30/06/2019

7 dicas e um segredo para ser feliz fazendo jornalismo de dados


José Roberto de Toledo ensina como entrar na área.

Por: Géssica Brandino e Giulia Afiune
José Roberto de Toledo, editor do site da piauí compartilha ensinamentos sobre jornalismo de dados. 
Se há dez anos, o jornalista sofria com a escassez de informação, o problema hoje é justamente o inverso: lidar com uma imensidão de dados. Se cada byte fosse um litro d’água, em um ano a quantidade de informações produzidas poderia encher o Oceano Pacífico. 

A analogia feita pelo jornalista e editor-executivo do site da revista piauí, José Roberto de Toledo, ajuda a entender o desafio encarado por repórteres que trabalham com dados.

"A agulha que a gente procurava com a ajuda de um bloquinho e uma caneta, hoje a gente tem que achar dentro de um palheiro que é cada dia maior”, afirmou.

Para além dos dados: Como transformar estatísticas e documentos em reportagens interessantes

Estadão, G1 e Folha de S. Paulo revelam bastidores de importantes matérias feitas a partir de dados
Thiago Reis, do G1, fala sobre a reportagem de dados “Escravos sem Correntes” . Foto: Alice Vergueiro.

Por Samara Najjar

Transformar estatísticas e documentos em histórias de interesse público é um dos maiores desafios do jornalismo de dados. Para além de traduzir planilhas e convertê-las em textos, jornalistas também apostam em diferentes recursos para prender a atenção do leitor e explicar temas importantes de forma mais didática.

A elaboração de um infográfico foi uma das principais etapas da produção do Basômetro  2.0, do jornal Estadão. O projeto trata-se de uma ferramenta online que permite medir o governismo de cada partido político ou deputado entre os anos de 2003 até os dias de hoje. Nele, há registros dos mais de 844 mil votos dados por 1.811 parlamentares em todas as 2.427 votações realizadas na Câmara nos últimos 17 anos.

Entrevista: assassinato de jornalistas cria zonas silenciadas na América Latina, diz assessor da Unesco

Guilherme Canela, assessor da Unesco, fala sobre os desafios para o exercício da profissão na região

Por Ana Luisa Zaniboni, Cristiane Paião, Stéfanie Rigamonti e Leandro Melito

Edição: Leandro Melito e Stéfanie Rigamonti


Guilherme Canela, assessor da Unesco. Foto: Cristiane Paião.
A América Latina é a região do mundo sem um conflito armado aberto com maior número de assassinatos de jornalistas no mundo. Em 2017 foram registrados 22 casos na região - o equivalente a 28% das mortes em todo o mundo. Em 2016 foram 28 casos - 27% do total. As informações são do relatório da Unesco Punir o Crime, Não a Verdade

“Se eu tivesse que escolher um problema, o primeiro que a gente tem que atacar é que as pessoas parem de matar jornalistas”, afirma Guilherme Canela, Assessor Regional de Comunicação e Informação da Unesco. 

Entrevista: Jornalismo comunitário aproxima grande imprensa e academia da realidade periférica


Gabi Coelho transita entre favela e asfalto, reportando temas caros à periferia

Por Ana Luisa Zaniboni, Germano Assad e Leandro Melito
Edição: Germano Assad

Jornalista Gabi Coelho, em painel no 14º Congresso da Abraji. (Foto: Alice Vergueiro / Abraji)

Cobrir temas relevantes e presentes no cotidiano das favelas e periferias Brasil afora sempre foi um desafio, em especial para a grande imprensa e correspondentes internacionais baseados no país. Para não incorrer em velhos clichês e preconceitos, nada como uma visão de dentro, sensível à imensidão do país e suas nuances regionais.

A imprensa alternativa tem histórico de representatividade no Brasil, mas com o assassinato de Tim Lopes, em 2002, passou a pautar com mais frequência as mídias de massa. Por um lado pela consolidação de novos coletivos, jornalistas e mídias. E por outro, pela busca dos canais tradicionais por uma cobertura comunitária segura, plural e que vá além do narcotráfico e da utilidade pública pontual.

Gabi Coelho é uma destas jornalistas, que tem colocado sua “visão de mulher negra periférica, jovem” a serviço do diálogo entre a favela e o asfalto.

Vídeos | Como fazer para que as pessoas voltem a confiar na imprensa?

A Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro fez esta pergunta para alguns dos jornalistas que participaram do primeiro dia do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Estão no vídeo: Rafael Soares, do Jornal Extra; Daniel Bramatti, da Abraji/Estadão; Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo; Guilherme Amado, Revista Época.

Captação de imagem e edição: Mauricio Abbade
Produção: Caroline Oliveira e Mariana Soares



A imprensa na mira dos governos autoritários

Último painel de sábado (29) debate desafios de Brasil, Venezuela e Polônia

Por Carlane Borges, Gabriela Neves, Vitória Macedo e Weslley Galzo 
Edição Cristiane Paião
Foto: Gabriela Neves
O que Brasil, Venezuela e Polônia têm em comum? Para Marzen Suchan do Grupo Interia.pl da Polônia e Luz Mely Reyes, do Efecto Cocuyo da Venezuela, são países marcados pela polarização e que precisam levantar suas vozes na luta pela democracia. 

Para Marzen, o governo de extrema direita da Polônia ataca a mídia e, além disso, aparelhou a chamada "grande" mídia com o auxílio, inclusive, de empresas internacionais. 

Vídeos | Qual a importância do jornalismo para a democracia?

A Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro fez esta pergunta para alguns dos jornalistas que participaram do primeiro dia do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

Neste vídeo falam: Mônica Bergamo - Folha de S. Paulo, Guilherme Amado - Revista Época, Anabela Paiva - CESEC, Adam B. Ellick - The New York Times, Natália Viana - Agência Pública e Daniel Bramatti - Abraji/Estadão. 

Captação e edição: Mauricio Abbade 
Produção: Caroline Oliveira e Mariana Soares


Série realidades: desafios do jornalismo fora dos grandes centros

Jornalistas falam das especificidades das coberturas regionais

Por Gabriela Silva de Carvalho, Matheus Menezes e Thalita Monte Santo
Edição Cristiane Paião


Nayara Felizardo (The Intercept Brasil), Fábio Oliva (Blog do Fábio Oliva/Abraji) e Pedro Sergio Ronco (Blog do Ronco). Foto: Mariana Soares

Pedro Sergio Ronco, do Blog do Ronco, ao denunciar desvios de verba da merenda escolar e de combustível na prefeitura de Ribeirão Bonito, interior de São Paulo, sofreu represálias, inclusive ameaça de morte. Seu depoimento no painel sobre a imprensa longe dos grandes centros durante o 14º Congresso da Abraji foi contundente. 

“Nos deparamos com uma corrupção deslavada. Perguntamos ao prefeito onde ele colocava o combustível, pois não tinha reservatório. Ele disse que abasteciam e distribuíam para outros setores da prefeitura. Ao apurar, nos deparamos com um documento falso que revelava até um desvio na verba de merendas escolares”, relembra Ronco. 

29/06/2019

Governo Bolsonaro elege a imprensa como inimiga, afirma diretor da Piauí

Profissionais falam sobre os desafios de cobrir um governo que desqualifica o jornalismo e faz das redes sociais seu canal oficial de informação

Texto: Karine Seimoha
Edição: André Catto e Leandro Melito


O modo como a imprensa noticia a política mudou já em 2017, com a eleição do presidente norte-americano Donald Trump. No Brasil, com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), não foi diferente. O atual presidente nunca escondeu sua predileção por um ou outro veículo, além de desqualificar os demais.

“Estamos diante de um bicho, mas um bicho diferente. É diferente porque esse governo elege a imprensa séria como um inimigo, e quer desqualificar, destruir a imprensa”, comentou Fernando Barros, diretor de redação da revista Piauí.

Jornalistas latino-americanos criam estratégias de resistência contra pressões governamentais

Profissionais da Venezuela, Guatemala, Colômbia e Uruguai relatam formas de superar crise

Por Luísa Cortés
Edição Géssica Brandino

Liseth Boon (Runrunes), Fabián Werner (Sudestada), Adriana Garcia (Orbitalab), Gladys Olmstead (Nómada) e Hugo Mario Cárdenas (El País) - Foto: Mariana Soares
A crise venezuelana também atingiu o jornalismo. Desde 2014, quando Nicolás Maduro foi eleito, 266 repórteres saíram do país. Frequentemente, sites de notícias são tirados do ar, como é o caso do El Pitazo, que já mudou seu domínio na internet quatro vezes, conta a jornalista Lisseth Boon. 

Coordenadora da editoria de investigação do site venezuelano independente Runrunes, ela cita diversos tipos de censura enfrentados no país, principalmente no governo Maduro.