28/06/2019

Sensibilidade e excessos na cobertura de tragédias

Em Mariana, 19 pessoas morreram, e em Brumadinho foram 246 vítimas fatais

Por Beatriz Santoro e Natalia de Souza
Edição Pâmela Ellen
 Amanda Rossi (BBC Brasil). Foto: Natália de Souza

Veterana em diversos tipos de coberturas, a repórter da BBC Amanda Rossi, afirma que “a sensibilidade é o que aproxima e provoca empatia nos leitores”, em especial nos casos de coberturas de tragédias.

O consenso entre os jornalistas participantes da palestra é de que vítimas como as afetadas pelos rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho, devem ser tratadas com sensibilidade e respeito durante as reportagens. 


Projeto Comprova: Verificação de fatos e transparência do processo no combate à desinformação

A iniciativa analisou mais de 240 mil mensagens de Whatsapp durante a campanha eleitoral de 2018

Por Stéfanie Rigamonti
Edição Ronald Sclavi


Pedro Burgos (Projeto Comprova) Foto: Stéfanie Rigamonti 


As eleições do ano passado trouxeram um componente novo no âmbito das discussões políticas no meio digital: mensagens de Whatsapp. Por meio dessa ferramenta, importantes conteúdos informativos foram veiculados, mas a quantidade de desinformação também compartilhada tornou o aplicativo alvo dos propagadores de notícias falsas. Não à toa, acabou sendo objeto de estudo no Brasil por meio do Projeto Comprova.

A iniciativa, que mobilizou 24 veículos de comunicação e que é coordenado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), foi tema da palestra “O banco de dados do Projeto Comprova: O que 240 mil mensagens de Whatsapp revelam sobre a desinformação na campanha eleitoral”. A mesa teve como palestrante Pedro Burgos, desenvolvedor do projeto Impacto.jor e colaborador no Comprova. A mediação ficou por conta de Sérgio Lüdtike, editor-chefe do First Draft News.


Jornalismo profissional leva visibilidade ao ativismo nas periferias e grupos étnicos

Proximidade pessoal com temáticas cria cobertura com mais representatividade

Por Helena Mega e Vitória Macedo
Edição Ronald Sclavi


Donminique Azevedo, ex-editora-chefe do Correio Nagô. Foto: Vitoria Castro
Eles não querem ser vistos apenas como ativistas, mas sim como quem faz jornalismo profissional. São comunicadores envolvidos em projetos paralelos à mídia dita “tradicional”. O que os diferem é a preocupação em ampliar e vozes e perspectivas de grupos periféricos ou com recortes étnicos específicos.

“Não queremos ser classificados só como ‘uns alternativos’ que estão fazendo algo que ninguém vê”, ressalta a jornalista Donminique Azevedo, ex-editora-chefe do Correio Nagô, portal de mídia étnica da Bahia. O slogan do veículo, “informação do seu jeito”, mostra que o conteúdo é produzido buscando a melhor representação do povo pela mídia.


Jornalistas correm riscos constantes ao investigar casos de corrupção

Os bastidores de reportagens policiais são retratados em documentário

Por Joyce Moura
Edição Pâmela Ellen

Gonzalo Lamela (Ecocinema) Foto: Joyce Moura 
Ameaças, perseguição e terror psicológico são perigos constantes no jornalismo investigativo. Mauri König, professor da Uninter, afirma que “quem é jornalista está sempre exposto ao risco, na medida em que está expondo pessoas”.

A série documental My Pen Is My Gun, produzida pela Ecocinema e Transparência Internacional, terá seis capítulos retratando jornalistas que investigaram casos de corrupção. A primeira parte será sobre a investigação de Mauri König, nomeada The Thinnest Border, envolvendo a cúpula civil e militar do Paraná. O objetivo é “retratar o simbolismo do país que tem a maior fronteira do continente”, como diz Gonzalo Lamela, produtor do conteúdo, e o lançamento está previsto para outubro.


Entrevista: o que o Leste Europeu pode ensinar ao Brasil no combate às fake news

Jornalista do The New York Times explica que ser enganado faz parte da natureza humana 

Por Giulia Afiune
Edição Leandro Melito

O jornalista do New York Times Adam B. Ellick afirma que a "desinformação" é um dos desafios mais importantes da nossa geração

Da Rússia ao Brasil, dos anos 1980 ao século XXI, os “ingredientes” que compõem campanhas de desinformação são essencialmente os mesmos. É o que defende o jornalista do New York Times Adam B. Ellick, co-criador da série de vídeos de opinião “Operation Infektion”, sobre as táticas soviéticas de 'desinformação' que são usadas ao redor do mundo até hoje.

Os vídeos explicam que 'fake news' não são uma ideia nova. Durante a Guerra Fria, um departamento dentro da agência de inteligência soviética KGB se dedicava a criar e espalhar mentiras estratégicas, ou 'desinformações', para destruir seus oponentes.


27/06/2019

"Quem não viu Brexit, Trump e Bolsonaro estava desconectado da realidade do seu país", diz Andrew Fishman


Para correspondentes, é preciso sair da zona de conforto para entender o Brasil

Por: Giulia Afiune
Edição: Germano Assad

As correspondentes internacionais Samantha Pearson (The Wall Street Journal) e Shannon Sims (Freelancer) discutiram como fugir de estereótipos na cobertura internacional. (Foto: Guto Marcondes / Abraji) 

Por que o Brexit e as eleições de Donald Trump e Jair Bolsonaro foram uma surpresa para jornalistas britânicos, americanos e brasileiros? De acordo com três correspondentes internacionais que trabalham no Brasil – Andrew Fishman, Shannon Sims e Samantha Pearson –, muitos jornalistas não viram a ascensão desses fenômenos porque não fizeram reportagem fora de suas "bolhas".  


"Quem não viu Brexit, Trump e Bolsonaro estava desconectado da realidade do seu país", disse o americano Andrew Fishman, editor geral do The Intercept Brasil. Ele emendou que todos as redações deixam de fazer matérias por causa de seus vieses internos e pela falta de diversidade, mas é preciso fazer uma autocrítica. "Por que você errou da primeira vez e como pode melhorar para não errar nos outros casos?" 



“O meu coração bate pelo jornalismo de todas as formas”, diz Miriam Leitão

Jornalista é homenageada pelos mais de 40 anos de contribuição ao jornalismo

Por Luana Dias, Matheus Menezes e Mariana Soares
Edição Leandro Melito


Míriam Leitão (Globo) recebeu homenagens e foi entrevistada por Daniel Bramatti (Abraji) e Guilherme Amado (OGlobo) 
“Só explica bem quem parou para ouvir. Esse é o privilégio do jornalista. Somos o meio do caminho. É isso que eu sou. É isso que eu quero ser”, refletiu Miriam Leitão no trecho final do documentário apresentado em sua homenagem. 

A jornalista recebeu o prêmio pela sua contribuição ao jornalismo promovido 14º Congresso de Jornalismo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Mesmo tendo todos os holofotes voltados para si nesse dia, Miriam não largou suas tarefas. Logo após acompanhar a palestra sobre os abusos por militares no Rio, ela parou para dar conta da sua coluna do dia, comentário para rádio e concedeu entrevistas à tarde. “Estou trabalhando. Não posso parar”, diz.


"A gente pega o barco e some", conta jornalista ameaçado na Amazônia

Profissionais falam sobre as dificuldades para exercer a profissão na região interiorana do Norte do país

Por Gabriela Neves, Vitória Macedo
Edição Pâmela Ellen

Felype Adms (WD Comunicações), Jaime Júnior e Elvira Lobato (Foto: Guto Marcondes / Abraji) 
Na Amazônia, o jornalismo tem a mesma essência do realizado nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, mas algumas dificuldades são bem diferentes. É o que ressalta Felype Adms, repórter da WD Comunicações, afiliada da Record em Altamira - PA. De forma humorada, diz que ao invés de ir à delegacia, “lá a gente pega o barco e some”. Falta respaldo: em alguns lugares, não há poder do Estado, não há polícia, não há Ministério Público, não há quase nada. Resultado: o crime impera.

Além disso, segundo Adms, as reações às publicações chegam rápido e de forma agressiva. Principalmente nas cidades e nos vilarejos mais distantes. “Bate aqui e pega, reação imediata, é quase instantâneo”, destaca.


Repórteres rodam o país para descobrir "onde está Queiroz"?

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro, militar que movimentou mais de R$1,2 milhão em um ano está foragido desde janeiro 

Por Géssica Brandino e Amanda Stabile
Fábio Serapião (Crusoé) e Juliana Castro (Globo). Foto: Guto Marcondes / Abraji
O paradeiro de Fabrício José Carlos de Queiroz, policial militar e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro é a pergunta que não quer calar em torno de um caso revelado há seis meses. Fábio Serapião, autor do furo e atualmente na Crusoé, conta já ter viajado para alguns lugares do Brasil em busca de pistas e nada. 

“Eu viajei algumas cidades atrás dele, mas ainda não tive o prazer de encontrá-lo”, afirma. Também nessa busca, a repórter Juliana Castro, do Globo, gastou muita sola de sapato para encontrar o policial militar.


Caso Evandro: o podcast que trouxe à tona um dos casos mais obscuros da história do Brasil

Quarta temporada do "Projeto Humanos" mistura apuração e entretenimento e tem mais de 4 milhões de visualizações

Por Weslley Galzo 
Edição Cristiane Paião


Ivan Mizanzuk falou sobre storytelling (Guto Marcondes / Abraji)
"Eu só queria contar histórias", é o que diz Ivan Mizanzuk, professor universitário que nunca havia trabalhado com jornalismo, mas acabou se tornando uma referência na área. Segundo ele, o que o motivou a desenvolver um projeto tão grande, como o do Caso Evandro, foi sua paixão por storytelling e acreditar que essa é uma história que merece ser contada. 

Ivan destaca que o fato de ter sido uma criança justamente na época em que uma onda de sequestros aterrorizou o Paraná também foi importante. Só depois de adulto, ao pesquisar na internet se deu conta de todo o ocultismo em que estavam envolvidos à tortura do garoto de apenas 6 anos supostamente assassinato pela família Abagge. Estas foram as duas principais razões para que este fosse o tema da 4º temporada do Projeto Humanos, sucesso na chamada "podosfera", universo dos assíduos ouvintes de podcasts.