Deus

As investigações sobre um dos maiores escândalos sexuais do mundo

Por Joyce Moura e Luana Nunes
Edição Cristiane Paião e Pâmela Ellen Chagas Gama
Foto: Alice Vergueiro / Abraji
Para Pedro Bial, um dos jornalistas envolvidos na cobertura de um dos maiores escândalos dos últimos tempos, apesar do preconceito e do machismo, responder à pergunta "por que elas não falaram antes" é importante. "A gente sabia que o público ia fazer essa pergunta, então era importante que a gente perguntasse isso, com todo o cuidado e com todo o respeito", enfatiza. 

Foi justamente para dar peso ao depoimento das mulheres abusadas por João de Deus que a equipe envolvida na cobertura precisou se preparar inclusive psicologicamente, para tratá-las como sobreviventes e não como vítimas. Como nunca havia participado de uma cobertura como esta, debateram bastante como poderiam criar até mesmo um manual para cobrir futuros abusos.


Jogo sujo

Jornalistas revelam esquema da CBF para vender direitos de transmissão do Brasileiro

Por João Vitor Reis, Luana Dias e Matheus Menezes
Edição Tiago Angelo 
Cátia Seabra (Folha de S. Paulo) ressalta a necessidade de ser cuidadoso e claro com as  fontes. Foto: Alice Vergueiro

A repórter especial da Folha de S. Paulo, Cátia Seabra, recebeu um convite para tomar café com uma fonte antiga, durante a campanha eleitoral de 2018. A jornalista aceitou a proposta prontamente e, no decorrer da conversa, recebeu um papel com informações que culminariam em uma série de reportagens sobre um drible na licitação, encabeçado pela CBF, dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.


Para ajudá-la a apurar a informação, contou com o auxílio de alguns jornalistas, entre eles Diego Garcia, também da Folha. Em entrevista Cátia afirmou que a postura de seriedade de Garcia quanto ao trabalho jornalístico foi o que os uniu.



Intervenção Federal contribui para impunidade de militares no Rio de Janeiro, apontam repórteres

Palestrantes acreditam que militares envolvidos em casos de abusos no RJ não serão punidos

Por Mariana Soares
Rafael Soares (Jornal Extra) e Natalia Viana (Agência Pública) falam sobre o aumento da impunidade para militares no RJ

A Intervenção Federal e as mudanças na lei que alteram a forma de julgar militares contribui para a impunidade de casos de abusos cometidos no Rio de Janeiro. Essa é a avaliação da jornalista e cofundadora da Agência Pública, Natalia Viana, e do repórter de segurança pública Rafael Soares. "Se vocês me perguntarem o que eu acho que vai acontecer, eu digo nada. Nenhuma punição", aponta Rafael.

A Justiça investiga mais civis por desacato, resistência e obediência que pune agentes por mortes durante as operações da Garantia da Lei e Ordem, como afirma a reportagem de Natalia divulgada hoje pela Agência Pública, que é parte da série Efeito Colateral. Levantamento mostra que, desde 2011, 144 processos que envolvem civis em crimes respondiam na Justiça, enquanto apenas 29 militares respondiam às acusações de invasões de casas, ameaças e até mesmo tortura.



Novas narrativas são necessárias para cobertura mais completa de segurança pública

Setoristas apontam caminhos para cobertura plural

Por Yasmin Oliveira 
Edição Carolina Vieira
Jornalista Anabela Paiva fala sobre cobertura de segurança pública no Rio de Janeiro (Foto: Augusto Godoy / Oboré)

A cobertura de segurança pública carrega um peso: o jornalismo ainda depende de versões oficiais, e iss
o tira o poder de voz dos outros envolvidos, acusados e vítimas. A opinião é de Anabela Paiva, jornalista responsável pelo Observatório da Intervenção, que monitorou ações da Intervenção Federal no Rio de Janeiro. “Precisamos procurar novas fontes, fugir da assessoria da polícia”.

Diante deste cenário, Anabela, carioca, falou sobre a importância do projeto. Pela falta de coberturas mais aprofundadas e a opinião pública favorável, ela sentiu que eram necessárias iniciativas para medir os impactos.


O general que não se omite, nem se expõe

Discreto e sem menções diretas, ex-ministro culpa batalha ideológica e intervenções informais pela instabilidade no governo

Por Ariádne Mussato, Gabriela Silva de Carvalho, Luísa Cortés e Weslley Galzo
Edição Caroline Vieira, Cristiane Paião e Germano Assad 
General Santos Cruz foi o entrevistado na abertura do 14º Congresso Abraji (Foto: Augusto Godoy / Oboré)
Recém-demitido do Ministério da Secretaria de Governo, Carlos Alberto Santos Cruz, General reformado do Exército, abriu o Congresso da Abraji alegando não saber até hoje as motivações de sua demissão. Com uma referência bem humorada, citou a canção “Garçom”, de Reginaldo Rossi: “O meu caso é mais um, é banal”. 

Apesar do tom descontraído, que arrancou risos da plateia, informações de bastidores dão conta que a saída foi muito mais tensa do que o General alega. A demissão envolve atritos públicos com Carlos, o filho do meio do presidente e principal responsável pela comunicação da campanha presidencial, além de ataques frequentes da ala “ideológica” do governo encabeçada por Olavo de Carvalho.


06/06/2019

Perguntas frequentes sobre o 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

O 14º Congresso da Abraji está chegando! E, com a proximidade do evento é comum que os participantes fiquem com dúvidas sobre como chegar ao local, onde comer, a que horas chegar, onde se hospedar (para aqueles que não moram em São Paulo), como fazer o pagamento das inscrições... 

Pensando nisso, a Abraji reuniu as perguntas mais frequentes e deu respostas para facilitar a vida de todos. Tem alguma questão? Leia aqui:

1. Onde fica o Congresso?

O Congresso acontecerá na Universidade Anhembi Morumbi, unidade Vila Olímpia. Endereço: Rua Casa do Ator, 275, Vila Olímpia – São Paulo, SP. Veja o mapa que indica o local do evento e os arredores (hotéis, onde comer e outras utilidades).

2. Como chegar?

É possível ir ao Congresso de carro, ônibus ou trem (a estação Vila Olímpia da Linha 9 - Esmeralda fica a poucos minutos a pé do local). O mapa tem indicações dos pontos de transporte público mais próximos. A Rua Casa do Ator fica bem próxima ao corredor de ônibus da Avenida Santo Amaro, por isso, ônibus e táxis podem chegar com mais rapidez e facilidade ao Congresso.

Algumas ferramentas podem te ajudar a planejar a chegada: 

a) SPTrans: o site da empresa paulistana de ônibus informa o trajeto das linhas e onde os ônibus estão em tempo real. No mapa, basta passar o mouse sobre as paradas e as linhas que passam ali aparecerão; 

b) Tarifa de táxi: este site ajuda a calcular (aproximadamente) o quanto custará a corrida de um ponto a outro; 

c) Aplicativos de táxi: não é novidade, mas não custa lembrar: aplicativos de celular para chamar táxis, como 99Taxis e Easy Taxi funcionam muito bem em São Paulo. Uma alternativa ao uso de táxi é o aplicativo Uber, que também tem um bom funcionamento na cidade.

3. Onde comer?

No mesmo mapa que mostramos, marcamos alguns restaurantes, padarias e cafés na região, como referência.

4. Onde me hospedar?

A Abraji está com uma parceria com a agência DePassaporte, que oferece descontos e condições exclusivas para hospedagem de participantes do Congresso. Basta acessar o hotsite.

Outras ferramentas que podem ser úteis para encontrar hospedagem mais em conta:

a) Airbnb: por meio de cadastro no site, você pode encontrar pessoas que estão dispostas a ceder, mediante pagamento (geralmente mais módico que hotéis), um espaço em suas casas para hospedar turistas.

b) Hostel Bookers: o site permite fazer buscas múltiplas de preços em hostels na cidade.

5. A Abraji tem convênio com algum hotel para descontos a participantes?

Não.

6. Qual é o aeroporto mais próximo?

Aeroporto de Congonhas.

7. O Congresso tem certificado?

Sim. Independentemente do número de palestras às quais o participante assistir, ele receberá um certificado correspondente ao total de horas do Congresso: 18 horas. Este ano, o documento será enviado por e-mail após o fim do evento.

8. Posso fazer o pagamento relativo a só uma palestra, ou a um dia?

Não. Só é possível fazer a inscrição fazendo o pagamento integral, nos preços informados no site do evento.

9. Posso pagar só o Domingo de Dados?

Não. Apenas inscritos no Congresso podem participar do Domingo de Dados. Se você pagou sua inscrição no Congresso até 15.mai e quer acrescentar o Domingo de Dados, deve pagar a taxa extra de R$ 80 por meio deste formulário.

10. Como posso fazer o pagamento?

Por cartão de crédito ou boleto bancário via PagSeguro, ou via cartão de crédito via PayPal. O PagSeguro permite parcelamento em até 12 vezes (com juros). O site do Congresso te mostra as opções.

11. Sou pós-graduando. Pago o preço de estudante ou de profissional?

De profissional.

12. Quero me associar à Abraji. Vou pagar o preço com desconto no Congresso deste ano?

Sim. Primeiro, faça a sua associação no site. Após a confirmação do seu cadastro como associado, você poderá fazer sua inscrição com desconto.

13. Até quando posso editar a grade?

Até as 23h59 do dia 24 de junho – sempre mediante disponibilidade de vagas nas palestras.

14. A que horas devo chegar?

O credenciamento (distribuição de crachá e kit do participante) começa às 8h e dura o dia todo, em todos os três dias do Congresso.

Serviço
14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo
Universidade Anhembi Morumbi (Rua Casa do Ator, 275, Vila Olímpia – São Paulo, SP)
27 a 29 de junho de 2019
Inscrições até 26 de junho em congresso.abraji.org.br

Inscrições abertas para o 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo


Estão abertas as inscrições para o maior encontro de Jornalismo da América Latina. O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji acontece de 27.jun.2019 a 29.jun.2019  na Universidade Anhembi Morumbi, no campus Vila Olímpia (Rua Casa do Ator, 275) em São Paulo.

Grupos de 6 ou mais pessoas têm desconto especial de 17% no valor das inscrições. Para fazer inscrição de grupos, monte o seu e entre em contato com financeiro@abraji.org.br. Os preços estão disponíveis no site do Congresso.

Realizado anualmente desde 2005, o Congresso da Abraji reuniu mais de 800 pessoas em 2018. Daniel Bramatti, presidente de Abraji, destaca a importância do Congresso para a reflexão sobre o jornalismo. “Neste ano teremos oportunidade de debater o contexto internacional em que governos autoritários fomentam o ódio à imprensa ao mesmo tempo em que corroem outras salvaguardas da democracia”, comenta. “Também vamos discutir o turbulento cenário de transição para os meios digitais e os caminhos para dar sustentabilidade econômica aos veículos tradicionais e aos novatos.”

Este ano estão confirmadas as participações de dez convidados internacionais: Adam B. Ellick, produtor executivo do New York Times da série de vídeos “Operation Infektion”, sobre desinformação; Ken Bensinger, repórter do time de investigações do BuzzFeed News nos EUA; Mago Torres, professora de jornalismo na Universidad Iberoamericana que colaborou no Panama Papers; Gabriel Dance, editor-adjunto de investigações do New York Times; Diego Salazar, colaborador do New York Times em espanhol; Moez Chakchouk, diretor-adjunto geral de comunicações e informação da UNESCO; Emilia Diaz-Struck,coordenadora para América Latina do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, sigla em inglês); Marzena Suchan, editora-chefe do Onet, o maior jornal digital da Polônia; Luz Mely Reyes, diretora e co-fundadora da agência de notícias Efecto Cocuyo, cobre política na Venezuela há mais de 25 anos e Rachel Glickhouse, gerente do projeto Documenting Hate (Documentando o Ódio), da ProPublica. 

Entre os destaques nacionais, haverá palestras com Cris Bartis e Juliana Wallauer, apresentadoras do podcast Mamilos; Pedro Bial, apresentador do talk-show Conversa com Bial que revelou as denúncias contra João de Deus; Lola Ferreira, repórter na Gênero e Número; Ivan Mizanzuk, produtor dos podcast AntiCast e Projeto Humanos, dedicado ao formato narrativo; e outros jornalistas e profissionais de áreas como tecnologia, política e direitos humanos. Outros nomes estão em processo de confirmação.

Os painéis acontecem paralelamente, o que significa que haverá atividades em mais de uma sala ao mesmo tempo. No ato da inscrição, o participante deve escolher a quais painéis prefere assistir. Dessa maneira, fica garantida a entrada nas palestras de todos os que se inscreverem antes da lotação máxima. Todo participante recebe uma senha, e pode fazer alterações na grade pelo site do Congresso.

Serviço
14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo 
Universidade Anhembi Morumbi
Rua Casa do Ator, 275, Vila Olímpia – São Paulo, SP
27 a 29 de junho de 2019
Inscrições em congresso.abraji.org.br